Concordância com expressões quantitativas: a maioria dos candidatos votou ou votaram?

Por Redação
16/05/2026 11h37 – Atualizado há 19 horas

A concordância verbal com expressões partitivas ou quantitativas é um dos temas que mais geram insegurança em candidatos de concursos públicos e vestibulares, figurando constantemente nos relatórios de erros mais frequentes apontados pelas bancas examinadoras. Estruturas que envolvem expressões como “a maioria de”, “a maior parte de”, “uma porção de” seguidas de um substantivo no plural desafiam a intuição gramatical do redator. Para garantir a nota máxima nos critérios de correção gramatical, compreender a dupla possibilidade de concordância e o impacto de cada escolha na coesão do texto é um passo indispensável.

Com base na análise de milhares de redações avaliadas pelos corretores mais rigorosos do país, desvios nesse tópico costumam ser penalizados não por desconhecimento da regra geral, mas pela quebra de paralelismo ao longo do parágrafo. A norma-padrão da língua portuguesa oferece uma flexibilidade que, se mal gerida, compromete a fluidez da leitura e a clareza do argumento.

Abaixo, destrinchamos as regras fundamentais, as nuances estilísticas e os cenários complexos que envolvem a concordância com expressões quantitativas para que você elimine em definitivo esse gargalo da sua escrita.

A regra geral: concordância lógica vs. concordância atrativa

Quando o sujeito de uma oração é formado por uma expressão partitiva ou quantitativa seguida de um termo especificador no plural, a gramática normativa permite duas construções perfeitamente válidas: a concordância gramatical (ou lógica) e a concordância por atração.

Concordância gramatical (no singular)

Nessa estrutura, o verbo flexiona-se na terceira pessoa do singular para concordar diretamente com o núcleo do sujeito, que é a palavra “maioria”, “parte” ou “metade”. Trata-se de uma opção formal e estritamente lógica.

  • Exemplo: A maioria dos candidatos votou logo cedo.

Concordância atrativa (no plural)

Nesta opção, o verbo vai para a terceira pessoa do plural para concordar com o termo especificador (“candidatos”, “estudantes”, “cidadãos”). Essa construção é amplamente aceita pelas bancas e, muitas vezes, confere maior naturalidade à leitura.

  • Exemplo: A maioria dos candidatos votaram logo cedo.

3 situações complexas com expressões partitivas

Embora a dupla possibilidade seja a regra geral, existem cenários específicos na microestrutura do texto em que a liberdade de escolha do redator é limitada por fatores sintáticos.

1. Expressões quantitativas com especificador oculto ou distante

Se o termo especificador no plural estiver distante do verbo ou oculto no contexto do parágrafo, a concordância atrativa deve ser evitada. O distanciamento do substantivo plural faz com que o verbo no plural pareça um erro de concordância primário aos olhos da banca examinadora.

  • Forma recomendada: A maior parte votou contra o projeto de lei apresentado.

2. Presença de predicativo do sujeito

Quando a oração possui um predicativo do sujeito (um adjetivo que caracteriza o sujeito através de um verbo de ligação), a escolha da flexão do verbo exige atenção redobrada: o verbo e o adjetivo devem caminhar juntos para manter o paralelismo sintático.

  • Se o verbo ficar no singular: A maioria dos alunos estava focada nos estudos.
  • Se o verbo for para o plural: A maioria dos alunos estavam focados nos estudos.

3. O caso das expressões com numerais e porcentagens

A lógica das expressões partitivas se estende para cenários com números percentuais ou fracionários seguidos de especificação. Se a porcentagem vier acompanhada de substantivo no plural, a duplicidade persiste, mas se houver apenas o número, o verbo concorda obrigatoriamente com o numeral.

  • Com especificador: 30% da população aprovou (ou aprovaram) a nova medida.
  • Sem especificador: 30% aprovaram a nova medida administrativa.

Guia de aplicação prática para redação

A tabela a seguir apresenta os confrontos diretos na estrutura do texto para você visualizar as escolhas ideais e os desvios que devem ser banidos da sua folha de redação.

Estrutura do Sujeito✅ Construção Correta (Norma-Padrão)❌ Construção Incorreta (Quebra de Regra)
Expressão partitiva simplesGrande parte dos cidadãos reclamou do serviço.Grande parte dos cidadãos reclamou dos serviços e ficaram insatisfeitos.
Quebra de paralelismoA maioria dos jovens estuda e trabalha.A maioria dos jovens estuda e trabalham no comércio.
Porcentagem sem substantivo1% dos entrevistados rejeitou a proposta.1% dos entrevistados rejeitaram a proposta (quando interpretado estritamente pelo numeral).
Coletivo partitivo específicoUma porção de candidatos reclamou do edital.Uma porção de candidatos reclamou do edital e foram embora.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Qual opção é melhor na redação: “votou” ou “votaram”?

Ambas as formas estão corretas e são aceitas pelas bancas examinadoras. A escolha entre “a maioria dos candidatos votou” ou “votaram” cabe ao redator. No entanto, o plural (“votaram”) costuma soar mais fluido quando há ações subsequentes no texto, enquanto o singular (“votou”) enfatiza a unidade do grupo.

O que significa a quebra de paralelismo nesse tipo de concordância?

A quebra de paralelismo ocorre quando o redator mistura as duas regras em uma mesma frase. Se você optar pelo singular no primeiro verbo (“A maioria dos candidatos votou“), todos os verbos seguintes ligados a esse sujeito devem permanecer no singular (“e demonstrou satisfação”). Mudar para o plural no meio da frase é um erro penalizado em provas.

A regra se aplica para a expressão “a maior parte”?

Sim, a regra é exatamente a mesma para “a maior parte de”, “uma infinidade de”, “metade de” ou “a maioria de”. Todas essas estruturas aceitam o verbo tanto no singular (concordando com o núcleo partitivo) quanto no plural (concordando com o substantivo que vem depois).

Conclusão

A flexibilidade na concordância com expressões quantitativas não deve ser encarada como falta de rigor, mas como uma ferramenta de estilo para o redator. O segredo para não errar mais e garantir a nota máxima na avaliação gramatical resume-se a uma palavra: consistência. Uma vez escolhida a concordância lógica ou a atrativa, mantenha o padrão até o ponto final do período.

Para fixar este aprendizado e dominar o mecanismo gramatical, o caminho ideal é o treino focado na revisão de períodos longos. Escreva parágrafos argumentativos utilizando expressões como “a maioria dos” ou “grande parte de”, force o uso de dois ou mais verbos na sequência e verifique se a uniformidade foi mantida. Com a prática deliberada, a consistência sintática passará a ser um processo automático na sua rotina de escrita.