Por que nosso cérebro acha que nomes como Bob são redondos e Kika são pontiagudos?

Por Redação
23/01/2026 13h29 – Atualizado há 3 dias

O Efeito Bouba e Kiki é um fenômeno estudado pela psicologia e pela linguística que mostra como o cérebro associa sons a formas visuais. Em testes clássicos, a maioria das pessoas liga a palavra “Bouba” a formas arredondadas e “Kiki” a formas pontiagudas.

Essa associação acontece mesmo entre pessoas de culturas e idiomas diferentes, indicando que não se trata apenas de aprendizado cultural, mas de um padrão cognitivo profundo.

A relação entre fonética e percepção

Nosso cérebro não interpreta os sons de forma neutra. Consoantes suaves, como B, M e L, e vogais abertas tendem a transmitir sensações de suavidade, volume e arredondamento.

Já consoantes explosivas ou agudas, como K, T e P, combinadas com vogais fechadas, evocam rigidez, rapidez e ângulos. Isso influencia como percebemos palavras e, naturalmente, nomes próprios.

Por que “Bob” parece redondo e “Kika” parece pontiagudo

Nomes como Bob ou Beto possuem sons bilabiais, produzidos com os lábios, que criam uma sensação de fechamento suave. O resultado é uma impressão inconsciente de algo macio, amigável e redondo.

Em contrapartida, nomes como Kika ou Tito usam sons secos e cortantes, produzidos no fundo da boca ou com a língua tensionada. Isso gera a sensação de algo afiado, energético ou pontiagudo.

O impacto do Efeito Bouba e Kiki nos nomes de pessoas

Esse efeito influencia a forma como julgamos nomes antes mesmo de conhecer alguém. Certos nomes parecem mais doces, infantis ou acolhedores, enquanto outros soam fortes, rápidos ou intensos.

No Brasil, isso pode explicar por que alguns nomes são percebidos como “meigos” e outros como “marcantes”, mesmo sem qualquer referência cultural direta.

Nomes, personalidade e expectativas sociais

Embora não determine a personalidade de alguém, o som de um nome pode influenciar expectativas sociais. Professores, recrutadores e até desconhecidos criam impressões iniciais baseadas apenas na sonoridade.

A fonética cognitiva mostra que essas associações são automáticas e inconscientes, reforçando o poder simbólico dos nomes no cotidiano.

O que a ciência diz sobre esse fenômeno

Estudos indicam que o Efeito Bouba e Kiki está ligado à forma como o cérebro integra audição e visão. Ele é observado até em crianças pequenas, antes do domínio da linguagem escrita.

Isso reforça a ideia de que a relação entre sons e significados vai muito além das palavras, influenciando também os nomes próprios.