“Aluga-se casas” ou “Alugam-se casas”? Onde está o erro mais comum
05/02/2026 10h38 – Atualizado há 2 dias

A dúvida entre “aluga-se casas” e “alugam-se casas” é uma das mais frequentes em provas de concursos e testes de português. À primeira vista, a forma no singular parece natural, já que o verbo vem antes do substantivo. No entanto, é justamente aí que mora o erro que elimina muitos candidatos.
Para resolver essa questão, é essencial entender como funciona a chamada voz passiva sintética, uma construção típica da língua portuguesa que exige atenção especial à concordância verbal.
O que é a voz passiva sintética
A voz passiva sintética ocorre quando o verbo vem acompanhado do pronome “se”, que funciona como partícula apassivadora. Nesse tipo de estrutura, o sujeito não pratica a ação, mas a recebe, mesmo que apareça depois do verbo.
Em frases como “alugam-se casas”, o verbo “alugar” está na voz passiva, e “casas” é o sujeito paciente da ação. Por isso, o verbo precisa concordar com esse sujeito, ainda que ele venha depois.
Por que “aluga-se casas” está errado
Na frase “aluga-se casas”, o erro está na falta de concordância verbal. O substantivo “casas” está no plural e exerce a função de sujeito da oração, mesmo estando posicionado após o verbo.
Se transformarmos a frase para a voz passiva analítica, o erro fica mais evidente. O correto seria dizer “casas são alugadas”, e não “casas é alugada”. Essa transformação ajuda a enxergar por que o verbo deve ir para o plural.
A forma correta: “alugam-se casas”
A forma gramaticalmente correta é “alugam-se casas”, pois o verbo deve concordar com o sujeito “casas”. O pronome “se”, nesse caso, não é sujeito, mas apenas indica que a frase está na voz passiva.
Esse mesmo raciocínio vale para outras construções semelhantes, como “vendem-se carros”, “procuram-se funcionários” e “oferecem-se vagas”. Sempre que o substantivo for plural, o verbo também deve estar no plural.
Quando o verbo pode ficar no singular
O verbo só permanece no singular quando o substantivo que o acompanha também está no singular. Em “aluga-se casa”, a concordância está correta porque o sujeito “casa” está no singular.
É importante não confundir a voz passiva sintética com construções em que o “se” funciona como índice de indeterminação do sujeito. Nesses casos, o verbo realmente fica no singular, mas não é isso que ocorre em anúncios como os de aluguel.
Por que essa regra derruba candidatos em concursos
Em provas, essa regra costuma aparecer em frases aparentemente simples, justamente para testar a capacidade de análise sintática do candidato. Muitos erram por considerar “casas” apenas um complemento, quando, na verdade, ele é o sujeito da frase.
Bancas examinadoras exploram essa confusão porque ela envolve interpretação, e não apenas memorização. Entender a função do “se” e identificar corretamente o sujeito é fundamental para não cair nessa armadilha clássica.
Como não errar mais esse tipo de concordância
Uma forma prática de evitar o erro é tentar reescrever mentalmente a frase na voz passiva analítica. Se o verbo “ser” ficar no plural, o verbo da frase original também deve ficar.
Outra dica é lembrar que, em anúncios, placas e comunicados formais, a concordância segue a norma-padrão. Mesmo que o uso incorreto seja comum na fala cotidiana, ele não é aceito em contextos formais e em concursos.