A crise de identidade na Adoção Tardia: Devemos ou não mudar o nome de uma criança?

Por Redação
24/01/2026 13h21 – Atualizado há 1 mês

Na adoção tardia, quando a criança já tem idade suficiente para reconhecer seu próprio nome, surge um dos dilemas mais delicados do processo: manter ou mudar o nome original.

O nome, nesse contexto, não é apenas um registro civil. Ele carrega memórias, vínculos afetivos e a forma como a criança se reconhece no mundo.

O nome como construção emocional e psicológica

Durante a infância, o nome próprio funciona como um marcador de identidade. É por meio dele que a criança se sente chamada, vista e validada.

Em casos de adoção tardia, a mudança repentina desse elemento pode gerar confusão emocional, sensação de perda e até rompimento simbólico com a própria história.

Por que a mudança de nome pode gerar crise de identidade

Quando uma criança já responde ao próprio nome, ele deixa de ser apenas uma escolha dos adultos. Passa a ser parte do seu “eu”.

Alterar esse nome sem escuta ou consentimento pode provocar sentimentos de apagamento, como se a vida anterior precisasse ser negada para que a nova comece.

Os argumentos a favor da mudança de nome

Algumas famílias optam pela mudança para marcar um recomeço, proteger a criança de traumas associados ao passado ou facilitar a integração ao novo núcleo familiar.

Em certos casos, o próprio adotado expressa desejo de mudar ou adaptar o nome, especialmente quando associa o antigo a experiências dolorosas.

O direito da criança à própria história

Especialistas em adoção e psicologia infantil destacam que preservar o nome pode ser uma forma de respeitar a trajetória da criança, reconhecendo que sua história não começa na adoção.

Alternativas como manter o nome original e acrescentar um segundo nome costumam ser vistas como soluções equilibradas.

O papel do diálogo na decisão

Não existe uma resposta única para todos os casos. A decisão deve considerar idade, maturidade emocional e, sempre que possível, a opinião da criança.

Ouvir o adotado e permitir que ele participe da escolha ajuda a fortalecer o vínculo familiar e a construção de uma identidade segura.