Pleonasmos viciosos na argumentação: as redundâncias que empobrecem o texto

Por Redação
23/06/2026 20h11 – Atualizado há 5 horas

O uso inadvertido de termos repetitivos é um dos desvios mais comuns e prejudiciais para a qualidade de um texto dissertativo-argumentativo. Na busca por dar ênfase a uma ideia, muitos escritores acabam caindo na armadilha do pleonasmo vicioso, que consiste na repetição desnecessária de um conceito já implícito na palavra anterior. Em avaliações formais e exames de grande porte, essa redundância compromete diretamente os critérios de coesão, coerência e precisão vocabular das bancas examinadoras.

A análise técnica de milhares de produções textuais revela que as expressões redundantes não apenas demonstram falta de domínio do repertório lexical, mas também enfraquecem o poder de persuasão do argumento. Uma argumentação sólida exige concisão e clareza; quando o texto é preenchido por termos vazios, a progressão textual é interrompida, reduzindo a nota do candidato na competência gramatical e na estruturação do raciocínio lógico.

Compreender o mecanismo por trás desses desvios é o primeiro passo para eliminá-los definitivamente da escrita acadêmica e profissional. Ao longo deste guia técnico, identificamos os pleonasmos mais recorrentes na argumentação contemporânea, detalhando como substituí-los por construções enxutas e de alto impacto que atendem aos mais rigorosos padrões de correção gramatical.

O impacto das redundâncias na estrutura argumentativa

O grande problema do pleonasmo vicioso na argumentação é que ele funciona como um ruído na comunicação. Quando você escreve que uma medida vai “subir para cima” ou que um projeto visa o “planejamento antecipado”, você está desperdiçando espaço precioso que deveria ser utilizado para o aprofundamento dos dados e das teses fundamentais do parágrafo.

As bancas penalizam o vício de linguagem porque ele reflete um vício da oralidade transportado para a modalidade escrita formal. Na fala, a repetição pode servir como apoio para o pensamento em tempo real, mas no texto planejado, ela indica falta de revisão e desconhecimento do significado estrito das palavras utilizadas.

Guia prático de substituição: microestrutura e gramática

Para garantir uma escrita limpa e cirúrgica, é fundamental mapear as expressões que costumam passar despercebidas na revisão. A tabela a seguir apresenta os erros mais frequentes encontrados em redações argumentativas e as respectivas correções ideais.

Expressão redundante✅ Construção correta e concisa❌ Exemplo de aplicação inadequada no texto
Elo de ligaçãoElo ou Ligação“O investimento em infraestrutura básica é o elo de ligação para o desenvolvimento urbano.”
Encarar de frenteEncarar ou Enfrentar“O governo precisa encarar de frente a crise econômica que afeta os pequenos produtores.”
Monopólio exclusivoMonopólio“A empresa detém o monopólio exclusivo da distribuição de energia na região norte.”
Garantir a certezaGarantir ou Ter certeza“A implementação de políticas rigorosas serve para garantir a certeza do cumprimento das metas.”
Conclusão finalConclusão“Como conclusão final do projeto, percebe-se a necessidade de maior engajamento social.”
Criar uma novaCriar“O comitê decidiu criar uma nova alternativa para solucionar o impasse dos transportes.”

Como identificar e eliminar os vícios na revisão textual

A eliminação dos pleonasmos viciosos exige um olhar atento durante a etapa de reescrita. A melhor estratégia consiste em isolar os verbos e os modificadores (advérbios e adjetivos) para checar se eles não estão orbitando o mesmo campo semântico.

Se um projeto é “inédito”, a palavra “pioneiro” na mesma frase se torna redundante. Da mesma forma, fatos históricos pertencem ao “passado” por definição, tornando a construção “fato histórico do passado” um erro crônico de estilística. Prefira sempre o termo mais simples e direto para manter o vigor da sua prosa argumentativa.

FAQ: Dúvidas frequentes sobre pleonasmos e redundâncias

Existe alguma diferença entre pleonasmo literário e pleonasmo vicioso?

Sim. O pleonasmo literário é uma figura de linguagem intencional, utilizada por autores para conferir expressividade, ritmo ou valor poético ao texto, como na clássica frase “chorar um pranto doloroso”. Já o pleonasmo vicioso é um desvio gramatical involuntário, fruto do desconhecimento ou do descuido, que empobrece a argumentação e deve ser totalmente banido da dissertação.

Expressões como “há anos atrás” são consideradas corretas na norma-padrão?

Não. A expressão “há anos atrás” é uma redundância clássica, pois o verbo haver já indica tempo decorrido no passado. O correto de acordo com a norma gramatical é utilizar apenas “há anos” ou “anos atrás”, eliminando o excesso para manter a precisão temporal do argumento.

Por que a expressão “panorama geral” é vista como um pleonasmo vicioso?

A palavra panorama já significa a visão ampla, total e abrangente de um cenário ou situação. Portanto, adjetivá-la com o termo “geral” não acrescenta nenhuma informação nova ao leitor, configurando uma repetição desnecessária que enfraquece a precisão vocabular do texto argumentativo.

Conclusão

A precisão vocabular é um dos maiores indicativos de maturidade intelectual e competência técnica em uma redação. Eliminar os pleonasmos viciosos do seu repertório não é apenas uma questão de capricho gramatical, mas uma estratégia essencial para tornar a sua argumentação mais limpa, direta e persuasiva para os corretores.

O segredo para dominar essa habilidade é o treino constante de escrita e, principalmente, o desenvolvimento de um processo de revisão focado na economia de palavras, garantindo que cada termo empregado tenha uma função clara e indispensável na defesa da sua tese.