Regência do verbo visar: o detalhe da preposição que muda o seu objetivo

Por Redação
31/05/2026 10h53 – Atualizado há 2 semanas

Dominar a regência verbal é um dos passos decisivos para quem busca a nota máxima na competência 1 da redação do Enem e de vestibulares tradicionais. Entre os verbos que mais causam desvios gramaticais nas produções textuais, o verbo visar destaca-se como uma verdadeira armadilha. A presença ou a ausência de uma simples preposição não é apenas uma formalidade sintática; ela altera completamente o sentido do período, transformando o objetivo do candidato e confundindo a banca examinadora.

Na construção de um texto dissertativo-argumentativo, o uso inadequado da regência do verbo visar prejudica a clareza e a precisão do argumento. Análises detalhadas de milhares de redações de alto desempenho demonstram que o domínio desses microfatos gramaticais diferencia os candidatos de nível médio daqueles que alcançam a excelência. Os avaliadores demonstram tolerância zero para desvios de regência em estruturas que fundamentam propostas de intervenção e teses centrais.

Para garantir que o seu objetivo com o texto seja transmitido de forma impecável, é fundamental compreender os três significados do verbo visar e como a preposição “a” dita a semântica de cada oração. Entender essa dinâmica elimina ambiguidades e blinda a sua nota contra penalizações desnecessárias.

Os três sentidos do verbo visar e suas regências

O verbo visar pode atuar em três frentes semânticas distintas dentro da Língua Portuguesa. No contexto de produções acadêmicas e redações, duas delas ganham extrema relevância.

Visar com o sentido de “ter por objetivo” ou “almejar”

Este é o uso mais comum em redações, principalmente na proposta de intervenção, quando o candidato aponta a finalidade de uma ação social ou governamental. Nesse sentido, o verbo visar é transitivo indireto e exige a preposição “a”.

Se o complemento for um substantivo feminino, ocorre a crase (visar à). Se o complemento for um verbo no infinitivo, a preposição “a” é obrigatória na norma-padrão, embora a omissão seja tolerada por alguns gramáticos modernos — contudo, para garantir a segurança em bancas rigorosas, mantenha a preposição.

Exemplo com substantivo: O projeto do governo visa ao bem-estar da população.

Exemplo com substantivo feminino (crase): As medidas propostas visam à redução da criminalidade.

Exemplo com verbo no infinitivo: As políticas públicas visam a garantir o acesso à saúde.

Visar com o sentido de “assinar” ou “dar o visto”

Quando o objetivo é indicar que um documento recebeu uma assinatura de validação ou visto, o verbo visar funciona como transitivo direto, ou seja, não aceita preposição. É um uso menos frequente em textos dissertativos, mas essencial para o repertório gramatical.

Exemplo: O diretor visou os passaportes dos estudantes antes da viagem.

Visar com o sentido de “mirar” ou “apontar uma arma”

No sentido literal de mirar um alvo, o verbo também é transitivo direto e dispensa qualquer preposição.

Exemplo: O arqueiro visou o centro do alvo com precisão.

O impacto na proposta de intervenção

O erro mais recorrente cometido por candidatos nos exames nacionais ocorre na conclusão do texto. Ao redigir o detalhamento ou o efeito da proposta de intervenção, muitos escrevem “medidas que visam promover” ou “ações que visam o desenvolvimento”.

Para os critérios de correção de bancas como a do Enem, a ausência da preposição “a” quando o verbo significa “objetivar” configura um desvio de regência verbal. Como a conclusão concentra grande parte dos conectivos e estruturas de fechamento, cometer esse deslize no parágrafo final atrai a atenção negativa do corretor para a sua microestrutura textual.

Guia prático de microestrutura e regência

A tabela abaixo sintetiza os principais acertos e erros práticos identificados em redações com base no uso do verbo visar em suas diferentes estruturas textuais.

Contexto de Uso✅ Forma Correta❌ Forma Incorreta
Objetivo com substantivo masculinoAs ações visam ao desenvolvimento socioeconômico.As ações visam o desenvolvimento socioeconômico.
Objetivo com substantivo femininoO estatuto visa à proteção integral da infância.O estatuto visa a proteção integral da infância.
Objetivo com verbo no infinitivoA escola deve visar a formar cidadãos conscientes.A escola deve visar formar cidadãos conscientes.
Sentido de validar documentosO fiscal visou as folhas de prova dos candidatos.O fiscal visou às folhas de prova dos candidatos.

Perguntas frequentes sobre a regência do verbo visar

O uso de “visar + verbo no infinitivo” sem preposição tira pontos no Enem?

Sim, a omissão da preposição “a” antes de infinitivo pode ser penalizada na Competência 1 por corretores mais tradicionais. Embora exista uma tendência de aceitação do uso direto no português brasileiro coloquial, o Guia de Correção oficial exige o rigor da norma-padrão. Portanto, escreva sempre “visa a promover” em vez de “visa promover”.

Como funciona a crase com o verbo visar?

A crase ocorre sempre que o verbo visar tiver o sentido de “almejar” e o termo seguinte for um substantivo feminino determinado pelo artigo “a”. A junção da preposição exigida pelo verbo com o artigo resulta no acento grave, como em “O debate visa à conscientização coletiva”.

Posso substituir o verbo visar para evitar repetições no texto?

Sim, e essa é uma excelente estratégia de coesão para demonstrar repertório lexical aos avaliadores. Você pode utilizar sinônimos como objetivar (transitivo direto), ter por meta (exige preposição “a”) ou buscar (transitivo direto). Por exemplo: “A proposta objetiva mitigar os impactos ambientais”.

Conclusão

A regência do verbo visar demonstra como a precisão gramatical está diretamente ligada à clareza do seu argumento. Um desvio sutil na preposição pode mudar a lógica da sua frase e sinalizar ao avaliador uma falta de domínio da norma culta. O caminho para eliminar esses erros e blindar a sua nota 1000 exige treino constante e correção atenta. Ao revisar seus textos semanalmente, dedique uma atenção especial à regência dos verbos de ação para transformar a teoria em um hábito automático antes do dia do exame oficial.