Nomes unissex (epicenos): quando o gênero do nome muda com o tempo
18/02/2026 13h41 – Atualizado há 2 dias

Os nomes unissex, também chamados de nomes epicenos, são aqueles utilizados tanto por homens quanto por mulheres. No Brasil e no mundo, esse fenômeno tem se tornado cada vez mais comum, especialmente em uma era que valoriza a neutralidade de gênero e a liberdade de identidade. No entanto, a história dos nomes unissex é muito mais antiga do que parece.
Ao longo dos séculos, muitos nomes mudaram completamente de gênero. Alguns começaram como exclusivamente masculinos e hoje são femininos, enquanto outros seguiram o caminho inverso. Essas transformações revelam como a cultura, a língua e a sociedade moldam a percepção dos nomes e seus significados.
O que são nomes epicenos e por que eles existem
Nomes epicenos são aqueles que não possuem marcação de gênero clara. Eles podem ser usados por qualquer pessoa, independentemente do sexo biológico, e geralmente apresentam sonoridade neutra ou histórica flexível.
Em muitos casos, esses nomes surgiram a partir de sobrenomes, profissões ou palavras comuns que não indicavam gênero. Com o tempo, passaram a ser adotados como nomes próprios, primeiro em um grupo específico e depois por todos. Esse processo natural explica por que tantos nomes considerados femininos hoje já foram masculinos no passado.
Nomes que nasceram masculinos e se tornaram femininos
Diversos nomes populares femininos começaram como nomes masculinos. O caso de Alison é um dos mais conhecidos: originalmente um sobrenome patronímico inglês que significava “filho de Alan”, ele era usado apenas para homens. Com o passar do tempo, principalmente no século XX, Alison passou a ser associado ao universo feminino.
Outro exemplo marcante é Ashley, que também surgiu como sobrenome e nome masculino na Inglaterra. Hoje, em muitos países, é predominantemente feminino. Esse fenômeno ocorreu principalmente devido à literatura, à televisão e ao cinema, que ajudaram a redefinir a percepção desses nomes.
Nomes que migraram do feminino para o masculino
Embora menos comum, alguns nomes fizeram o caminho inverso. Darcy, por exemplo, tem origem francesa e foi utilizado tanto por homens quanto por mulheres. A popularidade masculina aumentou com personagens literários e figuras públicas, reforçando seu uso entre meninos.
No Brasil, nomes como Ariel e Noel também demonstram flexibilidade de gênero. Em alguns contextos culturais, são vistos como masculinos; em outros, podem ser usados para ambos. Essa versatilidade revela como o gênero de um nome não é fixo, mas construído socialmente.
A influência da cultura pop e da globalização
Filmes, séries e celebridades desempenham um papel fundamental na mudança de gênero dos nomes. Quando um personagem marcante ou uma figura pública populariza um nome, ele pode rapidamente se tornar associado a um novo gênero.
A globalização também contribui para essa transformação. Com o contato entre diferentes culturas e idiomas, nomes que eram claramente masculinos em um país podem soar femininos em outro. Isso favorece o surgimento de nomes unissex e a quebra de padrões tradicionais.
A tendência dos nomes neutros no Brasil
No Brasil, os nomes unissex vêm ganhando espaço entre pais que buscam originalidade e neutralidade. Nomes como Alex, Luca, Noa e Dominique já são vistos como opções modernas e versáteis.
Essa tendência reflete uma mudança cultural mais ampla, em que a identidade pessoal não precisa ser limitada por convenções antigas. Os nomes epicenos representam liberdade de escolha, diversidade e adaptação às novas formas de entender gênero e identidade.
Quando o nome evolui junto com a sociedade
A história dos nomes unissex mostra que nenhum nome tem um gênero fixo para sempre. O que hoje é considerado masculino pode se tornar feminino amanhã, e vice-versa. Essa evolução acompanha mudanças sociais, culturais e linguísticas.
Mais do que simples palavras, os nomes refletem o tempo em que vivemos. Os nomes epicenos simbolizam uma era de maior flexibilidade e liberdade, mostrando que identidade e linguagem estão sempre em transformação.