Como sobrenomes de árvores e animais serviram de esconderijo na Inquisição

Por Redação
29/01/2026 13h33 – Atualizado há 2 dias

Os cristãos-novos eram judeus convertidos ao cristianismo, muitas vezes de forma forçada, durante a Inquisição na Espanha e em Portugal.

Mesmo após a conversão, muitos continuaram sendo perseguidos, o que transformou o nome e o sobrenome em instrumentos de sobrevivência.

O sobrenome como estratégia de proteção

Para evitar suspeitas, famílias de origem judaica passaram a adotar sobrenomes comuns, ligados à natureza, animais ou elementos do cotidiano.

Esses nomes ajudavam a diluir a identidade religiosa anterior e dificultavam a identificação pelos tribunais inquisitoriais.

Por que árvores e animais eram escolhas frequentes

Sobrenomes como Carvalho, Oliveira, Pereira, Lobo e Coelho eram amplamente usados pela população cristã antiga.

Ao adotá-los, os cristãos-novos se misturavam à maioria, criando uma “camuflagem social” que reduzia o risco de denúncias.

A simbologia oculta por trás dos sobrenomes

Além da neutralidade aparente, muitos desses sobrenomes carregavam significados simbólicos ligados à tradição judaica.

Árvores podiam representar vida, continuidade e raízes, enquanto animais evocavam força, vigilância ou proteção espiritual.

A chegada desses sobrenomes ao Brasil

Com a colonização portuguesa, muitos cristãos-novos migraram para o Brasil em busca de maior liberdade religiosa e econômica.

Aqui, esses sobrenomes se espalharam e perderam, ao longo do tempo, sua associação direta com a perseguição inquisitorial.

Sobrenomes comuns, histórias invisíveis

Hoje, nomes como Carvalho, Lobo, Nogueira ou Fonseca são vistos como tipicamente portugueses e brasileiros.

Poucos imaginam que, em muitos casos, eles guardam histórias silenciosas de resistência, adaptação e sobrevivência.

A herança que permanece nos nomes atuais

Embora a maioria das famílias já não tenha consciência dessa origem, os sobrenomes continuam como vestígios históricos.

Eles lembram que, em certos períodos, o simples ato de nomear-se podia significar proteção ou condenação.