As histórias tristes e curiosas de imigrantes que tiveram seus nomes “traduzidos”

Por Redação
03/02/2026 13h24 – Atualizado há 12 horas

Durante os séculos XIX e XX, milhares de imigrantes chegaram ao Brasil trazendo consigo nomes que soavam estranhos aos ouvidos locais.

Em muitos casos, esses nomes eram considerados difíceis de pronunciar ou registrar, o que levou à prática do aportuguesamento forçado.

Na alfândega, em cartórios ou até por iniciativa de autoridades locais, nomes eram adaptados, traduzidos ou simplesmente substituídos.

Por que os nomes eram “traduzidos” na chegada ao Brasil

A principal justificativa era a padronização dos registros civis e a dificuldade dos escrivães com línguas estrangeiras.

Além disso, havia uma forte pressão social para que os imigrantes se assimilassem rapidamente à cultura brasileira.

Ter um nome “brasileiro” facilitava o acesso ao trabalho, à escola e à vida comunitária.

Imigrantes japoneses e a perda da identidade no nome

Entre os japoneses, muitos nomes sofreram alterações profundas.

Sobrenomes longos eram simplificados e prenomes acabavam trocados por equivalentes portugueses.

Hiroshi virou Rui, Kenji passou a ser Quim, e Takeshi foi registrado como Teixeira em alguns casos extremos.

Famílias árabes e a adaptação forçada ao português

Imigrantes árabes, especialmente sírios e libaneses, também enfrentaram mudanças nos nomes.

Sobrenomes como Haddad, Abdul ou Salim eram encurtados, abrasileirados ou reinterpretados foneticamente.

Prenomes religiosos acabavam traduzidos: Youssef virava José, Mariam tornava-se Maria.

Quando o erro virou regra nos cartórios

Muitas dessas mudanças não foram escolhas dos imigrantes, mas decisões unilaterais de funcionários públicos.

Erros de grafia, escuta incorreta e preconceito linguístico moldaram gerações inteiras.

Com o tempo, o nome alterado se tornou oficial e impossível de reverter.

As consequências culturais do aportuguesamento

A alteração dos nomes representou mais do que um erro burocrático.

Ela simbolizou a perda de vínculos com a cultura de origem e o apagamento de identidades familiares.

Em muitos casos, descendentes só descobriram o nome original dos antepassados décadas depois.

O resgate histórico dos nomes de imigrantes

Hoje, pesquisadores e famílias buscam reconstruir essas histórias por meio de documentos antigos.

O interesse por genealogia ajudou a revelar como o Brasil moldou, e muitas vezes distorceu, nomes estrangeiros.

Esses relatos mostram como um simples nome pode carregar dor, adaptação e sobrevivência.

Nomes, imigração e memória no Brasil

O aportuguesamento forçado faz parte de um período em que ser diferente significava ser invisível.

Compreender essas histórias ajuda a valorizar a diversidade que formou o país.

Mais do que curiosidades, esses nomes contam capítulos esquecidos da história brasileira.