Como usar o pronome cujo na redação do Enem sem errar
29/05/2026 10h57 – Atualizado há 15 horas

O pronome relativo “cujo” e suas variações (cuja, cujos, cujas) figuram entre os maiores tabus gramaticais dos estudantes que se preparam para o Enem e vestibulares tradicionais. Por transmitir uma ideia de formalidade artificial quando mal empregado, a grande maioria dos candidatos simplesmente deleta o termo de seu repertório linguístico. No entanto, o Google May 2026 Core Update e as bancas de correção valorizam justamente a capacidade do aluno de operar estruturas sintáticas complexas com precisão.
Ao analisar milhares de redações nota 1000, nossa equipe de especialistas identificou que a fuga de pronomes relativos específicos gera períodos truncados e repetições excessivas de conectivos básicos como “que” e “onde”. Dominar o uso do “cujo” não é um capricho estético, mas uma estratégia direta para alcançar os 200 pontos na Competência 1 (domínio da norma culta) e na Competência 4 (coesão textual) da matriz de referência do Enem.
Para utilizar o pronome com segurança, é preciso compreender que ele exerce um papel duplo na construção da frase: conecta duas orações e estabelece, obrigatoriamente, uma relação de posse entre dois substantivos. Compreender essa mecânica elimina o medo do erro e transforma o termo em um aliado para a fluidez do seu texto argumentativo.
As regras de ouro do pronome cujo
Para aplicar o pronome relativo de forma cirúrgica na sua redação, você deve fixar três regras fundamentais que as bancas examinadoras utilizam como critério de corte na avaliação gramatical:
- O antecedente possui o consequente: O termo que vem antes do pronome é o “possuidor”, e o termo que vem depois é a “coisa possuída”. Na frase “O Brasil é um país cuja economia cresce”, o país possui a economia.
- Concordância em gênero e número: O pronome “cujo” nunca concorda com o termo anterior (possuidor), mas sim com o termo posterior (coisa possuída). Portanto, dizemos “o autor cuja obra” e “a escritora cujo livro”.
- Proibição absoluta de artigo posterior: É um erro grave e eliminatório colocar artigo logo após o pronome. Estruturas como “cujo o”, “cuja a”, “cujos os” ou “cujas as” violam a norma culta.
Exemplos práticos na microestrutura do texto
A melhor maneira de entender o impacto do pronome na coesão textual é observando a transformação de períodos mal estruturados em construções alinhadas ao padrão das notas de excelência.
Veja a tabela comparativa baseada em desvios recorrentes cometidos por candidatos:
| Construção incorreta ou truncada (❌) | Construção corrigida e otimizada (✅) |
| O SUS é um sistema que a sua eficiência é questionada por muitos setores. | O SUS é um sistema cuja eficiência é questionada por muitos setores. |
| O Brasil é um país cujo o IDH cresce em ritmo lento na última década. | O Brasil é um país cujo IDH cresce em ritmo lento na última década. |
| Reduzi o uso de plásticos, cujas as consequências afetam a fauna marinha. | Reduzi o uso de plásticos, cujas consequências afetam a fauna marinha. |
| A escola é uma instituição onde os alunos buscam o conhecimento do diretor. | A escola é uma instituição cujo diretor fomenta a busca pelo conhecimento dos alunos. |
Aplicação prática na argumentação e na proposta de intervenção
No desenvolvimento do seu texto, o pronome serve para condensar argumentos e evitar períodos longos e cansativos. Em vez de escrever “A população sofre com a falta de saneamento. A saúde da população fica vulnerável”, você pode unificar as ideias de forma sofisticada: “A população, cuja saúde fica vulnerável, sofre com a ausência de saneamento básico”.
Na proposta de intervenção (parágrafo de conclusão do Enem), o termo confere precisão ao detalhamento dos agentes sociais. Observe este modelo de aplicação prática:
“Portanto, cabe ao Ministério da Educação, cujo papel social engloba a formação cidadã, promover campanhas de conscientização sobre a importância do voto…”
Nessa estrutura, o estudante demonstra maturidade sintática e garante o preenchimento correto dos elementos obrigatórios da intervenção com alto nível de coesão.
Perguntas frequentes sobre o uso do cujo
Posso usar preposição antes do pronome cujo?
Sim, o uso de preposição antes do pronome cujo é obrigatório sempre que a regência do verbo posterior exigir. Se o verbo que vem depois rege a preposição “de”, “a” ou “em”, ela deve ser deslocada para antes do pronome. Exemplo: “Este é o pensador de cujas ideias eu discordo” (quem discorda, discorda de algo).
O pronome cujo pode substituir o conectivo onde?
Não, o pronome cujo não deve ser usado como substituto de localidade espacial. O conectivo “onde” retoma exclusivamente lugares físicos, enquanto “cujo” estabelece relação possessiva. Escrever “A cidade cujo eu nasci” é incorreto; o padrão exige “A cidade onde nasci” ou “A cidade em que nasci”.
Posso utilizar cujo para retomar uma ação ou um verbo anterior?
Não, o pronome cujo retoma unicamente substantivos e pronomes substantivos. Ele não possui capacidade semântica de fazer referência a orações inteiras ou ações expressas anteriormente no texto. Para essa finalidade, prefira expressões como “fato que”, “o que” ou “essa conjuntura”.
Domine a sintaxe por meio da prática contínua
Perder o medo de usar estruturas complexas exige sair da zona de conforto textual. A inclusão do “cujo” no seu repertório de redação só se tornará natural se você transformar a teoria em hábito prático de escrita. Comece a forçar a substituição de repetições do conectivo “que” por relações de posse bem estruturadas nos seus rascunhos semanais. O treino constante com foco na correção gramatical é o único caminho seguro para consolidar a segurança que separa o candidato mediano da nota máxima na redação.