Conto do Vigário: O que significa a expressão popular?

Por Redação
13/02/2026 08h22 – Atualizado há 10 horas

A expressão “conto do vigário” é uma das mais populares da língua portuguesa quando o assunto é enganação, fraude ou golpe. Usada há gerações no Brasil, ela costuma aparecer em conversas informais, manchetes de jornais e até em obras literárias. No entanto, o que muita gente não sabe é que o termo tem uma origem histórica curiosa, ligada a uma disputa religiosa ocorrida em Minas Gerais durante o período colonial.

Com o passar do tempo, o significado da expressão se ampliou e passou a representar qualquer tipo de trapaça elaborada. Entender a origem do “conto do vigário” ajuda não apenas a compreender a força das palavras na cultura brasileira, mas também a perceber como fatos históricos podem influenciar diretamente o vocabulário cotidiano.

A história em Ouro Preto que deu origem à expressão

A origem mais difundida do termo remonta ao século XVIII, na cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais. Na época, duas paróquias disputavam a posse de uma imagem de Nossa Senhora que havia sido encontrada na região. Cada igreja alegava ter o direito de ficar com a imagem, pois acreditava que sua presença atrairia fiéis e prestígio religioso.

Sem chegar a um acordo, os representantes das paróquias decidiram recorrer a uma solução aparentemente justa: colocar a imagem sobre um burro e deixá-lo caminhar livremente pelas ruas da cidade. A ideia era que o animal, guiado pela vontade divina, seguiria em direção à paróquia que deveria ficar com a santa.

O que parecia um método imparcial acabou se tornando uma armação. O vigário de uma das paróquias teria treinado o burro para ir diretamente até sua igreja, garantindo assim a posse da imagem. Quando o plano funcionou, a outra paróquia percebeu que havia sido enganada. A história rapidamente se espalhou pela região e passou a simbolizar uma fraude bem planejada.

Como a expressão se popularizou na língua portuguesa

Com o tempo, o episódio deixou de ser apenas uma anedota local e se transformou em uma expressão popular em todo o Brasil. “Conto do vigário” passou a designar qualquer tipo de golpe em que alguém engana outra pessoa por meio de uma história convincente, geralmente envolvendo manipulação psicológica ou promessa falsa.

A expressão ganhou força principalmente no século XIX, quando começou a aparecer em jornais e textos literários. Escritores e cronistas passaram a utilizá-la para se referir a situações de fraude, reforçando seu significado no imaginário coletivo. Assim, o termo se consolidou como sinônimo de trapaça engenhosa e bem articulada.

Hoje, a expressão é usada para descrever desde pequenos golpes do cotidiano até esquemas mais complexos. Mesmo em um mundo digital, onde fraudes acontecem pela internet, o “conto do vigário” continua sendo uma referência linguística forte para qualquer tentativa de enganar alguém.

O significado atual de “conto do vigário”

Na língua portuguesa contemporânea, “conto do vigário” é utilizado para definir um golpe baseado em mentira, manipulação ou promessa enganosa. A expressão carrega a ideia de uma narrativa construída para convencer a vítima, geralmente explorando sua confiança ou ingenuidade.

O uso da palavra “conto” reforça a noção de que a fraude depende de uma história bem contada. Já o termo “vigário” remete à figura religiosa envolvida na origem histórica da expressão, simbolizando a pessoa que elaborou o plano para enganar. Essa combinação de elementos tornou a expressão marcante e facilmente reconhecível.

Mesmo séculos depois de sua criação, o “conto do vigário” permanece vivo no vocabulário popular. Ele serve como um lembrete de que a linguagem é moldada por acontecimentos históricos e culturais, e que certas expressões carregam em si narrativas que atravessam gerações.

Por que a expressão continua atual

A permanência do termo “conto do vigário” no uso cotidiano mostra como a língua portuguesa preserva elementos históricos em suas expressões. Em um cenário marcado por golpes digitais, fraudes financeiras e desinformação, a expressão se mantém relevante para descrever situações em que alguém é enganado por uma história aparentemente convincente.

Além disso, o termo demonstra a criatividade do idioma ao transformar um episódio específico em uma metáfora universal. Ele não se limita a um tipo de fraude, podendo ser aplicado a diversas situações em que há manipulação ou tentativa de engano.

Compreender a origem e o significado do “conto do vigário” ajuda a valorizar a riqueza histórica da língua portuguesa e revela como expressões populares podem carregar séculos de memória cultural em poucas palavras.