Onde Judas perdeu as botas: O que significa essa expressão popular?

Por Redação
31/01/2026 08h23 – Atualizado há 2 dias

A expressão “onde Judas perdeu as botas” é usada no português brasileiro para indicar um lugar muito distante, difícil de acessar ou praticamente esquecido. Quando alguém diz que algo fica “onde Judas perdeu as botas”, a ideia transmitida é a de isolamento extremo, quase fora do mapa.

Esse modo de falar é comum em conversas informais e atravessa gerações, mantendo viva uma imagem exagerada e bem-humorada de distância, abandono e dificuldade de chegar a determinado local.

A origem bíblica da expressão

A origem da expressão está ligada à figura bíblica de Judas Iscariotes, o apóstolo que traiu Jesus. Segundo a tradição cristã, após a traição, Judas teria sido tomado pelo remorso e acabou morrendo de forma trágica, afastado da convivência humana e da salvação espiritual.

Com o passar do tempo, o imaginário popular passou a associar Judas a um lugar distante, maldito ou esquecido, um ponto tão remoto que nem seus pertences, como as famosas “botas”, teriam sido recuperados. Assim, o local onde Judas teria perdido as botas simboliza um espaço fora do alcance, longe de tudo e de todos.

Por que “botas” aparecem na expressão

O uso da palavra “botas” não tem base direta em nenhum texto bíblico. Trata-se de um elemento criado pela oralidade popular para reforçar a imagem de abandono. As botas representam algo pessoal, cotidiano e indispensável para caminhar, o que intensifica a ideia de perda em um lugar remoto.

Ao imaginar Judas perdendo até as botas, o falante sugere que o local é tão distante ou inóspito que nem mesmo alguém conseguiria voltar para buscá-las. Esse detalhe torna a expressão mais visual e fácil de memorizar.

O sentido figurado na língua portuguesa

Com o tempo, a expressão se desvinculou do contexto religioso e passou a funcionar apenas no sentido figurado. Hoje, ninguém usa “onde Judas perdeu as botas” pensando literalmente em Judas ou na Bíblia, mas sim como sinônimo de “longe demais”, “no fim do mundo” ou “num lugar esquecido”.

Esse tipo de transformação é comum na língua portuguesa, que reaproveita referências históricas e religiosas para criar expressões coloquiais com novos significados.

Variações engraçadas da expressão

Assim como muitas expressões populares, “onde Judas perdeu as botas” ganhou variações criativas ao longo do tempo. Frases como “onde Judas perdeu as meias”, “onde Judas perdeu a sandália” ou “onde Judas perdeu o rumo” aparecem como adaptações humorísticas em diferentes regiões do Brasil.

Essas variações mantêm a ideia central de distância extrema, mas acrescentam leveza e informalidade à fala, mostrando como a língua é viva e se molda ao contexto cultural de quem a utiliza.

Por que essa expressão continua tão popular

A longevidade de “onde Judas perdeu as botas” está ligada à sua força imagética. Ela cria uma cena fácil de imaginar, exagerada e divertida, o que facilita sua transmissão oral e seu uso cotidiano.

Além disso, a expressão cumpre bem sua função comunicativa: em poucas palavras, transmite a noção de algo muito longe, sem necessidade de explicações longas ou descrições detalhadas.

O valor cultural das expressões populares

Expressões como essa revelam como a língua portuguesa mistura religião, história e criatividade popular. Mesmo quem não conhece a origem bíblica compreende perfeitamente o significado pelo contexto.

Isso mostra que a língua não é feita apenas de regras gramaticais, mas também de memória coletiva, humor e tradição oral, elementos que ajudam a explicar por que certas frases atravessam séculos sem perder o sentido.