O “Preconceito de Currículo”: quando o nome influencia oportunidades profissionais

Por Redação
19/02/2026 13h17 – Atualizado há 3 dias

O nome de uma pessoa pode ser o primeiro elemento analisado em um currículo. Antes mesmo de avaliar formação, experiência ou habilidades, recrutadores frequentemente têm contato apenas com o nome do candidato. Esse detalhe aparentemente simples pode ativar associações culturais, sociais e até preconceitos inconscientes.

Nos últimos anos, pesquisas acadêmicas e testes de mercado evidenciaram um fenômeno conhecido como “preconceito de currículo”. Ele ocorre quando nomes considerados estrangeiros, periféricos ou associados a determinadas classes sociais são filtrados ou ignorados antes da etapa de entrevista.

O que dizem os estudos sobre discriminação por nome

Diversos estudos em sociologia e psicologia social mostram que candidatos com nomes considerados “tradicionais” ou socialmente prestigiados recebem mais respostas positivas em processos seletivos. Já nomes associados a minorias étnicas, regiões periféricas ou grafias consideradas incomuns tendem a receber menos convites para entrevistas.

Experimentos controlados com currículos idênticos enviados para vagas reais demonstraram que a única diferença — o nome do candidato — pode alterar significativamente a taxa de retorno. Em alguns casos, nomes com sonoridade estrangeira ou popular tiveram até metade das respostas em comparação com nomes mais convencionais.

Nomes estrangeiros e a percepção de status social

Nomes de origem internacional podem gerar interpretações ambíguas no mercado de trabalho. Em contextos corporativos globalizados, nomes estrangeiros sofisticados podem ser associados a prestígio e educação internacional. Porém, quando vinculados a determinados grupos migrantes ou grafias incomuns, podem sofrer discriminação.

Essa dualidade revela como o nome funciona como marcador simbólico. Ele comunica origem, classe social presumida e até estereótipos culturais, influenciando a primeira impressão antes de qualquer contato pessoal.

Nomes periféricos e estigmas sociais

No Brasil, nomes criativos, compostos ou com grafias diferenciadas também enfrentam julgamentos sociais. Muitos surgiram como expressão cultural e identidade familiar, especialmente em comunidades periféricas. No entanto, ainda são alvo de estigmas ligados a preconceito de classe.

Profissionais de recursos humanos reconhecem que o viés inconsciente pode afetar decisões iniciais. Mesmo sem intenção explícita de discriminar, o cérebro humano tende a favorecer aquilo que soa familiar ou socialmente prestigiado.

O impacto psicológico e social para quem carrega o nome

Para quem possui nomes frequentemente alvo de julgamento, o impacto pode ser emocional e profissional. Algumas pessoas optam por usar abreviações, nomes do meio ou versões adaptadas em ambientes corporativos como estratégia de neutralização de preconceitos.

Outros movimentos defendem a valorização da diversidade onomástica, reforçando que nomes representam história, cultura e identidade. O debate sobre o preconceito de currículo também tem impulsionado práticas de recrutamento mais inclusivas.

Caminhos para processos seletivos mais justos

Empresas e especialistas em diversidade têm adotado métodos para reduzir o impacto do nome na triagem inicial. Entre as estratégias estão currículos anônimos, avaliações por competências e treinamentos sobre vieses inconscientes para recrutadores.

Essas iniciativas buscam garantir que candidatos sejam avaliados por habilidades e experiências, e não por suposições baseadas em seus nomes. O objetivo é promover processos seletivos mais equitativos e alinhados com a diversidade da sociedade brasileira.

O nome como identidade e não como barreira

O debate sobre o preconceito de currículo reforça a importância de reconhecer o nome como parte da identidade individual. Em vez de funcionar como filtro social, ele deve ser compreendido como expressão cultural e pessoal.

Ao ampliar a conscientização sobre esse tema, cresce a chance de construir ambientes profissionais mais justos, onde o talento e a competência tenham prioridade sobre estereótipos associados a nomes.