Como usar os pronomes demonstrativos para garantir nota máxima na redação
31/05/2026 08h48 – Atualizado há 2 semanas

Dominar a coesão textual é um dos maiores desafios para quem busca a nota mil na redação. Entre os mecanismos mais cobrados pelas bancas examinadoras, os pronomes demonstrativos ocupam um lugar de destaque e, frequentemente, tornam-se armadilhas que penalizam a competência 4 de exames como o Enem e vestibulares tradicionais. A confusão entre os termos pode truncar a leitura e demonstrar falta de domínio do padrão culto da língua.
Para evitar desvios e garantir a fluidez do seu texto, é fundamental compreender que os demonstrativos funcionam sob três eixos principais: espaço, tempo e o próprio texto (eixo endofórico). Na produção de dissertações-argumentativas, o uso textual é o mais relevante, pois dita como você retoma argumentos ou introduz novas ideias na introdução, no desenvolvimento e na conclusão.
Análises detalhadas de milhares de redações de alto desempenho revelam que os candidatos que utilizam os pronomes de forma cirúrgica conseguem pontuações consistentemente maiores em coesão. Entenda a lógica definitiva para o uso de “este”, “esse” e “aquele” e elimine de vez as ambiguidades que confundem os avaliadores.
O uso no tempo e no espaço: a regra geral
Antes de aplicar os pronomes na estrutura do parágrafo, vale relembrar o uso básico espacial e temporal. Eles determinam a proximidade em relação a quem fala (1ª pessoa), com quem se fala (2ª pessoa) ou de quem se fala (3ª pessoa).
Este, esta, isto
- Espaço: Indica o que está perto de quem fala. (Exemplo: Este caneta que seguro é preta).
- Tempo: Refere-se ao tempo presente ou muito próximo. (Exemplo: Este ano de 2026 está sendo decisivo para os estudantes).
Esse, essa, isso
- Espaço: Indica o que está perto de com quem se fala. (Exemplo: Esse livro aí na sua mesa é bom?).
- Tempo: Refere-se a um passado ou futuro próximo. (Exemplo: Essa noite passada foi fria).
Aquele, aquela, aquilo
- Espaço: Indica o que está distante de ambos. (Exemplo: Aquele prédio no horizonte é a universidade).
- Tempo: Refere-se a um passado distante ou época remota. (Exemplo: Naquela época, no século passado, os recursos eram escassos).
O segredo da coesão textual: uso anafórico vs. catafórico
No texto dissertativo, as bancas de correção avaliam rigorosamente se você sabe referenciar elementos internos. É aqui que moram os conceitos de anáfora (retomar) e catáfora (antecipar).
Use “esse” para retomar o que já foi dito (anáfora)
Sempre que você apresentar um argumento, um fato histórico ou uma tese e precisar se referir a isso no período seguinte, utilize esse, essa ou isso. Esse recurso evita repetições exaustivas e amarra as frases com precisão.
Exemplo: A evasão escolar cresceu significativamente durante a crise sanitária. Esse problema social exige medidas governamentais urgentes.
Use “este” para introduzir uma ideia nova (catáfora)
Se o pronome aparece antes da informação principal, funcionando como um anúncio do que será detalhado a seguir, o correto é utilizar este, esta ou isto.
Exemplo: O grande desafio da educação contemporânea é este: a inclusão digital de comunidades isoladas.
Use “este” e “aquele” para distinção de dois elementos
Quando você cita dois termos em uma frase e precisa retomar ambos sem criar confusão, use aquele para o que foi dito primeiro (mais distante no texto) e este para o que foi dito por último (mais próximo no texto).
Exemplo: O Ministério da Educação e a escola possuem papéis complementares; aquele define as diretrizes nacionais, enquanto este aplica as metodologias no cotidiano.
Guia prático de microestrutura e gramática
A aplicação incorreta dos demonstrativos quebra a coesão e afeta a clareza do texto. A tabela abaixo sintetiza os principais acertos e erros identificados em redações de vestibulares.
| Contexto de Uso | ✅ Forma Correta | ❌ Forma Incorreta |
| Retomar argumento anterior | A desigualdade persiste. Esse cenário impede o avanço do país. | A desigualdade persiste. Este cenário impede o avanço do país. |
| Apresentar citação ou dado | A tese defendida pelo sociólogo é esta: o homem é fruto do meio. | A tese defendida pelo sociólogo é essa: o homem é fruto do meio. |
| Referência ao ano corrente | Neste ano de 2026, os debates sobre IA na educação ganharam força. | Nesse ano de 2026, os debates sobre IA na educação ganharam força. |
| Diferenciar dois elementos | O governo e a sociedade civil devem agir; este fiscalizando, aquele investindo. | O governo e a sociedade civil devem agir; esse fiscalizando, este investindo. |
Perguntas frequentes sobre pronomes demonstrativos
Posso usar “o mesmo” para retomar uma palavra e evitar o pronome demonstrativo?
Não, o uso de “o mesmo” com função pronominal para retomar termos é considerado um desvio gramatical pela maioria das bancas examinadoras. Em vez de escrever “O projeto foi aprovado, mas o mesmo precisa de verbas”, utilize pronomes pessoais ou demonstrativos adequados: “O projeto foi aprovado, mas ele precisa de verbas” ou “O projeto foi aprovado, mas esse processo exige verbas”.
Qual é a diferença real entre “isto” e “isso” na redação?
A diferença reside na posição da informação: “isto” antecipa o que vai ser escrito, enquanto “isso” recupera o que já foi mencionado. Se você vai listar argumentos em seguida, escreva “Isto é urgente: saúde e segurança”. Se acabou de explicar um problema, arremate com: “A negligência estatal causa isso“.
O uso incorreto de “este” ou “esse” zera a redação?
Não zera o texto, mas causa perda imediata de pontos na competência que avalia a coesão textual e os recursos coesivos. Desvios repetidos mostram ao avaliador que o candidato não domina os mecanismos de referência, impedindo a conquista da nota máxima no critério de conectivos interparágrafos e intraparágrafos.
Conclusão
Entender a teoria dos pronomes demonstrativos é apenas o primeiro passo para blindar a nota da sua redação. O verdadeiro domínio desse recurso se consolida por meio da prática constante. Incorporar “este”, “esse” e “aquele” de forma consciente em suas produções semanais treina seu olhar para identificar falhas de coesão antes de entregar a folha definitiva. Faça do treino o seu aliado e escreva com a segurança de quem domina os critérios das bancas mais rigorosas do país.