O fenômeno dos nomes terminados em “-son” no Brasil

Por Redação
15/01/2026 15h30 – Atualizado há 17 horas

Os nomes masculinos terminados em “-son” formam um dos fenômenos mais curiosos da onomástica brasileira. Registros como Wanderson, Cleberson, Jadson, Anderson, Emerson e Robson são extremamente comuns no país e, ao mesmo tempo, pouco frequentes em outros lugares do mundo. Essa característica faz com que esses nomes sejam vistos como tipicamente brasileiros, tanto no som quanto no contexto cultural.

Mais do que uma simples moda, os nomes em “-son” refletem influências históricas, adaptações linguísticas e transformações sociais que marcaram especialmente as últimas décadas do século XX.

A origem do sufixo “-son” nos nomes próprios

O sufixo “-son” tem origem germânica e anglo-saxônica, onde significa literalmente “filho de”. Em sobrenomes ingleses tradicionais, como Johnson (“filho de John”) ou Anderson (“filho de Andrew”), ele funcionava como um marcador de descendência.

No Brasil, porém, esse sufixo passou por uma transformação importante: deixou de indicar filiação direta e passou a ser usado como elemento criativo na formação de prenomes, muitas vezes sem relação com o nome do pai.

Como o “-son” deixou de ser sobrenome e virou nome

A popularização do “-son” como final de nome próprio ocorreu principalmente entre as décadas de 1970 e 1990. Nesse período, houve uma forte valorização de nomes que soassem:

  • Modernos
  • Estrangeiros
  • Fortes e masculinos
  • Diferentes dos nomes tradicionais

Assim, nomes como Anderson, que originalmente eram sobrenomes, passaram a ser registrados como prenomes. A partir daí, surgiram variações criadas no Brasil, combinando o sufixo “-son” com outros elementos fonéticos.

Wanderson, Cleberson e Jadson: criações tipicamente brasileiras

Nomes como Wanderson, Cleberson e Jadson dificilmente aparecem em registros estrangeiros. Eles são exemplos claros de uma criatividade brasileira na formação de nomes, unindo partes de outros nomes já existentes ao sufixo “-son”.

  • Wanderson pode surgir da junção de “Wander” com “son”
  • Cleberson combina “Cleber” com o sufixo
  • Jadson surge como variação de “Jade”, “Jader” ou até “Jackson”

Essas formações não seguem regras rígidas de etimologia clássica, mas funcionam perfeitamente dentro da lógica cultural brasileira.

A influência da cultura pop e do esporte

Outro fator decisivo para a popularização dos nomes em “-son” foi a presença constante desses nomes no esporte, especialmente no futebol. Jogadores chamados Anderson, Robson, Ederson, Gerson e Jadson ajudaram a normalizar e valorizar esse padrão sonoro.

Além disso, a mídia brasileira sempre deu grande visibilidade a nomes com sonoridade marcante e fácil de memorizar, o que contribuiu para a disseminação desse estilo nos registros civis.

Por que esses nomes soam tão “brasileiros”?

Há alguns motivos claros para essa percepção:

Adaptação linguística

O português brasileiro absorveu o “-son” e o adaptou à sua própria fonética, criando nomes que fluem bem na pronúncia cotidiana.

Distanciamento da função original

Diferente do inglês, no Brasil o “-son” perdeu o significado literal de “filho de” e passou a ser apenas um marcador estético e sonoro.

Identidade geracional

Esses nomes estão fortemente associados a gerações específicas, especialmente pessoas nascidas entre os anos 1980 e 2000, o que cria um senso de identidade coletiva.

Outros nomes em “-son” muito comuns no Brasil

Além dos exemplos mais conhecidos, a lista de nomes terminados em “-son” é extensa e inclui:

  • Anderson
  • Emerson
  • Robson
  • Ederson
  • Gerson
  • Jefferson
  • Jeferson
  • Maiconson
  • Denilson
  • Alesson

Todos eles compartilham a mesma característica: são amplamente reconhecidos no Brasil, mas raros ou inexistentes em outros países.

O “-son” ainda é tendência nos registros atuais?

Atualmente, os nomes terminados em “-son” já não crescem com a mesma força de décadas passadas. No entanto, eles permanecem como um marco cultural importante, representando um período específico da história dos nomes no Brasil.

Hoje, muitos desses nomes são vistos como símbolos de uma época, assim como nomes clássicos remetem a outras gerações.

Um fenômeno linguístico e cultural brasileiro

Os nomes terminados em “-son” mostram como o brasileiro transforma influências externas em algo próprio. Wanderson, Cleberson e Jadson não são apenas nomes: são o resultado de criatividade, adaptação linguística e contexto social.

Esse fenômeno ajuda a entender por que a onomástica brasileira é tão diversa e única, misturando raízes estrangeiras com soluções genuinamente nacionais.