O que é pleonasmo vicioso? Veja os exemplos de erros mais comuns
22/03/2026 09h13 – Atualizado há 5 dias

O pleonasmo vicioso ocorre quando uma frase apresenta uma repetição desnecessária de ideias ou palavras que já estão implícitas no próprio significado do termo utilizado.
Esse tipo de construção é considerado um erro na norma culta da língua portuguesa porque acrescenta informações redundantes, sem contribuir para a clareza do enunciado.
Expressões como subir para cima, entrar para dentro ou elo de ligação são exemplos clássicos desse fenômeno linguístico.
No campo da linguagem técnica e científica, esse tipo de redundância costuma ser ainda mais criticado, pois compromete a precisão do vocabulário.
Por que “hemorragia de sangue” é um pleonasmo
A expressão “hemorragia de sangue” é frequentemente citada como um dos exemplos mais claros de pleonasmo vicioso.
Isso acontece porque o próprio significado da palavra hemorragia já indica a perda ou o extravasamento de sangue dos vasos sanguíneos.
Ou seja, quando alguém diz “hemorragia de sangue”, está repetindo uma informação que já está totalmente presente no significado da palavra.
Por essa razão, a construção é considerada redundante e desnecessária do ponto de vista linguístico.
O significado técnico da palavra hemorragia
No vocabulário médico, hemorragia designa a saída de sangue do sistema circulatório devido à ruptura de vasos sanguíneos.
Esse fenômeno pode ocorrer de forma externa, quando o sangue se torna visível fora do corpo, ou interna, quando o sangramento acontece dentro de órgãos ou cavidades.
O termo já contém, em sua definição, a referência direta ao sangue, o que torna qualquer complemento nesse sentido totalmente dispensável.
Assim, a forma correta e tecnicamente precisa é simplesmente hemorragia.
Por que esse erro aparece com frequência
Mesmo sendo um pleonasmo evidente, a expressão ainda aparece em conversas informais, reportagens e até em alguns contextos de comunicação cotidiana.
Isso ocorre porque muitas pessoas utilizam a redundância como uma forma de reforçar ou enfatizar a informação transmitida.
Na linguagem popular, repetições desse tipo acabam funcionando como um recurso de intensificação, ainda que não sejam corretas do ponto de vista gramatical.
Com o uso repetido ao longo do tempo, certas construções acabam se tornando familiares para os falantes.
A diferença entre pleonasmo vicioso e pleonasmo estilístico
É importante destacar que nem todo pleonasmo é considerado erro na língua portuguesa.
Existe também o chamado pleonasmo estilístico, que ocorre quando a repetição é usada de forma intencional para dar ênfase ou expressividade à frase.
Expressões como vi com meus próprios olhos ou chorar lágrimas de tristeza podem aparecer em textos literários ou em linguagem coloquial com esse objetivo.
No caso de “hemorragia de sangue”, porém, a repetição não acrescenta valor expressivo nem estilístico, sendo vista apenas como redundância desnecessária.
A importância da precisão na linguagem médica
A linguagem médica é conhecida por sua busca constante por precisão e objetividade.
Termos técnicos são escolhidos justamente para transmitir informações claras e específicas, evitando ambiguidades ou interpretações equivocadas.
Por isso, construções redundantes como “hemorragia de sangue” são consideradas inadequadas em contextos profissionais ou científicos.
O uso correto da terminologia ajuda a manter a clareza da comunicação entre profissionais da área da saúde.
Como evitar esse tipo de erro
Uma maneira simples de evitar pleonasmos viciosos é prestar atenção ao significado completo das palavras utilizadas.
Quando um termo já contém determinada informação em sua definição, acrescentar um complemento com o mesmo sentido pode gerar redundância.
No caso da palavra hemorragia, basta utilizá-la sozinha para transmitir exatamente a ideia de perda de sangue.
Assim, compreender o significado dos termos e observar seu uso adequado contribui para uma comunicação mais clara e precisa.