Complemento agente da passiva x adjunto adverbial de instrumento: entenda a troca de preposições

Por Redação
22/09/2026 15h43 – Atualizado há 3 horas

A confusão entre complemento agente da passiva e adjunto adverbial de instrumento é uma das armadilhas gramaticais mais frequentes em redações de concursos e no ENEM. Embora ambos os termos possam vir introduzidos pela mesma preposição — como “por” ou “de” —, eles exercem papéis sintático-semânticos completamente opostos. Análises detalhadas de bancas examinadoras mostram que a inversão desses conceitos compromete a coesão textual e evidencia falhas na estruturação sintática.

O segredo para dominar essa diferença está na identificação do papel ativo da oração: enquanto o agente realiza a ação sofrida pelo sujeito na voz passiva, o instrumento é apenas o meio utilizado por alguém para executar determinado ato. Compreender a função da preposição no contexto oracional é o passo decisivo para garantir nota máxima nos critérios de correção gramatical.

Como diferenciar o agente da passiva do adjunto de instrumento

A principal distinção reside no conceito de agente consciente versus meio de execução. O complemento agente da passiva ocorre exclusivamente na voz passiva analítica e indica o ser que pratica a ação expressa pelo verbo passivo. Já o adjunto adverbial de instrumento indica o objeto, ferramenta ou meio com o qual a ação é realizada, podendo figurar tanto na voz ativa quanto na voz passiva.

Observe a mecânica da preposição nas duas estruturas:

  • Complemento Agente da Passiva: O projeto foi aprovado pelo conselho. (O conselho pratica a ação de aprovar).
  • Adjunto Adverbial de Instrumento: O documento foi assinado com a caneta azul. (A caneta é o instrumento usado para assinar).

A troca ou ambiguidade no uso das preposições pode alterar inteiramente o sentido da frase. Quando se diz “A parede foi pintada por um pincel especial”, ocorre uma inadequação semântica ao personificar o objeto. O correto seria utilizar a preposição com para marcar o instrumento: “A parede foi pintada com um pincel especial”.

Tabela comparativa de estruturas sintáticas

A visualização prática das construções ajuda a evitar deslizes gramaticais no momento do rascunho.

Função SintáticaConstrução Correta ✅Construção Inadequada / Equívoco ❌
Agente da PassivaA tese foi defendida pelo estudante.A tese foi defendida com o estudante.
Adjunto de InstrumentoO candidato fez a prova a lápis.O candidato fez a prova pelo lápis.
Agente da PassivaO texto foi corrigido pela professora.O texto foi corrigido sob a professora.
Adjunto de InstrumentoA redação foi escrita com caneta preta.A redação foi escrita por caneta preta.

Regra prática para a troca de preposições

Para não errar na hora de escrever, aplique o teste da passagem para a voz ativa. Se o termo regido pela preposição puder se tornar o sujeito da oração ativa, trata-se de um complemento agente da passiva. Se o termo continuar sendo apenas um meio suplementar, trata-se de um adjunto adverbial de instrumento.

Na frase “O quadro foi danificado pelo ácido”, ao passar para a ativa, temos “O ácido danificou o quadro”. Como “o ácido” assumiu a posição de sujeito praticante, a expressão original é um agente da passiva. Por outro lado, em “O artista cortou a tela com o estilete”, a passagem para a voz ativa resulta em “O artista usou o estilete para cortar a tela”, mantendo “o estilete” como mero instrumento da ação.

Perguntas frequentes sobre preposições e funções sintáticas

O agente da passiva pode ser introduzido por outra preposição além de “por”?

Sim, o complemento agente da passiva pode ser introduzido pela preposição “de”, embora seja menos comum no português contemporâneo. Exemplo: “A casa estava cercada de policiais”.

Como identificar a preposição correta para o adjunto de instrumento?

O adjunto adverbial de instrumento é predominantemente regido pela preposição “com”, mas também aceita “a” e “de” dependendo do contexto. Exemplo: “Escrever a mão” ou “Ferir-se de espada”.

A voz passiva sempre exige um agente da passiva explícito?

Não, o complemento agente da passiva é um termo integrante da oração e pode ser omitido quando indeterminado ou irrelevante para o contexto. Exemplo: “O prédio foi reformado”.

Pratique a aplicação sintática para fixar o aprendizado

Dominar as sutilezas da sintaxe exige treino constante e aplicação prática na escrita. Dedique-se ao treino diário de reescrita de frases, alternando entre voz ativa e passiva e observando o comportamento dos regentes preposicionais. Quanto mais você exercita a análise da estrutura dos seus próprios parágrafos, mais natural se torna a construção de um texto coeso, fluído e livre de equívocos gramaticais.