“Esculpido e encarnado” ou “cuspido e escarrado”?
24/01/2026 08h27 – Atualizado há 1 mês

A expressão correta é “cuspido e escarrado”, usada para indicar grande semelhança entre duas pessoas.
A forma “esculpido e encarnado” é um caso clássico de deturpação popular, criada a partir da tentativa de dar lógica a uma expressão antiga.
O significado de “cuspido e escarrado”
“Cuspido e escarrado” significa “idêntico”, “igualzinho” ou “muito parecido”, especialmente em relação à aparência física.
É comum ouvir a expressão para comparar filhos com pais ou parentes próximos.
A origem da expressão
A origem está ligada ao verbo “cuspir” e ao ato de “escarrar”, ambos associados à ideia de algo que sai diretamente de alguém.
A metáfora sugere que a pessoa é tão parecida que parece ter sido literalmente “expelida” da outra.
Por que soa estranha para muitos falantes
Com o tempo, os termos “cuspido” e “escarrado” passaram a causar desconforto por sua carga semântica forte.
Isso levou muitos falantes a substituir a expressão por uma versão mais “elegante” e aceitável socialmente.
De onde vem “esculpido e encarnado”
“Esculpido e encarnado” surgiu como uma adaptação equivocada, baseada na sonoridade da expressão original.
Apesar de fazer sentido literal, essa forma não tem respaldo histórico nem registro como expressão consagrada.
O que dizem os dicionários
Os dicionários e registros linguísticos reconhecem apenas “cuspido e escarrado” como a forma correta.
“Esculpido e encarnado” é classificada como variação popular incorreta.
Casos semelhantes na língua portuguesa
Esse tipo de alteração é chamado de etimologia popular, quando o falante modifica uma expressão para torná-la mais lógica ou agradável.
Outras expressões do português também passaram por processos semelhantes ao longo do tempo.
Uso atual da expressão
Apesar do estranhamento, “cuspido e escarrado” continua sendo amplamente usada na fala cotidiana.
Ela mantém seu valor expressivo e comunicativo, mesmo com tentativas de suavização.
O que esse caso revela sobre a língua
A oposição entre as duas formas mostra como a língua é viva e sofre constantes adaptações.
Ao mesmo tempo, evidencia a importância de conhecer a origem das expressões para usá-las corretamente.