O que é um sobrenome patronímico? A origem dos nomes terminados em “-es”
10/01/2026 12h00 – Atualizado há 1 dia

Os sobrenomes patronímicos estão entre os mais comuns no Brasil e em Portugal. Nomes como Rodrigues, Gomes, Fernandes e Nunes fazem parte do cotidiano de milhões de brasileiros, mas pouca gente sabe que eles carregam uma informação direta sobre a filiação familiar, indicando quem foi o pai ou o ancestral masculino de origem.
Esse tipo de sobrenome surgiu como uma forma prática de identificação em sociedades antigas, quando apenas o primeiro nome não era suficiente para diferenciar as pessoas dentro de uma mesma comunidade.
O significado de sobrenome patronímico
O termo patronímico vem do grego patēr (pai) + ónoma (nome) e significa, literalmente, “nome do pai”. Na prática, um sobrenome patronímico indica que a pessoa é “filho de” alguém.
No caso da língua portuguesa, essa relação aparece principalmente nos sobrenomes terminados em “-es”, que originalmente significavam posse ou descendência. Assim, o sobrenome funcionava quase como uma frase resumida.
O que significa o sufixo “-es” nos sobrenomes?
O sufixo “-es” tem origem no latim medieval e foi incorporado às línguas ibéricas para indicar pertencimento familiar. Em contextos históricos, ele equivalia a dizer:
- Rodrigues → filho de Rodrigo
- Fernandes → filho de Fernando
- Gomes → filho de Gomo
- Nunes → filho de Nuno
Com o tempo, esse significado literal foi se perdendo, e os sobrenomes passaram a ser herdados de forma fixa, sem alteração de geração para geração.
Como surgiram os sobrenomes patronímicos em Portugal
Durante a Idade Média, Portugal começou a organizar melhor seus registros populacionais. Como muitos homens tinham o mesmo nome, tornou-se necessário diferenciá-los. A solução mais comum foi associar o nome da pessoa ao nome do pai.
Exemplo prático:
- João, filho de Rodrigo, era chamado de João Rodrigues
- Pedro, filho de Fernando, tornava-se Pedro Fernandes
Esse sistema era simples, funcional e rapidamente se espalhou por toda a Península Ibérica.
A chegada dos sobrenomes patronímicos ao Brasil
Com a colonização portuguesa, os sobrenomes patronímicos foram trazidos ao Brasil e se tornaram a base da maioria dos nomes de família do país. Como o Brasil herdou diretamente a estrutura onomástica portuguesa, esses sobrenomes passaram a dominar os registros civis desde o período colonial.
Além disso, a fixação dos sobrenomes aconteceu cedo no Brasil, o que fez com que nomes patronímicos deixassem de variar conforme o nome do pai e passassem a ser transmitidos como herança familiar.
Exemplos de sobrenomes patronímicos mais comuns no Brasil
Entre os sobrenomes patronímicos terminados em “-es” mais frequentes no Brasil, destacam-se:
- Rodrigues
- Fernandes
- Gomes
- Nunes
- Lopes
- Alves
- Pires
- Soares
- Tavares
- Henriques
Todos eles têm origem em nomes próprios masculinos muito usados na Idade Média.
Sobrenomes patronímicos em outras culturas
Embora o “-es” seja típico do português, o sistema patronímico existe em diversas culturas, com variações linguísticas:
- Inglês: Johnson (filho de John)
- Espanhol: Hernández (filho de Hernando)
- Escandinavo: Andersen (filho de Anders)
- Russo: Ivanovich (filho de Ivan)
Isso mostra que a necessidade de indicar filiação é universal, variando apenas a forma linguística.
Por que esses sobrenomes continuam tão comuns?
A permanência dos sobrenomes patronímicos se deve a três fatores principais:
- Tradição histórica forte
- Transmissão automática entre gerações
- Facilidade de identificação familiar
Mesmo sem o significado literal ativo, esses sobrenomes continuam funcionando como marcadores de origem e identidade.
Sobrenomes patronímicos como herança cultural
Hoje, carregar um sobrenome como Rodrigues ou Gomes é carregar um fragmento da história medieval portuguesa. Esses nomes atravessaram séculos, oceanos e gerações, tornando-se parte essencial da identidade brasileira.
Mais do que simples palavras, os sobrenomes patronímicos são registros vivos da forma como as famílias se organizaram e se reconheceram ao longo do tempo.