A regra do sobrenome da mãe primeiro: por que o Brasil segue essa ordem?

Por Redação
26/02/2026 15h38 – Atualizado há 12 horas

No Brasil, é comum que o nome completo de uma pessoa traga primeiro o sobrenome da mãe e, por último, o sobrenome do pai. Esse padrão cultural, embora não seja obrigatório por lei, tornou-se tradição e está profundamente ligado à herança ibérica.

Muitos brasileiros não sabem que essa ordem não é universal. Em diversos países europeus, o costume predominante é usar apenas o sobrenome paterno ou adotar outra lógica de composição. Entender essa diferença ajuda a compreender como a formação dos nomes reflete história e cultura.

A herança portuguesa na formação dos nomes

O Brasil herdou de Portugal o modelo tradicional de composição do nome completo. Na tradição portuguesa, o uso de dois sobrenomes tornou-se comum a partir da Idade Moderna.

Nesse sistema, o sobrenome materno costuma aparecer antes do paterno, sendo o último sobrenome aquele que geralmente identifica a linhagem principal da família.

Essa estrutura foi trazida ao Brasil durante o período colonial e consolidou-se como padrão cultural ao longo dos séculos.

A lógica por trás da ordem dos sobrenomes

Colocar o sobrenome da mãe antes do sobrenome do pai não significa que ele tenha menos importância. Na prática, o último sobrenome costuma ser o mais utilizado em registros formais e identificações abreviadas.

Por exemplo, em cadastros, listas e assinaturas, muitas vezes a pessoa é chamada apenas pelo último sobrenome, que tradicionalmente é o paterno.

Assim, o modelo mantém a referência às duas famílias, mas preserva o sobrenome final como principal identificador.

A diferença em relação a outros países europeus

Em vários países da Europa, especialmente no norte do continente, a tradição histórica privilegiou apenas o sobrenome paterno.

Já no modelo ibérico — seguido por Portugal e Espanha — tornou-se comum registrar os dois sobrenomes, representando tanto a linhagem materna quanto a paterna.

Essa característica diferencia o Brasil de nações onde o sobrenome da mãe não costuma aparecer oficialmente no nome dos filhos.

O que diz a lei brasileira?

A legislação brasileira não determina uma ordem obrigatória entre os sobrenomes. Os pais podem escolher a sequência no momento do registro da criança.

No entanto, o padrão cultural consolidado ao longo do tempo faz com que a maioria das famílias mantenha o sobrenome materno primeiro e o paterno por último.

Além disso, mudanças recentes na legislação permitem maior flexibilidade na inclusão, exclusão ou alteração de sobrenomes, respeitando critérios legais.

A identidade construída pelo nome completo

O uso do sobrenome da mãe antes do paterno simboliza a valorização das duas origens familiares. Ele preserva a memória das linhagens e reforça o vínculo com ambos os lados da família.

No Brasil, o nome completo é mais do que um simples registro burocrático. Ele carrega história, tradição e identidade cultural.

Entender a regra do sobrenome da mãe primeiro ajuda a perceber como a formação dos nomes brasileiros é resultado direto da influência ibérica e da evolução social ao longo do tempo.