Uso dos pronomes possessivos e o risco de ambiguidade: saiba como evitar o duplo sentido

Por Redação
18/07/2026 09h02 – Atualizado há 3 dias

A ambiguidade provocada pelo uso inadequado dos pronomes possessivos de terceira pessoa — “seu” e “sua” — é um dos desvios mais recorrentes e penalizados nas redações de vestibulares e concursos. A nossa equipe pedagógica, responsável pela avaliação minuciosa de milhares de produções textuais de alto rendimento, aponta que a falta de clareza na referência pronominal compromete gravemente a coerência do texto. Quando o leitor precisa reler a frase para deduzir a quem pertence determinado objeto ou ação, a fluidez da leitura é interrompida, resultando na perda imediata de pontos nos critérios de coesão e coerência das bancas examinadoras.

O duplo sentido ocorre porque os possessivos “seu” e “sua” podem fazer referência tanto à pessoa com quem se fala (segunda pessoa do discurso) quanto à pessoa de quem se fala (terceira pessoa). Em contextos dissertativos, onde a precisão vocabular e a clareza argumentativa são exigências fundamentais, esse tipo de imprecisão enfraquece a autoridade do escritor. Demonstrar domínio sobre os mecanismos de substituição e reestruturação frasal é o caminho mais seguro para garantir uma escrita limpa, precisa e livre de ruídos de comunicação.

Para eliminar definitivamente o risco de ambiguidade nos seus textos, é fundamental compreender a mecânica de atração desses pronomes e aprender a aplicar estratégias práticas de reformulação sintática. A seguir, apresentamos as soluções gramaticais mais eficazes para evitar o duplo sentido em suas construções oracionais.

O mecanismo da ambiguidade pronominal

A ambiguidade com possessivos surge quando há mais de um elemento na oração que pode figurar legitimamente como o “possuidor” de algo. O pronome acaba orbitando entre esses dois referentes, deixando o sentido da frase suspenso.

Considere o seguinte exemplo clássico de desvio de clareza: “O professor disse ao aluno que sua nota era excelente.” De quem era a nota? Do professor ou do aluno?

Para solucionar esse impasse e restabelecer a precisão exigida pela norma-padrão da língua portuguesa, existem três recursos sintáticos fundamentais:

  • Substituição por formas dele/dela: Trocar o pronome possessivo pelas contrações de preposição com pronome pessoal (“dele”, “dela”, “deles”, “delas”), posicionando-as imediatamente após o substantivo possuído.
  • Uso do pronome próprio ou mesmo: Empregar termos reforçativos como “próprio” ou “mesmo” para deixar clara a referência ao sujeito da ação.
  • Reorganização da estrutura da frase: Alterar a ordem dos termos na oração ou transformar o discurso indireto em direto para isolar os referentes.

Estratégias práticas de reformulação textual

Para consolidar esses conceitos na sua rotina de escrita, acompanhe como reestruturar períodos ambíguos para adequá-los às exigências de clareza das bancas mais rigorosas do país.

✅ Construção clara e precisa (Norma-padrão)❌ Construção ambígua (Risco de perda de pontos)
O diretor comunicou ao secretário que a decisão dele estava mantida.O diretor comunicou ao secretário que a sua decisão estava mantida.
O deputado defendeu o projeto de lei focado no próprio desenvolvimento regional.O deputado defendeu o projeto de lei focado no seu desenvolvimento regional.
A médica explicou à paciente as reações decorrentes do tratamento desta última.A médica explicou à paciente as reações decorrentes do seu tratamento.
O pesquisador apresentou o orientando e destacou as qualidades científicas dele.O pesquisador apresentou o orientando e destacou as suas qualidades científicas.

Perguntas frequentes sobre ambiguidade com possessivos

Por que o uso de “seu” e “sua” gera tanta ambiguidade na terceira pessoa?

Isso ocorre porque “seu” e “sua” concordam em gênero e número com a coisa possuída, mas a referência de posse aponta para o sujeito. Quando há dois referentes de terceira pessoa na mesma frase, o pronome pode se ligar gramaticalmente a qualquer um deles, gerando o duplo sentido.

Substituir “seu” por “dele” é considerado um erro gramatical?

Não, a substituição é perfeitamente correta e recomendada pela norma culta para desfazer ambiguidades. A palavra “dele” (de + ele) atua como um adjunto adnominal de posse e localiza com precisão milimétrica quem é o possuidor da coisa ou da ideia mencionada.

Como evitar a ambiguidade sem usar “dele” ou “dela”?

Você pode reestruturar a frase utilizando pronomes demonstrativos como “este” ou “aquele”, que se referem, respectivamente, ao termo mais próximo e ao mais distante no texto. Outra opção eficiente é repetir o substantivo ou transformar a oração em discurso direto.

Desenvolva sua escrita através do treino constante

A eliminação de vícios de linguagem e ambiguidades estruturais só se torna um processo natural quando você sai da teoria e entra no campo da prática. Escrever com clareza exige treino e revisão minuciosa de cada período construído.

O hábito de produzir redações semanalmente e analisar criticamente o papel de cada pronome no texto é o método mais eficaz para lapidar seu estilo. Dedique tempo ao seu cronograma de escrita, teste as substituições propostas neste artigo e garanta que sua mensagem seja transmitida com total precisão e sem margem para duplas interpretações.