“Obrigado eu” ou “Obrigada eu”? Entenda a dúvida
06/02/2026 10h19 – Atualizado há 3 dias

A dúvida entre dizer “obrigado” ou “obrigada” é muito comum na língua portuguesa, especialmente quando se trata do uso correto conforme o gênero de quem fala. Muitas pessoas acreditam que a forma do agradecimento deve concordar com a pessoa que recebe a mensagem, mas essa interpretação não está correta do ponto de vista gramatical.
Na norma culta, a palavra “obrigado” não funciona como uma simples expressão fixa. Ela carrega um valor gramatical específico que explica por que homens e mulheres devem usá-la de maneiras diferentes.
Por que “obrigado” varia de gênero?
A palavra “obrigado” é, originalmente, um adjetivo. Ao agradecer, a pessoa está, implicitamente, dizendo algo como “estou obrigado” ou “estou obrigada”, no sentido de estar agradecida ou reconhecida por um favor recebido.
Por ser um adjetivo, “obrigado” precisa concordar em gênero e número com o sujeito da frase, que é quem fala. Por isso, a forma correta depende do gênero de quem agradece, e não de quem recebe o agradecimento.
Mulheres devem dizer “obrigada”?
Sim. De acordo com a gramática normativa, mulheres devem dizer “obrigada”, pois a concordância é feita com o gênero feminino do sujeito oculto da frase. Da mesma forma, homens devem dizer “obrigado”.
Esse uso não é uma questão de estilo ou preferência pessoal, mas de concordância gramatical. Dizer “obrigado” sendo mulher não é considerado adequado na norma padrão, embora seja bastante comum na linguagem informal.
E quando o agradecimento é coletivo?
Quando o agradecimento é feito em nome de um grupo, a concordância segue a regra do gênero predominante. Se o grupo for composto apenas por mulheres, o correto é “obrigadas”. Se houver pelo menos um homem no grupo, utiliza-se “obrigados”.
Essa variação reforça o caráter adjetivo da palavra, que se ajusta ao sujeito da fala, mesmo quando ele não aparece explicitamente na frase.
“Obrigado” como interjeição: muda alguma coisa?
No uso cotidiano, muitas pessoas tratam “obrigado” como uma interjeição fixa, semelhante a “olá” ou “adeus”. Essa interpretação explica por que o erro se tornou tão frequente na fala informal e em ambientes menos monitorados pela norma culta.
Apesar disso, do ponto de vista gramatical, o valor de adjetivo permanece. Em contextos formais, como textos escritos, apresentações profissionais e provas de concurso, a concordância correta é sempre recomendada.
A língua falada versus a norma padrão
Na prática, é comum ouvir mulheres dizendo “obrigado” sem causar estranhamento em conversas informais. A língua falada é dinâmica e tolera variações que não seguem rigidamente as regras gramaticais.
No entanto, conhecer a regra é essencial para saber quando aplicar a forma correta. Em situações formais, acadêmicas ou profissionais, usar “obrigada” sendo mulher demonstra domínio da norma culta e atenção à linguagem.
Por que essa dúvida persiste até hoje?
A persistência dessa dúvida se deve ao uso automático da palavra e à perda da percepção de sua origem gramatical. Como o agradecimento é feito de forma rápida e recorrente, muitos falantes não refletem sobre a concordância envolvida.
Além disso, mudanças sociais e discussões sobre linguagem inclusiva também contribuem para questionamentos sobre o uso tradicional da palavra, embora a regra gramatical permaneça a mesma.
A forma correta em resumo
Em português padrão, a regra é simples: “obrigado” e “obrigada” concordam com quem fala. Homens dizem “obrigado”. Mulheres dizem “obrigada”. No plural, a concordância segue o gênero do grupo que agradece.
Entender essa lógica ajuda não apenas a evitar erros, mas também a compreender como a língua portuguesa organiza suas relações de sentido e concordância.