Emprego do verbo fazer indicando tempo decorrido: por que “faz três anos” nunca vai para o plural

Por Redação
10/09/2026 19h02 – Atualizado há 3 horas

A concordância verbal costuma ser um dos terrenos mais escorregadios para quem busca alcançar as notas máximas em vestibulares e concursos públicos. Em nossa análise contínua de milhares de textos, observamos que o uso incorreto de construções impessoais é um dos erros gramaticais mais frequentes, custando pontos preciosos nos critérios de correção de bancas exigentes como a Vunesp, Cebraspe e FGV.

Compreender o comportamento do verbo “fazer” quando associado à passagem do tempo não é apenas uma questão de memorização de regras, mas de domínio da sintaxe da língua portuguesa. O desvio “fazem três anos” aparece constantemente na fala cotidiana, o que induz o candidato ao erro no momento da escrita formal. Ajustar essa estrutura é um passo simples para demonstrar domínio da norma-padrão e precisão gramatical.

Entenda os fundamentos sintáticos que regem essa regra, veja como aplicar a concordância correta em períodos simples e compostos e elimine esse deslize do seu repertório definitivo de escrita.

Por que o verbo fazer é impessoal ao indicar tempo decorrido?

Na língua portuguesa, a maioria dos verbos concorda em número e pessoa com o seu sujeito. No entanto, quando o verbo “fazer” é utilizado para expressar tempo transcorrido ou fenômenos da natureza, ele passa a ser classificado como um verbo impessoal. Isso significa que a oração não possui um sujeito gramatical com o qual o verbo deva concordar.

Como não há um elemento executando ou sofrendo a ação, a regra gramatical determina que o verbo impessoal deve permanecer rigidamente na 3ª pessoa do singular. Na frase “Faz três anos que não estudo gramática”, a expressão “três anos” funciona como complemento verbal (objeto direto), e não como sujeito. Tratar “três anos” como sujeito é o equívoco sintático que leva à flexão incorreta para o plural.

O comportamento do verbo fazer em locuções verbais

O erro de concordância torna-se ainda mais recorrente quando o verbo “fazer” atua como verbo principal em uma locução verbal. Nesses casos, a impessoalidade do verbo “fazer” é transmitida diretamente para o verbo auxiliar, fazendo com que todo o grupo verbal permaneça no singular.

Se a intenção for projetar o tempo decorrido utilizando estruturas compostas, o verbo auxiliar (como dever, haver ou ir) assume a carga de impessoalidade e perde a capacidade de ir para o plural.

Construção sintáticaAplicação incorreta ❌Aplicação correta ✅
Verbo simplesFazem três anos que terminei o curso.Faz três anos que terminei o curso.
Locução com deverDevem fazer dez meses do exame.Deve fazer dez meses do exame.
Locução com irVão fazer dois séculos do fato.Vai fazer dois séculos do fato.
Locução com haverHão de fazer cinco dias da decisão.Há de fazer cinco dias da decisão.

Diferença entre o verbo fazer impessoal e pessoal

É fundamental destacar que o verbo “fazer” só fica invariável quando transmite a ideia de tempo decorrido ou clima. Quando utilizado em seu sentido convencional — indicando fabricação, realização, execução ou criação —, ele possui sujeito determinado e deve concordar normalmente com ele.

Sentido do verboPapel sintáticoExemplo de aplicação
Tempo / ClimaImpessoal (Sem sujeito)Faz invernos rigorosos na Europa. / Faz dez minutos que cheguei.
Ação / RealizaçãoPessoal (Com sujeito)Os alunos fizeram os exercícios de fixação rapidamente.

Pergunta Frequente (FAQ)

Posso usar “fazem” se a frase estiver no passado?

Não, o verbo impessoal permanece na 3ª pessoa do singular independentemente do tempo verbal. O correto é utilizar “fazia três anos” ou “fez três anos”, mantendo a concordância no singular.

O verbo “haver” segue a mesma regra no sentido de tempo decorrido?

Sim, o verbo haver no sentido de tempo passado também é impessoal. A forma correta é “há três anos” e nunca “hão três anos”.

Existe algum caso em que “fazem três anos” está correto?

Não existe nenhuma exceção na norma-padrão para essa estrutura. Ao indicar tempo decorrido, a flexão no plural é considerada desvio gramatical por todas as bancas examinadoras.

Garanta a perfeição gramatical através do treino constante

O conhecimento teórico das regras de concordância é o primeiro passo, mas a assimilação definitiva só ocorre quando você aplica esses conceitos na prática. Para evitar que deslizes como a flexão incorreta de verbos impessoais passem despercebidos no seu texto, inclua a revisão focada em sintaxe na sua rotina diária. Mantenha uma frequência alta de treino de escrita, analise seus desvios recorrentes e garanta a precisão linguística necessária para alcançar a pontuação máxima na sua próxima produção textual.