Como fazer concordância com expressões partitivas na redação

Por Redação
30/05/2026 09h02 – Atualizado há 2 dias

As expressões partitivas — como “a maioria de”, “grande parte de”, “uma porção de” ou “a metade de” — estão entre as principais armadilhas de coesão e gramática na redação do Enem e de vestibulares tradicionais. Por envolverem um termo singular que indica coletividade seguido de um complemento no plural, muitos estudantes travam na hora de flexionar o verbo. O receio de cometer um erro de concordância verbal faz com que muitos candidatos gastem tempo precioso reformulando frases ou recorrendo a sinônimos menos precisos.

Para quem busca a nota máxima na Competência 1 do Enem, dominar essa regra é um diferencial estratégico essencial. A análise de milhares de textos de alta performance demonstra que a banca examinadora valoriza a variedade de estruturas sintáticas, desde que aplicadas com precisão. O desvio na concordância com coletivos partitivos desestabiliza a fluidez da leitura e retira pontos preciosos que separam o candidato da nota mil, evidenciando a necessidade de segurança gramatical no rascunho.

A boa notícia para os estudantes é que a norma culta da língua portuguesa adota uma postura flexível e oferece duas formas de concordância perfeitamente aceitas para esses casos. Compreender a lógica por trás de cada uma das construções elimina o fantasma do erro, confere ritmo à sua argumentação e expande o repertório linguístico necessário para a construção de um texto fluido e maduro.

As duas formas de concordância aceitas pela norma culta

Quando a frase apresenta uma expressão partitiva seguida de um substantivo ou pronome no plural, o redator pode optar por dois caminhos distintos para realizar a concordância do verbo. Ambos são considerados corretos pelos manuais de correção dos principais vestibulares do país.

Concordância gramatical (com o núcleo no singular)

Nesta opção, o verbo concorda estritamente com o núcleo da expressão partitiva, que se encontra no singular. É a escolha mais formal e enfatiza a ideia do conjunto como uma unidade indivisível. Se você escrever “A maioria dos jovens votou“, o verbo conecta-se diretamente com o termo singular “maioria”.

Concordância atrativa (com o especificador no plural)

Nesta modalidade, o verbo é atraído pelo termo plural que especifica a porção, ou seja, o substantivo que vem logo após a preposição. Trata-se de uma construção amplamente utilizada por grandes autores e aceita pelas bancas por destacar os indivíduos que compõem o grupo. Seguindo o mesmo exemplo, a estrutura “A maioria dos jovens votaram” é considerada plenamente válida.

Exemplos práticos na microestrutura do texto

Para evitar penalizações na correção gramatical e garantir que o texto mantenha o padrão de excelência exigido pelas bancas, o candidato deve observar como essas duas regras se aplicam na prática da escrita.

A tabela abaixo compara os desvios comuns cometidos por falta de atenção com as duas variantes corretas permitidas pela norma padrão:

Construção incorreta com desvio (❌)Concordância gramatical correta (✅)Concordância atrativa correta (✅)
Grande parte dos cidadãos sofre com a inflação e sofrem com o desemprego.Grande parte dos cidadãos sofre com a inflação e com o desemprego.Grande parte dos cidadãos sofrem com a inflação e com o desemprego.
A maioria das escolas públicas não possuem infraestrutura tecnológica básica.A maioria das escolas públicas não possui infraestrutura tecnológica básica.A maioria das escolas públicas não possuem infraestrutura tecnológica básica.
Uma porção dos candidatos esqueceram de preencher o cartão de respostas.Uma porção dos candidatos esqueceu de preencher o cartão de respostas.Uma porção dos candidatos esqueceram de preencher o cartão de respostas.

Um erro grave que os corretores penalizam severamente é a quebra de paralelismo sintático dentro do mesmo período, como alternar entre o singular e o plural para se referir ao mesmo sujeito partitivo. Escolha um modelo de concordância e mantenha-o até o ponto final.

Aplicação prática no texto argumentativo

As expressões partitivas são ferramentas valiosas na introdução e no desenvolvimento da redação para apresentar dados estatísticos, tendências sociais ou comportamentos coletivos sem a necessidade de generalizações perigosas.

Veja como utilizar o recurso de forma elegante na sua linha de raciocínio:

“É imperioso notar, inicialmente, que a maioria dos indivíduos compartilha de uma visão distorcida sobre o consumo sustentável…” ou, se preferir a concordância atrativa, “a maioria dos indivíduos compartilham de uma visão distorcida…”

Ambas as construções enriquecem a argumentação, demonstram domínio da norma culta e garantem que o foco do parágrafo permaneça na defesa da tese, sem tropeços sintáticos que prejudiquem a experiência do leitor.

Perguntas frequentes sobre expressões partitivas

A regra muda se a expressão partitiva estiver acompanhada de número percentual?

Não, a lógica permanece idêntica quando a porcentagem vem acompanhada de especificação. Se a frase indicar “30% da população”, o verbo concorda com o substantivo especificador (30% da população sofre). Se indicar “30% dos cidadãos”, o verbo vai obrigatoriamente para o plural (30% dos cidadãos sofrem).

Posso usar o verbo no plural se a expressão partitiva estiver sozinha na frase?

Não, se a expressão partitiva não vier seguida de um termo no plural, o verbo deve ficar obrigatoriamente no singular. Em construções como “A maioria compareceu ao debate”, o verbo não tem outro elemento para sofrer atração, restando apenas a concordância com o núcleo singular.

Qual das duas formas de concordância é mais recomendada para o Enem?

Ambas as formas possuem exatamente o mesmo peso e valor para os avaliadores da Competência 1. A recomendação fundamental dos especialistas é focar na consistência interna do texto, evitando misturar os dois tipos de concordância dentro de uma mesma frase ou parágrafo de desenvolvimento.

Consolide seu domínio gramatical por meio do treino

A segurança para utilizar estruturas gramaticais complexas e flexíveis na hora da prova só é alcançada quando a teoria se transforma em hábito prático. Conhecer as duas formas de concordância para expressões partitivas amplia suas ferramentas de coesão, mas a verdadeira fluidez textual depende de repetição e aplicação consciente. Faça do treino prático e da revisão direcionada de seus rascunhos semanais uma rotina indispensável para fixar essas regras, lapidar sua escrita e garantir a pontuação máxima na folha oficial de redação.