Fazem dois anos ou Faz dois anos? Qual é o certo?
29/01/2026 10h33 – Atualizado há 2 dias

A dúvida entre “fazem dois anos” e “faz dois anos” é uma das mais comuns da língua portuguesa, aparecendo com frequência tanto na fala quanto na escrita. Apesar de soar natural para muitas pessoas usar o verbo no plural, a forma correta, segundo a norma culta, é sempre “faz dois anos” quando o verbo indica tempo decorrido.
Esse uso específico do verbo fazer segue uma regra gramatical própria, que costuma gerar estranhamento justamente porque contraria a lógica da concordância verbal tradicional.
O verbo fazer indicando tempo é impessoal
Quando o verbo fazer é usado para indicar tempo decorrido, ele se torna um verbo impessoal. Isso significa que ele não possui sujeito e, por essa razão, deve ser empregado obrigatoriamente na terceira pessoa do singular.
Nessas construções, expressões como “dois anos”, “cinco dias” ou “dez meses” não funcionam como sujeito da frase. Elas atuam apenas como complemento que indica a quantidade de tempo transcorrido.
Por que “faz dois anos” está correto
Na frase “faz dois anos que não nos vemos”, o verbo fazer não está se referindo a alguém que “faz” algo. Ele expressa a ideia de passagem do tempo, funcionando de maneira semelhante a verbos como haver no sentido de existir ou ocorrer.
Por ser impessoal, o verbo não concorda com o termo que vem depois dele. Assim, mesmo que a expressão de tempo esteja no plural, o verbo permanece no singular.
Exemplos corretos do uso do verbo fazer no singular
Sempre que o sentido for de tempo decorrido, a forma correta será no singular. Frases como “faz três dias que chove”, “faz muitos anos que isso aconteceu” e “faz pouco tempo que ele saiu” seguem exatamente a mesma lógica.
O erro surge porque o falante tende a associar o plural do substantivo “anos” ou “dias” à flexão verbal, o que não se aplica nesse caso específico.
Quando o verbo fazer pode ir para o plural
É importante destacar que o verbo fazer só permanece no singular quando indica tempo ou fenômenos da natureza. Em outros contextos, ele pode e deve concordar normalmente com o sujeito.
Em frases como “eles fazem dois bolos” ou “as crianças fazem barulho”, o verbo possui sujeito definido e, portanto, flexiona-se corretamente no plural.
A comparação com o verbo haver
Uma forma simples de fixar a regra é substituir mentalmente o verbo fazer pelo verbo haver, no sentido de tempo decorrido. Assim como se diz “há dois anos”, também se deve dizer “faz dois anos”.
Ambos são verbos impessoais nesse contexto e seguem a mesma lógica gramatical, permanecendo sempre no singular.
Por que esse erro é tão comum
O uso de “fazem dois anos” é comum porque a língua falada tende a priorizar a sonoridade e a lógica intuitiva da concordância. Como “dois anos” está no plural, muitos falantes sentem que o verbo também deveria estar.
No entanto, a norma culta preserva essa construção fixa, e ela é amplamente cobrada em provas, concursos, vestibulares e textos formais.
Como não errar mais essa regra
Sempre que a frase puder ser entendida como “tempo passou”, o verbo fazer deve ficar no singular. Se houver dúvida, basta perguntar mentalmente se existe um sujeito praticando a ação. Se a resposta for não, o verbo é impessoal.
Esse raciocínio ajuda a evitar um dos deslizes gramaticais mais recorrentes do português.
Conclusão
Entre “fazem dois anos” e “faz dois anos”, apenas a segunda forma está correta quando o verbo indica tempo decorrido. A regra é simples, mas exige atenção, pois vai contra a concordância que muitos falantes fazem intuitivamente.
Dominar esse uso é um passo importante para escrever com mais segurança e adequação à norma padrão da língua portuguesa.