Onde a coruja dorme: Qual a origem da expressão popular do futebol?

Por Redação
26/02/2026 10h33 – Atualizado há 8 horas

Você já ouviu um narrador de futebol dizer que a bola foi “onde a coruja dorme”? A expressão é tradicional nas transmissões esportivas e descreve um dos lances mais difíceis para qualquer goleiro defender: a bola que acerta o ângulo da trave.

Mas como essa frase saiu da linguagem técnica dos locutores e passou a fazer parte do vocabulário popular?

O que significa “onde a coruja dorme”?

No futebol, “onde a coruja dorme” é o ponto exato no encontro entre a trave e o travessão — o famoso ângulo.

É considerado o local mais difícil para defesa, porque combina altura e lateralidade extremas, exigindo reflexo e impulsão quase perfeitos do goleiro.

Quando o narrador afirma que o chute foi “onde a coruja dorme”, ele está dizendo que a bola foi no canto mais inacessível do gol.

Por que justamente uma coruja?

A imagem da coruja está ligada à ideia de um local alto, escondido e de difícil acesso.

Corujas costumam dormir empoleiradas em pontos elevados, discretos e protegidos. O ângulo da trave, visualmente, lembra esse tipo de lugar: pequeno, alto e quase inalcançável.

Assim, a metáfora se consolidou como uma forma criativa e poética de descrever um chute perfeito.

A origem nas transmissões esportivas

A expressão ganhou força nas transmissões radiofônicas de futebol, especialmente nas décadas de 1950 e 1960.

Locutores esportivos brasileiros tinham como marca registrada o uso de metáforas, hipérboles e imagens vívidas para compensar a ausência de imagem no rádio.

Dizer simplesmente “foi no ângulo” era menos impactante do que afirmar que a bola foi “onde a coruja dorme”.

Essa criatividade ajudava o ouvinte a visualizar o lance com mais intensidade.

Da narração ao vocabulário popular

Com o tempo, a expressão ultrapassou o campo esportivo.

Hoje, “acertar onde a coruja dorme” pode significar acertar exatamente no ponto mais difícil, mais preciso ou mais improvável.

Exemplos de uso fora do futebol:

  • “Ele respondeu a pergunta onde a coruja dorme.”
  • “O argumento foi direto onde a coruja dorme.”
  • “A piada acertou onde a coruja dorme.”

Nesses casos, o sentido figurado mantém a ideia de precisão extrema.

Linguagem esportiva e criatividade lexical

O futebol é uma das maiores fontes de expressões idiomáticas no português brasileiro.

Termos como “bola nas costas”, “virar o jogo” e “pisar na bola” também saíram do campo e ganharam novos significados no cotidiano.

“Onde a coruja dorme” é um exemplo claro de como a linguagem técnica e metafórica das transmissões esportivas influencia o vocabulário popular.

Por que a expressão continua viva?

A força da expressão está na imagem mental que ela cria.

Mesmo quem nunca jogou futebol entende intuitivamente que se trata de um ponto difícil, alto e quase impossível de alcançar.

Além disso, a frase carrega ritmo, sonoridade e impacto, características que ajudam a fixá-la na memória coletiva.

A língua portuguesa, especialmente no Brasil, valoriza esse tipo de construção expressiva e imagética.

Conclusão

“Onde a coruja dorme” nasceu da criatividade dos locutores de futebol para descrever o ângulo da trave, o ponto mais difícil do gol.

Com o tempo, a expressão se expandiu e passou a significar precisão máxima ou acerto em um ponto crítico.

Mais do que um jargão esportivo, a frase é prova de como o futebol molda a cultura e enriquece o vocabulário do dia a dia.