Uso das conjunções correlativas: como garantir a simetria argumentativa no desenvolvimento

Por Redação
05/06/2026 11h33 – Atualizado há 2 dias

A construção de um texto dissertativo-argumentativo de alto nível exige muito mais do que um vocabulário sofisticado; ela requer precisão cirúrgica na articulação das ideias. No coração dessa engenharia textual estão as conjunções correlativas — aquelas que trabalham em pares, como “não só… mas também”, “tanto… quanto” e “seja… seja”. O grande desafio para a maioria dos estudantes é entender que essas estruturas exigem uma correspondência exata entre os termos conectados. Quando essa harmonia é quebrada, o texto perde a linearidade e o autor penalizado nos critérios de coesão e coerência.

A análise de milhares de redações nota máxima de processos seletivos revela que a quebra de paralelismo sintático nas correlações é um dos desvios sutis que mais tiram pontos na microestrutura do texto. O erro ocorre porque, ao focar na progressão do argumento, o redator esquece de espelhar as classes gramaticais envolvidas no par de conjunções. Se após o primeiro elemento surge uma oração reduzida, o segundo elemento deve, obrigatoriamente, introduzir uma estrutura idêntica para manter o equilíbrio lógico e visual do parágrafo.

Para as bancas examinadoras mais rigorosas do país, a simetria na argumentação é um sinal claro de maturidade intelectual e controle pleno da norma-padrão. Erros de correlação demonstram falta de planejamento textual, enquanto o uso correto e fluido dessas conjunções funciona como um acelerador de leitura, guiando o corretor de forma natural pelas premissas do seu desenvolvimento. Dominar essa técnica é o passo definitivo para dar robustez ao seu ponto de vista e blindar a competência sintática da sua redação.

O princípio da simetria e o espelhamento gramatical

O segredo das conjunções correlativas reside no equilíbrio de pesos na balança sintática. Quando você opta por utilizar uma estrutura dupla, assume o compromisso de entregar duas partes que desempenham exatamente a mesma função na frase. Se o primeiro termo da correlação introduzir um substantivo, o segundo não pode introduzir um verbo no infinitivo.

Esse desalinhamento quebra o ritmo do período e confunde o leitor, invalidando a estratégia de coesão. O espelhamento gramatical garante que a mensagem chegue de forma limpa, sem ruídos na interpretação e com a força argumentativa necessária para convencer quem avalia o seu texto.

Os pares correlativos mais cobrados e suas armadilhas

Mapear o comportamento das conjunções mais comuns evita que você caia em armadilhas de concordância e regência no meio do seu desenvolvimento.

Não só… mas também

Esta é a campeã de uso e de desvios. A maior pegadinha ocorre quando o autor altera a preposição na segunda parte da frase. Se a primeira exige a preposição “de”, a segunda precisa obrigatoriamente mantê-la ou o paralelismo será destruído pelo caminho.

Tanto… quanto (ou como)

Utilizada para somar argumentos de igual relevância. O erro mais frequente com esse par é misturar as estruturas e escrever “tanto… e também”, o que desconfigura a correlação e gera um vício de linguagem que compromete a harmonia textual.

Seja… seja (ou quer… quer)

Essas formas alternativas demandam uma repetição exata. Mudar o padrão no meio do caminho para “seja… ou quer” invalida a coordenação disjuntiva e sinaliza fragilidade no domínio dos conectivos.

Guia prático de simetria: do erro à construção perfeita

Veja como alinhar a estrutura das suas frases para garantir o paralelismo sintático perfeito em cada período do seu desenvolvimento.

Escreva assim (✅)Evite assim (❌)Justificativa técnica
O projeto visa não só à inclusão social, mas também à valorização da cidadania.O projeto visa não só à inclusão social, mas também valorizar a cidadania.O erro ocorre porque a primeira parte usa substantivo (“inclusão”) e a segunda usa verbo (“valorizar”).
A medida trouxe benefícios tanto para a saúde quanto para a educação.A medida trouxe benefícios tanto para a saúde e também para a educação.O par correlativo “tanto” exige o conectivo “quanto” ou “como” para fechar a estrutura de adição.
O governo deve atuar seja investindo em infraestrutura, seja criando novos empregos.O governo deve atuar seja investindo em infraestrutura, ou criar novos empregos.O uso de “seja” exige a repetição do termo e o mesmo formato verbal (gerúndio) para manter a simetria.
É preciso combater não apenas as causas da crise, mas também as consequências dela.É preciso combater não apenas as causas da crise, mas também resolver as consequências.A quebra do paralelismo acontece ao inserir o verbo “resolver” na segunda parte sem correspondente na primeira.

Perguntas frequentes sobre conjunções correlativas

A falta de simetria nas conjunções correlativas é considerada erro grave?

Sim, as principais bancas punem severamente a quebra de paralelismo, pois esse deslize afeta diretamente a coesão textual e demonstra falta de domínio técnico na articulação das frases.

Posso usar “não só… como também” no lugar de “mas também”?

Sim, a expressão “como também” é perfeitamente aceita como substituta de “mas também”, desde que a simetria entre os termos conectados seja mantida ao longo de todo o período.

O uso de vírgula é obrigatório antes do segundo termo da correlação?

Sim, o uso da vírgula é obrigatório antes de conectivos adversativos e aditivos correlacionados, como no caso de “, mas também” e “, como também”, isolando as orações.

Como identificar rapidamente um erro de paralelismo no rascunho?

O melhor teste é isolar as duas partes da correlação e ler cada uma delas separadamente com o início da frase. Se ambas fizerem sentido sozinhas e mantiverem a mesma estrutura, o paralelismo está correto.

A constância na prática como caminho para a perfeição

Fixar as regras de paralelismo e dominar o uso das conjunções correlativas demanda atenção aos detalhes que só a revisão minuciosa proporciona. No calor do momento da prova, o cérebro tende a focar no conteúdo das ideias, deixando as falhas de simetria passarem despercebidas. A única forma de internalizar essas estruturas e transformá-las em um mecanismo natural da sua escrita é por meio do esforço contínuu. Mantenha o foco no treino prático semanal, reescrevendo seus desenvolvimentos e testando a balança sintática das suas frases até alcançar o domínio absoluto da norma culta.