Pleonasmo vicioso na argumentação: expressões comuns que empobrecem o texto
29/05/2026 08h21 – Atualizado há 13 horas

Dominar a precisão vocabular é um dos passos mais importantes para quem busca a nota máxima na competência de norma culta das grandes bancas examinadoras. Entre os desvios mais recorrentes nos textos dissertativos-argumentativos, o uso inadvertido de pleonasmos viciosos lidera as estatísticas de penalizações por redundância. A tendência natural de replicar expressões tautológicas do cotidiano frequentemente sabota o candidato no momento de transcrever seus argumentos para o papel.
O deslize ocorre porque a repetição desnecessária de uma mesma ideia empobrece a superfície textual e demonstra falta de repertório lexical. A análise minuciosa de milhares de redações de alto nível revela que expressões como “encarar de frente” ou “criar novas alternativas” surgem de forma automática quando o estudante tenta dar ênfase a um argumento. No entanto, para os critérios rigorosos de exames como o Enem, Fuvest e concursos públicos, essas construções configuram falha de concisão e prolixidade, afetando diretamente a nota de coerência e expressão.
A eliminação dessas redundâncias serve como um forte indicativo de maturidade sintática e alta competência linguística. Ao limpar o texto de repetições óbvias, a argumentação ganha fluidez, objetividade e o rigor técnico exigido pelos corretores mais exigentes do país.
O coração do problema: a diferença entre estilo e vício gramatical
No contexto da produção textual de nível acadêmico, é fundamental diferenciar o pleonasmo literário (ou de estilo) da sua variante viciosa. Enquanto grandes autores utilizam a repetição intencional como recurso poético para reforçar uma mensagem, a dissertação-argumentativa exige máxima economia verbal e precisão factual.
- A regra de ouro: se a segunda palavra não adiciona nenhuma informação nova ou qualificação ao termo anterior, ela é semanticamente nula e deve ser cortada.
A insistência em tautologias enfraquece o poder de persuasão do parágrafo. Quando o candidato escreve que o governo precisa “antecipar o futuro” ou que uma lei teve “monopólio exclusivo”, ele comete um erro de lógica interna que sinaliza desconhecimento do significado real dos vocábulos escolhidos.
Os pleonasmos mais perigosos para a sua argumentação
Muitas expressões redundantes estão tão enraizadas no debate público e jornalístico que parecem corretas à primeira vista. Abaixo estão as três categorias que mais causam perdas de pontos por distração nas provas.
Redundâncias temporais e de planejamento
O planejamento de políticas públicas é um tema recorrente em propostas de redação, e é justamente onde moram erros clássicos de repetição temporal.
- Planejar antecipadamente: todo planejamento ocorre antes da ação; o correto é apenas planejar.
- Há anos atrás: o verbo haver já indica tempo decorrido; use apenas há anos ou anos atrás.
Redundâncias de inovação e alternativas
Ao propor soluções na proposta de intervenção, o estudante tende a buscar palavras de impacto, gerando sobreposições semânticas.
- Criar novas alternativas: se é uma alternativa, ela já pressupõe algo novo ou diferente do modelo atual; prefira propor alternativas.
- Inovar na frente: a inovação caminha necessariamente rumo ao pioneirismo; utilize apenas inovar.
Guia prático de substituição para o seu texto
Para fixar o aprendizado e garantir que você não vai deslizar na próxima produção de texto, veja o comparativo direto de estruturas comuns que devem ser limpas no rascunho.
| Estrutura Incorreta (Evite na Redação) | Estrutura Correta (Use na Redação) | Justificativa Gramatical |
| O Estado deve encarar de frente a crise na segurança. | O Estado deve enfrentar a crise na segurança. | Quem encara, encara de frente; o verbo enfrentar é mais preciso. |
| É preciso analisar o contexto geral da educação nacional. | É preciso analisar o contexto da educação nacional. | Todo contexto é amplo e geral por definição; a palavra basta. |
| As duas esferas do governo devem ter cooperação mútua. | As duas esferas do governo devem cooperar. | A cooperação pressupõe reciprocidade; o adjetivo é redundante. |
| O projeto de lei visa eliminar totalmente o analfabetismo. | O projeto de lei visa erradicar o analfabetismo. | O verbo erradicar substitui a locução com maior força argumentativa. |
Perguntas frequentes sobre o uso de pleonasmos
Por que “elo de ligação” é considerado um erro grave?
A expressão “elo de ligação” é considerada um pleonasmo vicioso grave porque a função intrínseca de qualquer elo é justamente ligar ou unir partes. Na redação, substitua a estrutura por termos mais formais e diretos, como “vínculo”, “conexão”, “relação” ou “associação”.
Usar “conclusão final” tira pontos na competência de coesão?
Sim, o uso de “conclusão final” configura redundância e é penalizado pelas bancas. Se um raciocínio chegou à sua fase de conclusão, ele já se encontra em seu encerramento definitivo, tornando o adjetivo “final” completamente desnecessário para o entendimento da frase.
Como rastrear e eliminar esses vícios durante a revisão do rascunho?
A técnica mais eficiente consiste em questionar o significado de cada palavra do período durante a revisão ativa. Se ao apagar um adjetivo ou advérbio o sentido do substantivo ou verbo principal permanecer exatamente o mesmo, a palavra excluída era um pleonasmo e deve ser cortada.
O caminho para a nota máxima exige prática constante
A teoria da precisão vocabular só se transforma em hábito quando você tira a regra do papel e a coloca em movimento. Conhecer os desvios clássicos causados pelo pleonasmo vicioso protege o seu texto de uma perda de pontos boba, mas a verdadeira segurança argumentativa nasce do volume de escrita. É preciso escrever, revisar e policiar a própria linguagem para eliminar os vícios da fala que costumam contaminar a modalidade escrita. Foque no treino contínuo, faça da correção minuciosa uma etapa obrigatória da sua rotina de estudos e garanta uma estrutura textual limpa, concisa e totalmente alinhada às exigências dos corretores mais experientes do país.