A Roda dos Expostos: como bebês abandonados recebiam nomes no Brasil Império
12/03/2026 14h27 – Atualizado há 9 horas

Durante o período do Brasil Império, um dos sistemas mais conhecidos para acolher recém-nascidos abandonados era a chamada Roda dos Expostos. Esse mecanismo era instalado em instituições religiosas e casas de caridade e permitia que bebês fossem deixados de forma anônima.
Essas crianças eram chamadas de “enjeitados” ou “expostos”, termos usados na época para identificar bebês que haviam sido abandonados pelos pais.
Além do acolhimento físico, surgia uma questão importante: como essas crianças receberiam seus nomes e sobrenomes, já que não havia informações sobre sua família.
O que era a Roda dos Expostos
A Roda dos Expostos era um dispositivo giratório instalado geralmente na parede externa de instituições religiosas ou hospitais de caridade.
Funcionava como um pequeno compartimento de madeira que podia ser girado para dentro do prédio. Assim, a pessoa que deixava o bebê não precisava se identificar.
Depois que a roda era girada, os responsáveis pela instituição recolhiam a criança e iniciavam os procedimentos de registro e cuidado.
Esse sistema foi bastante comum entre os séculos XVIII e XIX em várias regiões do Brasil, especialmente em grandes centros urbanos.
Como os bebês recebiam seus nomes
Quando uma criança era encontrada na Roda dos Expostos, ela precisava ser registrada oficialmente.
Como não havia informações sobre os pais, os próprios responsáveis pela instituição ou autoridades locais escolhiam o nome da criança.
Muitas vezes eram usados nomes comuns da época, nomes de santos do dia ou nomes ligados ao calendário religioso.
Essa prática ajudava a integrar a criança à sociedade, garantindo que ela tivesse um registro formal de nascimento e identidade civil.
A escolha dos sobrenomes
Além do prenome, os bebês também precisavam receber um sobrenome para completar o registro.
Em muitos casos, sobrenomes genéricos eram utilizados, como aqueles associados à própria condição da criança ou à instituição que a acolheu.
Algumas crianças recebiam sobrenomes ligados a conceitos religiosos, enquanto outras recebiam sobrenomes comuns usados pela população.
Em certos casos, também eram atribuídos sobrenomes relacionados ao local onde a criança havia sido encontrada.
O papel das instituições religiosas e de caridade
As instituições que mantinham a Roda dos Expostos tinham um papel fundamental não apenas no acolhimento das crianças, mas também na organização de seus registros.
Depois de receber um nome e sobrenome, o bebê passava a fazer parte de registros oficiais, o que permitia acompanhar sua criação, adoção ou encaminhamento para famílias ou instituições.
Esse processo era importante para garantir que a criança tivesse algum tipo de identidade formal, mesmo sem conhecer sua origem familiar.
Uma prática que marcou a história social do Brasil
A Roda dos Expostos marcou profundamente a história social do Brasil entre os séculos XVIII e XIX.
Ela representava uma tentativa de reduzir o abandono de recém-nascidos em condições ainda mais precárias, oferecendo um local seguro onde a criança poderia ser deixada.
Ao mesmo tempo, o sistema criou uma série de histórias marcantes envolvendo identidade, origem e reconstrução da vida dessas crianças.
Os nomes e sobrenomes atribuídos nesses registros se tornaram, muitas vezes, a única ligação documental dessas pessoas com o início de suas vidas.