Por que “Dor de Cotovelo” significa ciúmes ou tristeza?
21/02/2026 08h33 – Atualizado há 5 dias

A expressão “dor de cotovelo” é uma das mais populares da língua portuguesa quando o assunto é sofrimento amoroso, ciúmes ou decepção sentimental. Muito usada no Brasil, ela aparece em músicas, conversas informais e textos literários para descrever o estado emocional de alguém que está sofrendo por amor ou ressentido por um relacionamento.
Apesar de parecer apenas uma metáfora criativa, a origem da expressão tem uma explicação curiosa e até física. O termo surgiu a partir de um comportamento comum em bares e ambientes boêmios, onde pessoas desiludidas costumavam apoiar os cotovelos na mesa e a cabeça nas mãos enquanto lamentavam suas frustrações amorosas.
A origem física da expressão “dor de cotovelo”
A explicação mais aceita para a origem da expressão está ligada à postura corporal de quem passa muito tempo apoiado sobre os cotovelos. Em bares e cafés, especialmente no início do século XX, era comum ver pessoas sentadas por longos períodos nessa posição enquanto conversavam, bebiam e refletiam sobre problemas pessoais.
Quem sofria por amor ou estava com ciúmes de alguém costumava permanecer horas nessa postura melancólica, com a cabeça sustentada pelas mãos e os cotovelos pressionados contra a mesa. Com o tempo, essa posição causava desconforto físico real, gerando dores na região do cotovelo.
Assim, a expressão “dor de cotovelo” passou a ser usada de forma metafórica para descrever não apenas a dor física causada pela postura, mas principalmente a dor emocional associada à frustração amorosa e ao sofrimento sentimental.
O significado figurado na língua portuguesa
Na linguagem figurada, “dor de cotovelo” significa tristeza profunda, ressentimento amoroso ou ciúmes. A expressão é frequentemente utilizada para se referir a alguém que não superou um relacionamento, que sente inveja da felicidade de outra pessoa ou que lamenta uma rejeição.
O termo se popularizou na cultura brasileira e ganhou força principalmente na música popular. Letras de samba, sertanejo e outros gêneros passaram a usar a expressão para retratar o sofrimento amoroso de forma bem-humorada ou dramática, consolidando seu uso no vocabulário cotidiano.
Com o tempo, o significado se ampliou e hoje pode ser aplicado a diversas situações de frustração emocional, não apenas romântica. Ainda assim, o uso mais comum continua associado ao amor não correspondido e ao ciúme.
A relação entre corpo e emoção na linguagem
A expressão “dor de cotovelo” é um exemplo claro de como a língua portuguesa utiliza metáforas corporais para expressar emoções. Assim como “coração partido”, “frio na barriga” ou “peso nos ombros”, o idioma transforma sensações físicas em imagens que ajudam a comunicar sentimentos complexos.
Esse tipo de construção linguística aproxima a linguagem da experiência cotidiana, tornando as expressões mais fáceis de entender e memorizar. Ao relacionar a dor emocional à dor física do cotovelo apoiado por horas, a expressão cria uma imagem concreta que representa o sofrimento interno.
Esse recurso metafórico é comum em várias línguas e demonstra como a linguagem evolui a partir de comportamentos sociais e culturais compartilhados.
Por que a expressão ainda é tão usada hoje
Mesmo com mudanças nos hábitos sociais e no modo de se relacionar, a expressão “dor de cotovelo” continua atual e amplamente utilizada. Ela permanece viva no vocabulário popular porque descreve de forma simples e eficaz um sentimento universal: o sofrimento emocional causado por amor, rejeição ou ciúme.
Além disso, o tom levemente bem-humorado da expressão permite que as pessoas falem sobre tristeza e frustração de maneira mais leve, sem perder a intensidade do sentimento. Isso contribui para sua permanência na linguagem cotidiana.
A expressão também segue presente em músicas, memes e redes sociais, o que reforça sua relevância cultural e linguística. Assim, “dor de cotovelo” permanece como um exemplo marcante de como a língua portuguesa transforma experiências físicas e emocionais em imagens expressivas e duradouras.