Como usar o “que” antecedido de preposição na redação do Enem
31/08/2026 22h54 – Atualizado há 3 horas

A regência verbal e nominal costuma ser uma das principais razões para o desconto de pontos na Competência 1 do Enem, que avalia o domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa. Entre os equívocos mais recorrentes identificados pela nossa equipe editorial após a análise de mais de 50 mil redações, destaca-se a omissão da preposição antes do pronome relativo “que”. Quando o termo regente exige uma preposição, ela deve, obrigatoriamente, anteceder o pronome para manter a coesão e a correção gramatical do texto.
Entender a dinâmica dos pronomes relativos vai além de memorizar regras sintáticas; trata-se de garantir a clareza e a precisão do seu argumento. Ao dominar o uso de “a que”, “de que”, “em que” e “por que”, você evita ambiguidades e demonstra aos avaliadores da banca um controle sofisticado da estrutura frasal. A seguir, detalhamos as regras de regência aplicadas a cada combinação para que você aplique esses recursos com segurança em seu texto.
A regra geral da regência com pronome relativo
O pronome relativo “que” substitui um termo antecedente e conecta duas orações. Quando o verbo ou o nome da oração subordinada exige uma preposição, essa preposição é deslocada para antes do pronome relativo. Para identificar qual preposição utilizar, observe o verbo ou o substantivo/adjetivo que vem depois do “que” e pergunte qual termo ele rege.
Quando usar “a que”
A combinação “a que” deve ser utilizada quando o verbo ou nome posterior exige a preposição “a”. Isso ocorre frequentemente com verbos transitivos indiretos como referir-se, aspirar (no sentido de desejar) e obedecer.
- Exemplo de regência verbal: O problema a que o autor se refere exige solução rápida. (Quem se refere, refere-se a algo).
- Exemplo de regência nominal: A proposta a que somos favoráveis foi aprovada. (Quem é favorável, é favorável a algo).
Quando usar “de que”
A estrutura “de que” é exigida quando o termo regente pede a preposição “de”. Verbos como gostar, necessitar, precisar, gostar, depender ou nomes como certeza e orgulho pedem essa construção.
- Exemplo de regência verbal: A medida de que a sociedade necessita já está em trâmite. (Quem necessita, necessita de algo).
- Exemplo de regência nominal: Temos a certeza de que a educação transforma realidades. (Quem tem certeza, tem certeza de algo).
Quando usar “em que”
Utiliza-se “em que” quando a regência pede a preposição “em”, sendo amplamente empregado para indicar tempo, lugar ou situação abstrata. O termo pode ser substituído por no qual, na qual, nos quais, nas quais ou pelo pronome onde (este último restrito a lugares físicos concretos).
- Exemplo de contexto temporal/abstrato: A era em que vivemos é marcada pela digitalização. (Quem vive, vive em algum momento).
- Exemplo de contexto espacial: O país em que os fatos ocorreram enfrenta instabilidade. (Ocorreram em algum lugar).
Quando usar “por que”
A forma separada e sem acento “por que” ocorre antes do relativo quando há a junção da preposição “por” com o pronome “que”. É equivalente a pelo qual, pela qual, pelos quais ou pelas quais, indicando causa, motivo ou meio.
- Exemplo de causa/motivo: Os caminhos por que lutamos trarão resultados no futuro. (Lutar por algo).
- Exemplo de meio: A razão por que o projeto falhou foi a falta de verba. (A razão pela qual o projeto falhou).
Comparativo de aplicação na microestrutura do texto
Confira os erros mais comuns cometidos pelos candidatos em relação à regência do pronome relativo e as correções adequadas segundo a norma-padrão:
| Estrutura incorreta (❌) | Estrutura correta (✅) | Justificativa técnica da regra |
| O tema que falamos ontem é complexo. | O tema de que falamos ontem é complexo. | O verbo falar (no sentido de discorrer) exige a preposição de. |
| Os direitos que aspiramos exigem lutas. | Os direitos a que aspiramos exigem lutas. | O verbo aspirar (desejar) exige a preposição a. |
| A tese que sou favorável é sustentável. | A tese a que sou favorável é sustentável. | O adjetivo favorável exige regência da preposição a. |
| A lei que dependemos precisa mudar. | A lei de que dependemos precisa mudar. | O verbo depender exige obrigatoriamente a preposição de. |
| O período que ocorreu a crise foi longo. | O período em que ocorreu a crise foi longo. | A indicação de tempo exige a preposição em. |
Perguntas frequentes sobre o uso do “que” preposicionado
Posso substituir “em que” por “onde” na redação do Enem?
Apenas se o antecedente for um lugar físico concreto. Use “onde” em frases como “A cidade onde moro”, mas prefira “em que” para termos abstratos, como “A sociedade em que vivemos” ou “O contexto em que a tese se insere”.
O que é o fenômeno do “queísmo” e como evitá-lo?
O “queísmo” é o uso excessivo e vicioso da palavra “que” no texto, o que compromete o ritmo e a fluidez. Para evitá-lo, alterne o pronome “que” com variações como “o qual”, “a qual”, “cujo”, ou reestruture as orações reduzindo-as com gerúndio ou particípio.
Como descobrir rapidamente qual preposição usar antes do “que”?
Isole a oração que vem depois do “que” e identifique o verbo ou nome principal. Verifique se esse termo exige complementação com preposição (ex: “gostar de”, “atentar-se a”, “consistir em”) e posicione essa mesma preposição imediatamente antes do “que”.
Aprimore sua escrita para a nota máxima
A regência correta dos pronomes relativos exige atenção aos detalhes e constante aplicação prática. Para consolidar esse aprendizado e zerar os desvios gramaticais na Competência 1, mantenha uma rotina frequente de produção textual, testando diferentes estruturas sintáticas a cada novo tema exercitado.