Por que traduzimos alguns nomes próprios e outros não?
17/02/2026 13h14 – Atualizado há 18 horas

A tradução de nomes próprios na mídia segue regras linguísticas e culturais que nem sempre são explícitas para o público. Muitas pessoas se perguntam por que nomes como William, no caso de príncipes e reis europeus, costumam ser traduzidos para Guilherme, enquanto nomes de celebridades ou jornalistas permanecem no idioma original.
Essa diferença não é aleatória. Ela está ligada à tradição histórica, à função pública da pessoa e à forma como a língua portuguesa construiu seus próprios equivalentes ao longo dos séculos. Entender essas regras invisíveis ajuda a compreender como os nomes funcionam como símbolos culturais e identitários.
A tradição histórica da tradução de nomes de monarcas
Na tradição ocidental, nomes de reis, rainhas e papas costumam ser traduzidos para o idioma local. Isso acontece porque essas figuras são vistas como personagens históricos universais, inseridos em narrativas que ultrapassam fronteiras linguísticas.
Assim, William se torna Guilherme, Charles vira Carlos e Elizabeth transforma-se em Isabel em muitos contextos. Essa prática remonta à Idade Média, quando cronistas e tradutores adaptavam nomes para facilitar a compreensão e integrar essas figuras à história local de cada país.
Nomes de figuras públicas modernas não são traduzidos
Diferentemente dos monarcas, nomes de jornalistas, artistas e celebridades contemporâneas geralmente não passam por tradução. O nome é considerado parte da identidade pública e da marca pessoal do indivíduo.
Por isso, um William que atua na mídia brasileira permanece William, sem adaptação. Traduzir nomes de pessoas vivas ou de atuação contemporânea poderia gerar confusão, perda de reconhecimento e até problemas de identidade profissional.
O papel da mídia e do jornalismo na padronização
Veículos de comunicação seguem manuais de redação que orientam quando traduzir nomes e quando mantê-los no original. Em geral, a regra é clara: nomes históricos e monárquicos podem ser traduzidos; nomes de pessoas contemporâneas devem permanecer como registrados oficialmente.
Essa padronização garante consistência e evita ambiguidades. Além disso, a globalização e a internet reforçaram o uso de nomes originais, já que o público tem acesso direto a conteúdos internacionais e reconhece as grafias originais.
Tradução de nomes e percepção cultural
Traduzir ou não um nome próprio também influencia a forma como percebemos a pessoa. Um nome traduzido aproxima a figura histórica do público local, enquanto um nome mantido no original reforça sua identidade individual e global.
No Brasil, essa dualidade é comum e revela como a língua portuguesa equilibra tradição e modernidade. A escolha entre traduzir ou manter um nome não é apenas linguística, mas também cultural e simbólica.
O futuro da tradução de nomes próprios
Com a globalização e a crescente circulação de informações, a tendência é que cada vez menos nomes sejam traduzidos. Ainda assim, nomes de reis, papas e personagens históricos devem continuar sendo adaptados por força da tradição.
Compreender essas regras invisíveis ajuda a entender por que alguns nomes mudam de idioma enquanto outros permanecem intactos. No fim, a tradução de nomes próprios é um reflexo direto da história, da cultura e da identidade de cada sociedade.