Diferença entre à medida que e na medida em que: evite o erro que tira pontos na redação

Por Redação
13/08/2026 08h41 – Atualizado há 16 horas

A confusão entre “à medida que” e “na medida em que” é um dos deslizes mais frequentes em textos acadêmicos e exames de alto desempenho. Após a análise de milhares de redações avaliadas por bancas como ENEM, FGV e Vunesp, identificamos que a troca indevida dessas duas expressões compromete diretamente os critérios de coesão textual e precisão vocabular, reduzindo severamente a pontuação do candidato.

Embora soem parecidas na sonoridade, essas locuções desempenham papéis sintáticos e semânticos completamente distintos. Usar uma no lugar da outra altera a lógica da frase ou gera estruturas inexistentes na norma-padrão. Compreender a aplicação exata de cada conectivo é indispensável para construir parágrafos fluídos, coerentes e alinhados com as exigências dos avaliadores oficiais.

O uso correto da locução “à medida que” (proporção)

A locução conjuntiva “à medida que” expressa a ideia de proporcionalidade e simultaneidade. Ela indica que dois fatos se desenvolvem em ritmo concomitante ou gradativo.

Essa estrutura equivale semanticamente a termos como “à proporção que”, “ao passo que” ou “conforme”. Toda vez que houver uma ideia de variação gradual entre dois eventos, o uso do acento grave indicador de crase na palavra “à” é obrigatório.

Exemplos práticos de proporcionalidade:

  • À medida que a tecnologia avança, surgem novos desafios éticos no mercado de trabalho.
  • O consumo de água aumentou à medida que a temperatura subiu durante o verão.

O uso correto da locução “na medida em que” (causa)

Já a locução “na medida em que” possui valor exclusivamente causal e explicativo. Ela estabelece uma relação de causa e efeito entre as orações.

Sua função é introduzir a justificativa ou o motivo de determinado fato. Ela pode ser substituída por conectivos como “porque”, “visto que”, “já que” ou “uma vez que”. Diferente da expressão proporcional, não admite crase e exige a preposição “em”.

Exemplos práticos de causalidade:

  • O projeto foi aprovado na medida em que atendeu a todos os critérios socioambientais exigidos.
  • A educação deve ser priorizada na medida em que garante a formação cidadã e reduz desigualdades.

Erros fatais na microestrutura e invenções sintáticas

A tentativa de fundir as duas locuções gera formas híbridas inexistentes na gramática normativa. Expressões como “à medida em que” ou “na medida que” constituem desvios gramaticais graves que demonstram desconhecimento das regras de regência e conjunção.

Abaixo, confira os usos corretos e as construções que devem ser sumariamente eliminadas do seu texto:

Contexto sintáticoConstrução correta (✅)Construção incorreta (❌)
Relação ProporcionalÀ medida que o tempo passa, a experiência aumenta.À medida em que o tempo passa, a experiência aumenta.
Relação ProporcionalÀ proporção que investimos, colhemos resultados.Na medida que investimos, colhemos resultados.
Relação CausalA medida é eficaz na medida em que reduz danos.A medida é eficaz à medida em que reduz danos.
Relação CausalO aluno evolui visto que pratica diariamente.O aluno evolui na medida que pratica diariamente.

Perguntas frequentes sobre as locuções conexas (FAQ)

A expressão “à medida em que” existe na norma-padrão?

Não, a expressão “à medida em que” é um vício de linguagem e não existe na norma-padrão da língua portuguesa. Trata-se da fusão incorreta entre “à medida que” (proporção) e “na medida em que” (causa). O uso dessa estrutura híbrida penaliza a gramática do candidato.

Posso substituir “na medida em que” por “já que”?

Sim, a substituição por “já que”, “visto que” ou “porque” é perfeitamente válida e mantém o sentido causal da oração. Utilizar essa troca mental serve como um excelente teste de validação para confirmar se o contexto exige realmente a locução causal.

Qual o impacto da troca dessas locuções na nota da redação?

A troca dessas locuções afeta diretamente a nota de coesão e o domínio da norma culta, podendo custar dezenas de pontos. Nas matrizes de referência de bancas examinadoras, o emprego inadequado de conectivos caracteriza equívoco de coesão intersentencial e falha na articulação lógica do texto.

Conclusão: domine a sintaxe por meio do treino constante

Dominar as sutilezas da língua portuguesa é o divisor de águas entre uma escrita medíocre e uma redação com nota de excelência. Conhecer a teoria sobre a diferença entre causa e proporção é o primeiro passo, mas a fixação do aprendizado ocorre apenas na prática.

Para consolidar essa e outras regras da norma-padrão, intensifique seu treino de escrita, aplique os conectivos de forma consciente e revise seus parágrafos com foco na precisão vocabular. O treino contínuo e orientado é o único caminho para eliminar vícios de linguagem e garantir o total domínio das competências exigidas pelas bancas.