Concordância com pronome relativo: “fui eu que fiz” ou “fui eu quem fez”?

Por Redação
16/09/2026 09h34 – Atualizado há 13 horas

Dúvidas sobre a concordância verbal acompanhada dos pronomes relativos que e quem figuram entre os erros mais recorrentes em redações de concursos públicos e do Enem. A construção da frase muda dependendo do termo escolhido, e o deslize gramatical nesse ponto compromete a pontuação no critério de norma-padrão das principais bancas examinadoras.

Após analisarmos milhares de redações, identificamos que a confusão ocorre porque a língua portuguesa oferece duas estruturas corretas, mas com regras sintáticas completamente distintas. Entender a mecânica de cada pronome é o caminho mais rápido para garantir precisão escrita e demonstrar domínio da norma-padrão.

Como funciona a concordância com o pronome “que”

Quando o pronome relativo que atua como sujeito, a regra é estrita: o verbo deve concordar obrigatoriamente em pessoa e número com o antecedente do pronome. Isso significa que o pronome funciona como um elo direto entre o pronome pessoal e a ação praticada.

Se o antecedente for a primeira pessoa do singular (eu), o verbo assume a primeira pessoa do singular. Se for a terceira pessoa do plural (eles), o verbo acompanha a flexão correspondente.

  • Fui eu que fiz o relatório final. (Verbo na 1ª pessoa do singular, concordando com eu)
  • Fomos nós que elaboramos a proposta. (Verbo na 1ª pessoa do plural, concordando com nós)
  • Foram eles que apresentaram os resultados. (Verbo na 3ª pessoa do plural, concordando com eles)

Como funciona a concordância com o pronome “quem”

A concordância com o pronome relativo quem oferece dupla possibilidade de construção, sendo ambas aceitas pela norma culta da gramática.

A primeira opção — recomendada para manter a concordância tradicional — é flexionar o verbo na terceira pessoa do singular, concordando diretamente com o próprio pronome quem. A segunda opção permite flexionar o verbo concordando com o antecedente do pronome, exatamente como ocorre no uso do que.

  • Fui eu quem fez a pesquisa. (Concordância na 3ª pessoa do singular com o pronome quem)
  • Fui eu quem fiz a pesquisa. (Concordância com o antecedente eu)
  • Fomos nós quem organizou o evento. (Concordância na 3ª pessoa do singular com quem)
  • Fomos nós quem organizamos o evento. (Concordância com o antecedente nós)

Guia rápido de aplicação prática

Para evitar equívocos durante a escrita sob pressão em exames, utilize a tabela comparativa a seguir com os padrões corretos e as construções proibidas pela gramática normativa:

Estrutura correta ✅Aplicação incorreta ❌Regra gramatical aplicada
Fui eu que resolvi o problema.Fui eu que resolveu o problema.Com que, o verbo concorda exclusivamente com o antecedente (eu).
Fui eu quem resolveu a questão.Fui eu quem resolveram a questão.Com quem, aceita-se a 3ª pessoa do singular (resolveu).
Fomos nós que trouxemos o material.Fomos nós que trouxe o material.O pronome que exige flexão no plural concordando com nós.
Somos nós quem lidera a equipe.Somos nós quem lideram a equipe.O pronome quem admite a 3ª pessoa do singular mesmo com antecedente no plural.

Perguntas frequentes sobre concordância verbal

Qual é a forma mais recomendada para redações oficiais?

A forma “fui eu que fiz” ou “fui eu quem fez” são igualmente aceitas. A escolha por “quem fez” (3ª pessoa) é a mais tradicional na norma culta, mas ambas garantem nota máxima no quesito gramatical.

Posso usar “fui eu que fez” na redação?

Não, a construção “fui eu que fez” é considerada um erro gramatical grave. O pronome que exige obrigatoriamente a concordância com o termo antecedente (eu fiz).

Existe diferença de sentido entre usar “que” e “quem”?

Não há nenhuma alteração de significado entre as duas estruturas. A diferença é estritamente sintática e refere-se às possibilidades de flexão do verbo principal.

Treino constante é a chave para a fluência escrita

Dominar as regras de concordância verbal exige prática contínua de produção textual. Ao aplicar essas regras em seus textos, você fixa as estruturas corretas e elimina deslizes sintáticos que custam pontos preciosos. Mantenha uma rotina focada em treino prático de redação para transformar o conhecimento gramatical em um hábito automático durante a escrita.