Ele ou o: quando usar pronome reto ou oblíquo em texto formal
13/06/2026 00h28 – Atualizado há 3 horas

O domínio dos pronomes é um dos pilares mais importantes para a manutenção da norma-padrão na escrita profissional. No ambiente corporativo, em documentos jurídicos e na produção de conteúdos acadêmicos, pequenos deslizes gramaticais podem comprometer a autoridade de um texto. Entre as dúvidas mais frequentes que surgem no momento da revisão de textos e relatórios está a escolha correta entre o uso do pronome reto ou do pronome oblíquo para exercer a função de objeto direto na oração.
A conhecida estrutura “vi ele na reunião” ou “encontrei ele no escritório” é amplamente aceita e compreendida na linguagem coloquial falada no Brasil. No entanto, quando o contexto exige um registro formal, essa construção é classificada como um desvio sintático. Bancas examinadoras de grandes concursos e exames nacionais avaliam rigorosamente a regência e a colocação pronominal, punindo a substituição inadequada dos pronomes oblíquos por pronomes retos, que possuem funções sintáticas distintas no padrão culto.
Compreender o papel de cada classe pronominal é um passo essencial para quem busca eliminar ruídos na comunicação escrita e projetar profissionalismo. A seguir, detalhamos as regras gramaticais que regem o uso de pronomes retos e oblíquos, apresentando exemplos práticos, tabelas comparativas e soluções diretas para aplicar em seus textos formais.
A função dos pronomes retos: o papel do sujeito
Os pronomes pessoais do caso reto (eu, tu, ele, ela, nós, vós, eles, elas) foram desenvolvidos na estrutura da língua portuguesa para desempenhar, primordialmente, a função sintática de sujeito da oração. Isso significa que eles representam o ser que pratica ou sofre a ação expressa pelo verbo, não devendo ocupar o lugar de complementos verbais diretos no texto formal.
- Ele assinou o relatório técnico ontem à tarde.
- Nós convocamos a equipe após eles finalizarem a auditoria interna.
Há uma exceção importante: o pronome reto pode aparecer após o verbo se estiver precedido de uma preposição (como “de”, “para”, “com”, “em”), passando a atuar como objeto indireto. Fora dessa condição preposicionada, o uso do pronome reto como complemento é considerado um erro de sintaxe.
- O diretor entregou os documentos para ele.
A função dos pronomes oblíquos: os complementos verbais
Para atuar como o objeto da ação verbal — ou seja, o termo que sofre o impacto do verbo sem a necessidade de preposição intermediária —, a norma culta exige o emprego dos pronomes pessoais do caso oblíquo átono (o, a, os, as). Portanto, a forma correta para substituir um substantivo masculino singular na função de objeto direto é o pronome o.
Quando o pronome oblíquo se associa a verbos terminados em -r, -s ou -z, ele sofre uma alteração fonética e ortográfica, transformando-se em lo, la, los, las. Se o verbo terminar em som nasal (-am, -em, -ão), o pronome assume as formas no, na, nos, nas.
- O gerente convocou o supervisor e o instruiu sobre as novas metas.
- Precisamos analisar o relatório técnico e aprová-lo ainda hoje.
- Os diretores receberam o parecer e avaliaram-no com critério.
Comparativo prático: registro coloquial versus norma culta
Evitar construções truncadas em atas, e-mails institucionais e artigos exige atenção redobrada na microestrutura das frases. Veja como ajustar as expressões mais comuns do dia a dia:
| Construção inadequada (Evite) | Construção corrigida (Prefira) | Explicação técnica |
| ❌ O coordenador avisou que viu ele na filial. | ✅ O coordenador avisou que o viu na filial. | O pronome oblíquo “o” deve ser usado como objeto direto. A próclise é motivada pela conjunção integrante “que”. |
| ❌ Deixei os relatórios na mesa para você assinar eles. | ✅ Deixei os relatórios na mesa para você assiná-los. | Verbos terminados em -r perdem a consoante final e recebem as formas lo/la para complementar o sentido. |
| ❌ Informamos o cliente sobre o erro assim que encontramos ele. | ✅ Informamos o cliente sobre o erro assim que o encontramos. | O pronome reto “ele” não pode sofrer a ação do verbo encontrar em textos formais. |
Perguntas frequentes sobre o uso de pronomes retos e oblíquos
Qual é a forma correta: “vou ver ele” ou “vou vê-lo”?
A forma correta no texto formal é vou vê-lo. Na locução verbal, o verbo principal “ver” termina na consoante -r, que é eliminada para a acentuação e introdução do pronome oblíquo “lo”.
Posso usar “ele” após o verbo se houver a preposição “com”?
Sim, estruturas como “falei com ele” ou “contribuí com eles” estão totalmente corretas, pois os pronomes retos podem funcionar como objetos indiretos quando acompanhados de preposição oficial.
O pronome “lhe” pode substituir o pronome “o” em qualquer frase?
Não, o pronome lhe exerce prioritariamente a função de objeto indireto, equivalendo a “a ele” ou “a ela”. Verbos transitivos diretos, como “ver”, “encontrar” e “chamar”, exigem os pronomes “o” ou “a”.
Como decidir a posição do pronome “o” antes ou depois do verbo?
A colocação pronominal segue regras específicas de próclise e ênclise. Palavras negativas, pronomes relativos e conjunções subordinativas atraem o pronome para antes do verbo (próclise). No início de frases, usa-se após o verbo (ênclise).
Conclusão
A substituição de pronomes oblíquos por pronomes retos é um dos traços mais marcantes da evolução do português falado no Brasil, mas permanece segregada fora dos limites da escrita formal. Dominar a aplicação de “o”, “a”, “lo” e “la” em detrimento do uso de “ele” ou “ela” como objetos diretos garante que sua produção textual preserve o rigor e o profissionalismo exigidos no mercado de trabalho e no ambiente acadêmico.
A segurança gramatical e a fluidez na aplicação dessas regras de colocação pronominal dependem diretamente da familiaridade com as estruturas da língua. A melhor estratégia para eliminar esses vícios de linguagem e consolidar o aprendizado é manter uma rotina focada no treino consistente de redação e revisão, forçando a substituição consciente dos pronomes cotidianos pelas formas preconizadas pela norma-padrão.