Regência do verbo implicar: o erro com a preposição em que quase todo candidato comete

Por Redação
20/06/2026 11h18 – Atualizado há 2 dias

A regência verbal é um dos temas que mais provocam desvios gramaticais em redações de alta performance. Entre os verbos que geram mais deslizes, o verbo implicar lidera as estatísticas de erros em exames concorridos, como o Enem e vestibulares tradicionais. A tendência natural da oralidade brasileira de associar esse verbo à preposição “em” faz com que o candidato transporte o vício da fala diretamente para o papel. No entanto, o rigor das bancas examinadoras não tolera esse tipo de construção na modalidade escrita formal.

O monitoramento detalhado de padrões de correção de bancas como a Comvest, Vunesp e Cebraspe revela que a inadequação na regência do verbo implicar é classificada como um desvio gramatical explícito, prejudicando diretamente a nota de competência linguística. O segredo para atingir a nota máxima está no domínio da transitividade direta do verbo quando ele assume o sentido de acarretar ou trazer como consequência. Demonstrar esse controle sintático sinaliza aos corretores maturidade e precisão no uso da norma-padrão.

Para eliminar definitivamente o erro, o redator precisa memorizar que, no contexto dissertativo-argumentativo, o verbo implicar exige um objeto direto, ou seja, um complemento sem preposição. Dizer que algo “implicará em mudanças” é um equívoco estrutural; o correto é afirmar que a ação “implicará mudanças”. Compreender a lógica que rege esse termo é o caminho ideal para blindar o seu texto contra penalizações desnecessárias.

A estrutura sintática e o sentido de acarretar

Na organização dos argumentos, é muito comum utilizar o verbo implicar para estabelecer uma relação de causa e efeito entre fatos sociais ou políticos. Quando o verbo é empregado com o significado de resultar, causar ou gerar, ele atua como verbo transitivo direto (VTD). Isso significa que o impacto ou a consequência se liga ao verbo de maneira limpa, sem o obstáculo da preposição “em”.

Estrutura incorreta: A falta de investimentos em educação implicará em problemas sociais graves.
Estrutura correta: A falta de investimentos em educação implicará problemas sociais graves.

O uso da preposição “em” só é gramaticalmente aceito quando o verbo implicar assume a acepção de envolver-se ou comprometer-se, como na frase “Ele implicou-se em negócios escusos”. Como esse sentido quase nunca é utilizado no texto dissertativo, a regra de ouro para a redação é tratar o verbo sempre como transitivo direto, cortando a preposição imediatamente após a sua grafia.

O perigo da contaminação por outros verbos

Muitos estudantes cometem esse erro devido a um fenômeno linguístico chamado analogia. Como os verbos “redundar” e “resultar” exigem a preposição “em” (resultar em, redundar em), o cérebro tende a aplicar o mesmo raciocínio ao verbo implicar. É preciso isolar o comportamento sintático de cada termo para não comprometer a coesão macroestrutural.

Aplicação prática na microestrutura do texto

O ajuste fino da regência exige atenção redobrada durante a etapa de revisão do rascunho. O candidato deve caçar a preposição “em” sempre que ela surgir logo após as flexões do verbo implicar.

✅ Uso Adequado (Trânsito Direto)❌ Uso Inadequado (Regência Incorreta)
Construção direta com substantivo: A aprovação da nova proposta de emenda constitucional implicará gastos adicionais ao Estado.Uso da preposição em com substantivo: A aprovação da nova proposta de emenda constitucional implicará em gastos adicionais.
Uso correto com verbos no infinitivo: O avanço tecnológico desenfreado implica remodelar as relações de trabalho atuais.Inserção de preposição antes do infinitivo: O avanço tecnológico desenfreado implica em remodelar as relações de trabalho atuais.
Garantir a regência limpa na tese: Essa postura governamental implica a perpetuação da desigualdade social no país.Contaminar a tese com o vício da oralidade: Essa postura governamental implica na perpetuação da desigualdade social no país.

Perguntas frequentes sobre a regência do verbo implicar

Por que o uso de “implicar em” é considerado erro se todo mundo fala assim?

Porque a gramática normativa baseia-se na tradição culta da língua escrita, onde o verbo implicar com sentido de acarretar é classificado estritamente como transitivo direto. O uso com a preposição “em” pertence à linguagem coloquial e informal.

O verbo implicar pode ser usado com a preposição “com”?

Sim, o verbo aceita a preposição “com” apenas quando assume o sentido de demonstrar antipatia ou implicância, como em “O chefe implicava com os funcionários”. Esse uso, contudo, deve ser evitado na redação devido ao seu forte caráter informal.

Como identificar se acertei a regência na hora de revisar o texto?

Faça o teste da pergunta ao verbo. Se a pergunta for “o que a ação implica?”, a resposta deve vir sem preposição. Se você responder “implica em algo”, a construção está incorreta e precisa ser corrigida.

A consolidação da nota máxima através do hábito

Dominar a regência de verbos complexos desmistifica o processo de escrita e confere segurança ao candidato diante da folha oficial. O uso cirúrgico das estruturas sintáticas não apenas protege a folha de redação contra a perda de pontos preciosos, mas também demonstra aos avaliadores que o autor possui pleno controle técnico sobre as normas que regem o idioma.

A fluidez na aplicação de regras gramaticais rígidas só é alcançada por meio de um processo sistemático de treino. Escrever com regularidade, submetendo cada parágrafo a uma autocorreção focada na busca por desvios de regência e concordância, é a estratégia mais eficaz para transformar a norma culta em um comportamento natural durante a produção de seus textos.