A burocracia do sobrenome: Por que o nome do pai vem antes do nome da mãe?
29/11/2025 13h33 – Atualizado há 1 dia

No Brasil, é comum que o sobrenome do pai apareça antes do sobrenome da mãe, criando uma ordem que muitos consideram padrão há décadas. Mas essa regra não é obrigatória por lei — ela nasceu de tradições sociais antigas, que refletiam uma estrutura familiar patriarcal. Hoje, porém, essa prática vem sendo questionada e reinterpretada por muitas famílias que desejam equilibrar representatividade entre os dois lados.
Com a popularização de novos arranjos familiares, o debate sobre a ordem dos sobrenomes ganhou força. Muitos pais já optam por inverter a ordem, colocar apenas um dos sobrenomes ou até criar combinações diferentes entre irmãos. Mesmo assim, a lógica patriarcal permanece sendo a mais comum em documentos oficiais.
A origem da tradição: patriarcado e costume social
Durante séculos, o sobrenome paterno foi visto como o “ramo principal” da família, enquanto o materno ocupava posição secundária ou era deixado de lado. Essa tradição, criada por padrões sociais antigos, reforçava a ideia de que a linhagem do pai deveria prevalecer. Embora a legislação atual permita qualquer ordem, o hábito se manteve por força cultural e burocrática.
Além disso, muitos cartórios orientavam automaticamente o registro iniciando pelo sobrenome do pai, o que acabou reforçando essa organização. Mesmo sem ser uma regra jurídica, essa prática tornou-se tão comum que muitas famílias sequer questionavam a possibilidade de inverter os sobrenomes.
E por que isso está mudando agora?
Nos últimos anos, cada vez mais famílias passaram a discutir a ordem dos sobrenomes antes do registro. Muitos pais e mães desejam que o lado materno tenha maior visibilidade, seja por laços afetivos, por reconhecimento histórico ou por preferência estética. Assim, nomes como “Silva Almeida” e “Oliveira Santos” começam a aparecer ao contrário, com o materno vindo primeiro.
Outro fator que impulsiona essa mudança é o fortalecimento da discussão sobre igualdade de gênero. Mães que sempre tiveram seus sobrenomes apagados nas gerações anteriores agora fazem questão de colocá-lo em destaque, rompendo com padrões tradicionais. A espontaneidade dessa escolha revela que a identidade familiar está passando por uma modernização importante.
A burocracia ainda influencia essa decisão?
Embora não exista regra legal determinando a ordem dos sobrenomes, a burocracia pode influenciar a escolha. Algumas famílias preferem manter a ordem tradicional por questões de praticidade, já que documentos, cadastros e registros antigos costumam seguir o padrão paterno. Outras simplesmente mantêm o hábito por tradição.
Mas, na prática, os pais têm total liberdade para escolher. Podem colocar o sobrenome da mãe primeiro, o do pai depois, inverter entre irmãos ou até definir ordens diferentes entre os filhos — desde que ambos os responsáveis concordem.
A nova cara dos sobrenomes brasileiros
A tendência atual revela que os brasileiros estão repensando não apenas seus nomes, mas também o significado deles. A ordem dos sobrenomes está deixando de ser um reflexo automático do patriarcado e se tornando uma escolha consciente. Essa mudança valoriza a história materna e amplia o campo de possibilidades, permitindo que cada família escreva sua própria identidade nos registros.
E, ao que tudo indica, veremos cada vez mais crianças registradas com o sobrenome materno em primeiro lugar, mostrando que tradição e modernidade podem caminhar juntas na construção dos nomes brasileiros.