A guerra do “Ph” vs. “F” nos nomes brasileiros

Por Redação
10/03/2026 15h12 – Atualizado há 8 horas

A ortografia dos nomes próprios no Brasil sempre refletiu uma mistura de tradição, influência estrangeira e mudanças nas regras da língua portuguesa. Um dos episódios mais curiosos dessa história aconteceu após a criação do Formulário Ortográfico de 1943, que tentou simplificar a escrita no país.

Entre várias mudanças propostas, uma delas buscava eliminar o uso do “ph”, substituindo-o pela letra “f”. Assim, nomes como Philippe, Philip ou Philipe deveriam ser registrados como Filipe.

No entanto, a prática mostrou que a tradição popular nem sempre segue à risca as reformas ortográficas.

O que foi o Formulário Ortográfico de 1943

O Formulário Ortográfico de 1943 foi um conjunto de normas criado para padronizar a escrita da língua portuguesa no Brasil.

O objetivo era simplificar a ortografia, eliminando grafias consideradas antigas ou desnecessárias. Entre essas mudanças estava a substituição de combinações herdadas do grego ou do latim, como “ph”, “th” e “rh”, por letras mais simples.

Assim, palavras que antes eram escritas com “ph” passaram oficialmente a usar apenas “f”. Esse princípio também passou a influenciar a forma como alguns nomes eram registrados.

Por isso, grafias como Filipe passaram a ser consideradas a forma mais alinhada às regras ortográficas modernas.

A tradição dos nomes com “Ph”

Apesar das mudanças propostas pelas regras ortográficas, muitos brasileiros continuaram preferindo grafias tradicionais ou mais estilizadas para nomes próprios.

Assim, versões como Philipe, Phillipe ou Philip continuaram aparecendo nos registros civis.

Isso acontece porque nomes próprios não são obrigados a seguir rigidamente todas as normas ortográficas da língua portuguesa. Em muitos casos, os cartórios respeitam a escolha feita pelos pais no momento do registro.

Como resultado, ao longo das décadas surgiram diversas variações do mesmo nome dentro do país.

Por que os cartórios passaram a aceitar diferentes grafias

Com o tempo, os cartórios brasileiros passaram a adotar uma postura mais flexível em relação à grafia de nomes próprios.

Embora o sistema de registro civil tenha regras para evitar nomes ofensivos ou que causem constrangimento, há espaço para variações de escrita que refletem preferências culturais ou familiares.

Isso significa que nomes como Filipe, Felipe, Philipe e até Phillipe podem coexistir oficialmente.

Essa flexibilidade ajuda a explicar por que algumas grafias consideradas “antigas” ou “estrangeiras” continuam presentes em registros brasileiros até hoje.

A diversidade ortográfica nos nomes brasileiros

A disputa simbólica entre “Ph” e “F” ilustra bem como os nomes próprios seguem caminhos diferentes da ortografia comum.

Enquanto a língua portuguesa passou por diversas reformas para simplificar a escrita, os nomes mantiveram uma forte ligação com tradição, identidade familiar e preferências pessoais.

Por isso, mesmo décadas após o Formulário Ortográfico de 1943, ainda é possível encontrar nos registros brasileiros tanto a forma Filipe, considerada mais alinhada às regras modernas, quanto versões com “Ph”, que preservam um estilo mais clássico ou internacional.

Esse fenômeno mostra como a cultura popular e as escolhas individuais continuam tendo grande influência na forma como os nomes são escritos no Brasil.