Faz tempo ou há tempo? O erro que aparece em todo cartão de Dia dos Namorados

Por Redação
06/06/2026 11h44 – Atualizado há 3 dias

A busca pela mensagem perfeita para o Dia dos Namorados mobiliza milhões de pessoas apaixonadas que desejam expressar a profundidade de seus sentimentos no papel. No entanto, o romantismo frequentemente esbarra em uma armadilha linguística sutil, mas gritante para quem domina a norma-padrão da língua portuguesa: a confusão entre as estruturas “faz tempo” e “há tempo”. O deslize é tão comum que estampa cartões comerciais, publicações em redes sociais e até cartas de amor escritas à mão, transformando um momento de carinho em um tropeço gramatical evidente.

A análise de milhares de produções textuais avaliadas por bancas examinadoras de grandes concursos e vestibulares mostra que os erros de redundância e inadequação com os verbos fazer e haver estão entre os mais recorrentes na microestrutura dos textos. O problema se agrava porque a linguagem coloquial consagrou expressões híbridas e incorretas no dia a dia. Quando o redator transporta esse vício da fala para o papel, demonstra falta de domínio sobre as regras de impessoalidade e regência verbal, o que prejudica diretamente os critérios de coesão e correção gramatical.

Para construir um texto que transmita autoridade e sensibilidade, é fundamental compreender a engenharia por trás dessas expressões de tempo decorrido. O segredo não está na memorização mecânica, mas no entendimento de que ambos os verbos, quando indicam passado, possuem comportamento específico na oração. Dominar essa diferença impede que você cometa erros involuntários que sabotam a qualidade da sua escrita, seja em uma redação oficial ou em uma dedicatória especial.

A lógica da impessoalidade no tempo decorrido

O verbo fazer e o verbo haver compartilham uma característica marcante na língua portuguesa quando são utilizados para indicar tempo que já passou: ambos tornam-se verbos impessoais. Isso significa que eles não possuem sujeito e devem, obrigatoriamente, permanecer conjugados na terceira pessoa do singular.

O grande erro que aparece nos cartões e nas redações é a fusão indevida das duas formas, gerando a aberração “há tempos atrás”. Como o verbo haver já carrega a ideia de passado, o uso da palavra “atrás” torna-se um pleonasmo vicioso. Da mesma forma, construir frases com “fazem anos” quebra a regra de ouro da concordância para verbos impessoais.

As diferenças estruturais entre as duas formas corretas

Para aplicar os conceitos de forma cirúrgica na sua escrita, você deve mapear as situações específicas em que cada construção é exigida pelo contexto.

O uso do verbo fazer para tempo transcorrido

A estrutura “faz tempo” ou “faz dias” é perfeita para indicar a duração de uma ação que começou no passado. O verbo permanece no singular porque cumpre papel estritamente temporal. É uma excelente escolha para dar fluidez e naturalidade ao período sem perder o rigor gramatical.

O uso do verbo haver como sinônimo de passado

A forma “há tempo” cumpre exatamente a mesma função cronológica de “faz tempo”. O cuidado essencial aqui é a proibição do acompanhamento de advérbios que reforcem o passado de forma redundante. Dizer “há muito tempo” é correto; dizer “há muito tempo atrás” é incorreto.

A preposição a indicando tempo futuro ou distância

Muitos escritores confundem o verbo haver (há) com a preposição simples (a). A regra clara dita que usamos o “a” sozinho apenas para projetar eventos que ainda vão acontecer ou para marcar distâncias físicas no texto.

Guia prático de aplicação: do erro à declaração perfeita

Veja como alinhar a estrutura das suas frases para garantir o uso correto dos verbos de tempo e eliminar os vícios de linguagem do seu texto.

Escreva assim (✅)Evite assim (❌)Justificativa técnica
Faz tempo que eu queria me declarar para você.Fazem tempos que eu queria me declarar para você.O verbo fazer indicando tempo é impessoal e deve ficar no singular.
Nós nos conhecemos há muito tempo.Nós nos conhecemos há muito tempo atrás.O uso de “há” junto com “atrás” configura pleonasmo vicioso no período.
O exame será realizado daqui a duas semanas.O exame será realizado daqui há duas semanas.Para indicar tempo futuro ou projeção, usa-se apenas a preposição “a”.
Não o vejo há anos, mas o sentimento continua.Não o vejo a anos, mas o sentimento continua.O tempo decorrido exige o verbo haver (há) e não a preposição simples.

Perguntas frequentes sobre expressões de tempo

Qual é a diferença real entre “faz tempo” e “há tempo”?

Não existe diferença de significado entre as duas formas, pois ambas são semanticamente idênticas e corretas para indicar tempo passado, desde que mantidas no singular.

Dizer “há muito tempo atrás” tira pontos na redação?

Sim, as bancas examinadoras penalizam severamente o uso de “há… atrás”, pois a construção é classificada como uma redundância desnecessária na norma-padrão.

O verbo fazer pode ir para o plural se a palavra seguinte estiver no plural?

Não, o verbo fazer indicando tempo decorrido nunca vai para o plural, sendo correto escrever “faz dez anos” e incorreto escrever “fazem dez anos”.

Como testar se devo usar “há” ou “a” na frase?

O melhor teste é substituir o termo pelo verbo fazer. Se a substituição mantiver o sentido (ex: há dois dias = faz dois dias), o uso do “há” com “h” está correto.

A constância no treino como segredo da escrita impecável

Dominar as sutilezas dos verbos impessoais e expurgar os vícios de linguagem da folha de papel exige uma atenção que vai além da leitura passiva de regras gramaticais. No momento da produção textual, o cérebro tende a replicar as estruturas que mais ouvimos no cotidiano, facilitando a entrada de erros como “há tempos atrás” de forma despercebida. A única estratégia eficiente para blindar sua escrita e garantir uma comunicação de alto nível é manter o foco no treino regular. Escreva redações toda semana, revise suas produções com olhar analítico e transforme o uso correto da norma culta em um processo totalmente natural.