Sintaxe da oração: como identificar o agente da passiva e não confundi-lo
25/08/2026 08h47 – Atualizado há 15 horas

A análise sintática da redação do Enem e de vestibulares tradicionais exige precisão absoluta para garantir a nota máxima na Competência 1. Entre as dúvidas mais frequentes registradas no atendimento a estudantes e na correção de provas, destaca-se a confusão entre o agente da passiva e o adjunto adverbial de causa, especialmente quando ambas as funções sintáticas surgem introduzidas pela preposição “por” (ou suas contrações “pelo” e “pela”).
Essa sobreposição formal acontece porque a preposição “por” desempenha múltiplos papéis na língua portuguesa. No entanto, confundir o elemento que executa a ação em uma estrutura passiva com o motivo ou razão de um fato altera a semântica da frase e evidencia falha no domínio da gramática normativa. Nossa equipe de especialistas em sintaxe analisou milhares de textos e identificou que o erro se concentra na falta de teste de transposição verbal para a voz ativa.
Para dominar a norma-padrão e garantir fluidez à sua escrita formal, é fundamental entender o comportamento do verbo e a relação lógica entre os termos da oração. Compreender essa diferença visual e funcional evita equívocos na estruturação das frases e eleva a sofisticação do seu texto expositivo e argumentativo.
O que é o agente da passiva e como ele funciona
O agente da passiva é o termo da oração que realiza a ação expressa por um verbo na voz passiva analítica. Ele é obrigatoriamente regido por preposição, comumente “por” (pelo/pela) ou, raramente, “de”. Para que ele exista, a oração precisa ter como núcleo um verbo transitivo direto acompanhado de um verbo auxiliar (ser, estar, ficar).
Para comprovar a presença do agente da passiva, aplique o teste da voz ativa. Se a frase puder ser reescrita na voz ativa, o agente da passiva assumirá a função de sujeito gramatical, mantendo o exato sentido original da mensagem.
- Voz passiva: O projeto foi aprovado pelo conselho.
- Voz ativa:O conselho aprovou o projeto.
O que é o adjunto adverbial de causa introduzido por “por”
O adjunto adverbial de causa indica o motivo, a razão ou o fator desencadeador da ação ou do estado expressos pelo verbo. Ele possui natureza acessória, o que significa que sua presença altera o contexto circunstancial, mas não a estrutura sintática básica do verbo.
Diferente do agente da passiva, o adjunto adverbial de causa não realiza a ação do verbo nem sofre alterações funcionais por meio de reescrita na voz ativa. Ele responde à pergunta “por qual razão?” e pode acompanhar verbos intransitivos, transitivos ou de ligação.
- Exemplo: O aluno chorou por emoção. (A “emoção” não pratica a ação de chorar; ela é o motivo do choro).
- Exemplo: A cidade ficou destruída pela tempestade. (A tempestade é a causa do estado de destruição).
Critérios práticos para não confundir os dois termos
A principal estratégia para diferenciar as funções consiste em examinar a transitividade verbal e a possibilidade de alteração de voz. O agente da passiva exige obrigatoriamente uma locução passiva analítica derivada de um verbo transitivo direto. O adjunto adverbial de causa apenas modifica o sentido global da frase sem se ligar ao agente da ação verbal.
Outro ponto de atenção é a tentativa de conversão para a voz ativa. Se ao transformar a frase o termo introduzido por “por” se transformar no sujeito da oração, trata-se de um agente da passiva. Se a transformação for impossível ou gerar uma frase sem sentido gramatical, o termo é um adjunto adverbial de causa.
Guia de identificação sintática
| Estrutura da frase | Classificação sintática | Teste de validação |
| ✅ A verba foi liberada pelo governo. | Agente da passiva | O governo liberou a verba. (Transposição para a ativa perfeita) |
| ❌ A verba foi liberada por urgência. | Adjunto adverbial de causa | “A urgência liberou a verba” (Sem sentido lógico; indica o motivo) |
| ✅ As leis foram alteradas pelos deputados. | Agente da passiva | Os deputados alteraram as leis. (Os deputados praticam a ação) |
| ❌ As leis foram alteradas por necessidade. | Adjunto adverbial de causa | “A necessidade alterou as leis” (Incorreto; indica a motivação) |
Perguntas frequentes sobre sintaxe da oração
Toda frase com a preposição “por” possui agente da passiva?
Não, a preposição “por” pode introduzir adjuntos adverbiais de causa, meio, lugar, tempo ou modo, além de funcionar como complemento nominal.
Como identificar a voz passiva analítica com clareza?
A voz passiva analítica é formada obrigatoriamente por um verbo auxiliar (como “ser” ou “estar”) somado ao particípio de um verbo transitivo direto.
O agente da passiva pode ser omitido na redação?
Sim, o agente da passiva é um termo integrante da oração e pode ser omitido quando o autor do fato for indeterminado ou irrelevante para o texto.
O adjunto adverbial de causa pode aparecer na voz passiva?
Sim, uma oração na voz passiva pode conter simultaneamente um agente da passiva e um adjunto adverbial de causa introduzido por “por”, exigindo análise do sentido de cada expressão.
Pratique a aplicação sintática para garantir a nota máxima
Dominar a estrutura das orações exige aplicação prática e constante. Especialistas em bancas examinadoras reforçam que a memorização de regras isoladas não substitui o exercício de reescrita diário. Ao redigir seus textos, teste a transformação das frases e analise a função de cada preposição empregada. Mantenha uma rotina focada em treino constante de redação para fixar a sintaxe correta e escrever com total precisão gramatical.