Coesão por elipse: a omissão de termos que evita repetições e eleva a nota da sua redação

Por Redação
15/07/2026 00h38 – Atualizado há 3 horas

A busca pela nota máxima na competência de coesão textual em exames como o Enem e vestibulares tradicionais exige muito mais do que o uso correto de conectivos. Embora o repertório de conjunções seja essencial, a verdadeira sofisticação de um texto dissertativo-argumentativo se revela na capacidade de manter a fluidez da leitura sem cansar o corretor. É nesse cenário que a coesão por elipse se destaca como um dos recursos mais refinados da língua portuguesa.

Muitos candidatos acreditam que, para manter o texto coeso, é necessário repetir exaustivamente o sujeito da ação ou utilizar pronomes e sinônimos a cada nova oração. Essa prática satura a leitura e demonstra pouca maturidade sintática. A elipse — que consiste na omissão voluntária e planejada de um termo facilmente identificável pelo contexto — funciona como uma ferramenta de limpeza textual, garantindo que o leitor mantenha o foco no argumento, e não na repetição de palavras.

Dominar essa técnica de omissão estratégica é um divisor de águas na avaliação da sua microestrutura textual. Ao longo deste guia técnico, você vai compreender a diferença prática entre a elipse e o zeugma, como aplicar esse recurso de forma segura em diferentes partes do seu texto e como as principais bancas examinadoras avaliam a harmonia coesiva da redação.

O que é a elipse e como ela se diferencia do zeugma?

Para aplicar o recurso com segurança, é fundamental compreender a distinção clássica entre a elipse e a sua variação mais famosa, o zeugma. Ambas são figuras de linguagem baseadas na omissão, mas atuam de maneiras ligeiramente diferentes na construção da frase:

  • Elipse: Ocorre quando omitimos um termo que ainda não foi mencionado no texto, mas que pode ser facilmente deduzido pelo contexto linguístico, pela desinência verbal ou pela situação (exemplo: “[Nós] Esperamos que o governo tome medidas urgentes”).
  • Zeugma: É uma forma específica de elipse que ocorre quando omitimos um termo que já foi expresso anteriormente na mesma estrutura, evitando a sua repetição direta (exemplo: “O setor privado investe em tecnologia; o setor público, [investe] em infraestrutura”).

Ambos os recursos eliminam o excesso de carga informacional repetitiva, tornando a leitura ágil e permitindo que você aproveite melhor o limite de linhas da sua folha de redação para aprofundar os seus argumentos.

Aplicação prática: eliminando a redundância textual

A melhor maneira de entender o impacto da elipse é analisar a reescrita de trechos comuns de redações. A substituição do excesso de pronomes ou substantivos repetidos pela omissão planejada transforma a estrutura do parágrafo, conferindo maturidade ao estilo de escrita.

Estrutura com Excesso de Termos (❌)Estrutura Otimizada com Elipse/Zeugma (✅)
O Estado deve garantir a segurança de todos, pois o Estado é o responsável constitucional por esse setor.O Estado deve garantir a segurança de todos, pois [omissão do sujeito] é o responsável constitucional por esse setor.
Os estudantes exigem melhorias na infraestrutura e os estudantes também demandam novos materiais de estudo.Os estudantes exigem melhorias na infraestrutura e [omissão do sujeito] também demandam novos materiais de estudo.
A Constituição Federal assegura o direito à saúde e a Constituição Federal também protege o direito à educação.A Constituição Federal assegura o direito à saúde e [omissão do sujeito] também o direito à educação.
Alguns deputados votaram a favor do projeto de lei, mas outros deputados votaram contra o projeto de lei.Alguns deputados votaram a favor do projeto de lei; outros, contra [omissão do verbo e do objeto].

Perguntas frequentes sobre coesão por elipse

A elipse pode deixar o texto confuso ou ambíguo para o corretor?

A elipse só prejudica o texto se o termo ocultado não puder ser recuperado de forma imediata pelo contexto. Se o leitor precisar reler o parágrafo para identificar quem realiza a ação do verbo, a elipse foi mal construída. O segredo é garantir que a desinência do verbo ou a estrutura da frase anterior aponte com clareza para o termo omitido.

Qual é o impacto direto da elipse na avaliação da Competência 4 do Enem?

A elipse demonstra ao avaliador que você possui um repertório diversificado de recursos coesivos além dos conectivos tradicionais. As bancas examinadoras penalizam a repetição excessiva de palavras. Ao utilizar a omissão estratégica, você prova controle sobre a estrutura sintática, o que eleva a sua pontuação nos critérios de coesão e coerência.

Posso utilizar a elipse logo na introdução do meu texto?

Sim, desde que o referente já tenha sido apresentado de forma clara na tese ou na contextualização. Omitir o sujeito logo na primeira frase do texto sem que ele tenha sido mencionado pode gerar incoerência e estranheza na leitura, por isso prefira usar o recurso a partir do desenvolvimento da sua argumentação.

Exercite a fluidez do seu texto

A teoria gramatical serve como alicerce, mas a precisão estilística só é alcançada por meio da prática contínua da escrita e da autocrítica. Escrever redações semanalmente e revisar os próprios parágrafos com o objetivo específico de identificar e eliminar palavras repetidas é o melhor caminho para dominar a elipse.

Ao produzir o seu próximo rascunho, faça o exercício de ler o texto em voz alta. Sempre que notar um excesso de “ele”, “ela”, “o governo” ou termos sinônimos que travam o ritmo da leitura, experimente simplesmente retirá-los e ajustar a concordância verbal. O treino constante dessa percepção transformará a qualidade do seu texto e garantirá uma avaliação impecável dos corretores.