Como acertar a concordância verbal com sujeito composto nas provas mais difíceis?
16/06/2026 03h25 – Atualizado há 3 horas

A concordância verbal com sujeito composto é um dos temas mais recorrentes em concursos públicos, vestibulares e no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). As bancas examinadoras sabem que as regras gerais são de domínio público, por isso estruturam suas questões com base nas exceções e nuances que confundem a maioria dos candidatos. Dominar esses detalhes vai muito além de memorizar regras; exige uma análise analítica da estrutura sintática e a compreensão de como os examinadores constroem as armadilhas nas provas.
Ao longo de anos acompanhando os critérios de correção das principais bancas do país, como Cebraspe, FGV e Fundação Carlos Chagas, fica claro que o erro do candidato geralmente não está na falta de estudo, mas na pressa ao identificar o núcleo do sujeito. Quando o sujeito composto aparece invertido ou ligado por conjunções específicas, a tendência natural da fala nos induz ao erro, e é exatamente aí que a pontuação da sua redação ou da prova objetiva é prejudicada.
Este guia prático foi desenhado para consolidar o seu entendimento definitivo sobre o tema. Você vai aprender a mapear os padrões de cobrança mais frequentes, entender a flexibilização gramatical aceita pelos corretores e aplicar as regras com a segurança necessária para garantir a nota máxima na sua próxima avaliação.
O caso clássico: sujeito composto anteposto ao verbo
A regra de ouro que todo estudante aprende no início da preparação é simples: se o sujeito composto aparece antes do verbo (anteposto), o verbo deve obrigatoriamente ir para o plural. Essa é a estrutura mais intuitiva e menos cobrada em níveis avançados, mas serve como base para o que vem a seguir.
- O professor e o aluno discutiram o tema da redação.
- A clareza e a coesão são fundamentais na estrutura textual.
Sujeito composto posposto ao verbo: a primeira grande armadilha
Quando o sujeito composto vem depois do verbo (posposto), o cenário muda completamente e a margem para pegadinhas aumenta. Nesse caso, a norma culta da língua portuguesa aceita duas construções corretas, e as bancas costumam explorar a concordância atrativa para testar a atenção do candidato.
Você pode flexionar o verbo no plural (concordando com a totalidade do sujeito) ou deixá-lo no singular (concordando apenas com o núcleo mais próximo).
- Faltaram o argumento e a proposta de intervenção no texto. (Concordância plural com ambos os núcleos).
- Faltou o argumento e a proposta de intervenção no texto. (Concordância atrativa com o núcleo “argumento”).
Casos especiais que definem a aprovação
Para garantir o diferencial competitivo na sua prova, você precisa dominar os cenários onde a semântica da frase dita a concordância. Veja os três casos mais explorados pelas bancas:
Núcleos sinônimos ou em gradação
Se os elementos do sujeito composto forem sinônimos ou formarem uma sequência gradativa (uma linha de pensamento que cresce ou diminui), o verbo pode ficar no singular ou ir para o plural. O singular é altamente elegante e valorizado em redações dissertativas.
- A angústia e o medo o paralisou. (Ou paralisaram).
- Um segundo, um minuto, uma hora basta para mudar o rumo da escrita. (Ou bastam).
Sujeito composto ligado por “ou”
A conjunção “ou” pode indicar exclusão ou inclusão. Se a ideia for de exclusão (apenas um dos elementos pode praticar a ação), o verbo fica no singular. Se a ideia for de inclusão ou retificação (ambos participam ou coexistem), o verbo vai para o plural.
- Pedro ou Afonso será o primeiro colocado no concurso. (Apenas um pode ser o primeiro; exclusão).
- A leitura ou a prática constante expandem o repertório cultural. (Ambas as ações somam para o resultado; inclusão).
Sujeito composto ligado por “com”
Quando os núcleos estão unidos pela preposição “com”, a concordância depende do destaque dado aos elementos. Se o conectivo funcionar como uma conjunção aditiva (equivalente a “e”), o verbo vai para o plural. Se o elemento após a preposição for tratado como um adjunto adverbial de companhia (geralmente isolado por vírgulas), o verbo fica no singular.
- O candidato com o seu orientador revisaram o cronograma de estudos.
- O candidato, com o seu orientador, revisou o cronograma de estudos.
Guia de microestrutura: o que fazer e o que evitar
A tabela a seguir apresenta os erros invisíveis que costumam passar despercebidos nas revisões rápidas e como estruturá-los corretamente de acordo com a norma padrão.
| Construção Incorreta (Erro de Sintaxe) | Construção Correta (Padrão da Banca) | Explicação Prática |
| ❌ Comprou o livro e a apostila o estudante focado. | ✅ Compraram o livro e a apostila o estudante focado. | O sujeito composto (“o livro e a apostila”) está anteposto, logo o verbo deve ir ao plural. |
| ❌ Nem um nem outro conseguiram a nota máxima no exame. | ✅ Nem um nem outro conseguiu a nota máxima no exame. | Com a expressão “nem um nem outro”, o verbo fica preferencialmente no singular. |
| ❌ Rir e chorar fazem parte do processo de aprendizado. | ✅ Rir e chorar faz parte do processo de aprendizado. | Sujeito composto por verbos no infinitivo não repetidos por artigo exige verbo no singular. |
Perguntas Frequentes sobre Concordância Verbal
O que acontece se o sujeito composto for resumido por um pronome indefinido?
Se os núcleos do sujeito composto forem seguidos por palavras resumidoras como “tudo”, “nada”, “ninguém” ou “tudo isso”, o verbo deve ficar obrigatoriamente no singular, concordando com o termo resumidor.
- Exemplo: Argumentos, dados e propostas, nada o convenceu a mudar de opinião.
Como funciona a concordância com as expressões “um ou outro” e “nem um nem outro”?
Com a expressão “um ou outro”, o verbo permanece obrigatoriamente no singular. Já com a expressão “nem um nem outro”, a gramática tradicional e os manuais de redação das bancas exigem o verbo no singular, embora alguns autores aceitem o plural. Na prova, adote o singular.
Se os núcleos forem de pessoas gramaticais diferentes, qual prevalece?
A primeira pessoa (eu/nós) tem prioridade sobre a segunda (tu/vós), que por sua vez tem prioridade sobre a terceira (ele/eles). Portanto, se houver “eu” no sujeito, o verbo vai para a primeira pessoa do plural (nós). Se houver “tu” e “ele”, o verbo vai para a segunda do plural (vós) ou, mais comumente no Brasil, para a terceira do plural (vocês).
Conclusão
A segurança na concordância verbal não nasce da decoreba de regras isoladas, mas sim da aplicação prática em contextos reais de produção de texto. Conhecer as preferências das bancas examinadoras e os pontos onde a maioria dos candidatos falha é o primeiro passo para consolidar sua autoridade técnica e blindar a sua nota contra desvios gramaticais.
O próximo passo essencial para fixar este conteúdo é o treino direcionado. Produza pequenos parágrafos aplicando as inversões sintáticas e os sujeitos compostos ligados por “ou” e “com”, forçando-se a analisar a semântica de cada frase. A regularidade nos exercícios práticos de escrita e o teste de diferentes estruturas textuais são as ferramentas mais eficazes para transformar o conhecimento teórico em um hábito automatizado e correto.