“Segurar vela”: O que significa essa expressão tão popular?
07/02/2026 08h36 – Atualizado há 3 dias

A expressão “segurar vela” é usada no português para descrever a situação constrangedora de alguém que acompanha um casal apaixonado, mas fica deslocado, sobrando na cena. Em geral, o termo aparece em contextos informais, associado a encontros românticos em que uma terceira pessoa não tem função clara além de estar presente.
Com o tempo, a expressão ganhou um tom bem-humorado e irônico, sendo usada tanto para situações amorosas quanto para qualquer cenário em que alguém se sente excluído ou inútil diante da intimidade alheia. Apesar do uso leve hoje, a origem do termo é muito mais literal — e curiosa.
A origem medieval de “segurar vela”
A explicação mais difundida para a origem de “segurar vela” remonta à Idade Média, quando a iluminação artificial era extremamente limitada. Velas eram artigos essenciais e caros, usadas apenas quando necessário, inclusive nos aposentos dos nobres.
Na ausência de castiçais adequados ou iluminação fixa, era comum que criados fossem encarregados de segurar velas para iluminar ambientes internos. Em situações específicas, esses serviçais permaneciam ao lado da cama do casal nobre, literalmente segurando a vela enquanto os senhores conversavam ou mantinham relações íntimas.
O papel constrangedor dos criados
Para o criado, a tarefa era puramente funcional: iluminar o ambiente e permanecer imóvel até ser dispensado. No entanto, do ponto de vista simbólico, tratava-se de uma posição extremamente desconfortável, já que o servo estava presente em um momento íntimo sem participar dele de forma alguma.
Essa presença silenciosa, obrigatória e deslocada acabou se tornando uma metáfora perfeita para descrever qualquer pessoa que assiste a uma situação de intimidade sem fazer parte dela. Assim, o ato literal de segurar uma vela ganhou significado figurado ao longo dos séculos.
Da literalidade ao sentido figurado
Com o passar do tempo e o fim desse tipo de costume, a expressão deixou de ter relação direta com o ambiente doméstico medieval. Ainda assim, o sentido simbólico permaneceu vivo na língua, sendo transmitido oralmente de geração em geração.
Hoje, “segurar vela” não carrega mais o peso histórico de sua origem, mas mantém a ideia central de alguém que está sobrando, observando algo do qual não participa. O desconforto social do criado medieval foi ressignificado como constrangimento emocional ou social.
Por que a expressão sobrevive até hoje?
A longevidade de “segurar vela” se explica pela força da imagem que ela cria. Mesmo sem conhecer sua origem, qualquer falante compreende rapidamente a sensação de exclusão e inutilidade que a expressão transmite.
Além disso, o termo se adaptou bem à linguagem moderna, sendo usado em conversas informais, memes e até produções audiovisuais. Isso mostra como expressões antigas conseguem atravessar séculos quando descrevem situações humanas universais.
“Segurar vela” como exemplo da riqueza da língua portuguesa
Expressões como “segurar vela” revelam como a língua portuguesa é profundamente influenciada por costumes históricos e sociais. Muitas frases comuns no dia a dia carregam histórias curiosas que ajudam a entender melhor o passado e a evolução da linguagem.
Conhecer essas origens não apenas enriquece o vocabulário, mas também amplia a percepção cultural sobre o que dizemos automaticamente. No caso de “segurar vela”, uma simples brincadeira linguística guarda uma cena bastante literal da vida medieval.