A extinção de “Epitácio” e “Washington”: o fim dos nomes da Primeira República
25/02/2026 15h11 – Atualizado há 1 dia

Os nomes Epitácio e Washington já foram símbolos de prestígio no Brasil. Inspirados em presidentes e figuras políticas da Primeira República Brasileira, eles representavam respeito, patriotismo e admiração por líderes nacionais. No entanto, a virada para o século XXI marcou uma queda acentuada na escolha desses nomes.
Hoje, é raro encontrar recém-nascidos chamados Epitácio ou Washington. A mudança reflete transformações culturais, sociais e até mesmo estéticas na forma como os brasileiros escolhem nomes para seus filhos.
Epitácio: um nome ligado à história política
O nome Epitácio ganhou notoriedade nacional por causa de Epitácio Pessoa, presidente do Brasil entre 1919 e 1922. Durante o início do século XX, era comum batizar crianças com nomes de presidentes e heróis políticos.
Na época, dar ao filho o nome de uma autoridade representava admiração e esperança de grandeza. O nome Epitácio, de origem grega, significa “aquele que é celebrado em discurso fúnebre”, mas no Brasil ficou associado à figura presidencial e ao prestígio político.
Com o passar das décadas, a referência histórica perdeu força e o nome passou a ser visto como antigo e pouco usual.
Washington: influência internacional e ideal republicano
O nome Washington se popularizou no Brasil por influência de George Washington, primeiro presidente dos Estados Unidos. Durante a Primeira República, nomes associados a líderes republicanos eram vistos como modernos e inspiradores.
No contexto brasileiro, Washington simbolizava progresso, democracia e alinhamento com ideais republicanos. Muitas famílias adotaram o nome como forma de homenagear valores políticos e figuras históricas.
Entretanto, com a globalização e a diversificação das referências culturais, o nome perdeu protagonismo e passou a ser menos escolhido nas novas gerações.
Por que esses nomes deixaram de ser populares?
A virada para o século XXI trouxe uma mudança significativa nas tendências de nomes no Brasil. Nomes inspirados em políticos e heróis da Primeira República deram lugar a escolhas mais curtas, internacionais ou de sonoridade moderna.
Além disso, a forte associação histórica pode tornar esses nomes excessivamente datados para muitos pais. O desejo atual costuma priorizar originalidade, leveza e identidade pessoal, em vez de homenagens políticas.
Outro fator relevante é a mudança na forma como a sociedade enxerga figuras públicas. O culto a líderes políticos deixou de influenciar tanto a escolha de nomes quanto no passado.
O que a queda de Epitácio e Washington revela sobre o Brasil?
A redução no uso de nomes como Epitácio e Washington revela transformações profundas na cultura brasileira. Os nomes refletem o espírito de uma época, e a Primeira República valorizava heróis nacionais e figuras de poder.
Hoje, o cenário é diferente. A influência vem da mídia, da cultura pop, de tendências internacionais e da busca por nomes únicos e personalizados.
Assim, a quase extinção desses nomes mostra como a identidade brasileira evoluiu ao longo do tempo, deixando para trás a tradição de homenagear presidentes e heróis políticos na escolha do nome dos filhos.