Uso do hífen com “não”: escreve-se “não agressão” ou “não-agressão”?
27/02/2026 09h36 – Atualizado há 1 dia

Você já ficou em dúvida sobre o uso do hífen com a palavra não? Expressões como “não agressão”, “não violência” e “não fumante” geram incerteza, principalmente após a Reforma Ortográfica.
Afinal, o correto é escrever separado ou com hífen?
A Reforma Ortográfica mudou essa regra?
O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, em vigor no Brasil desde 2009, alterou diversas regras de hífen.
No entanto, no caso específico do uso de “não” antes de substantivos, a regra principal não sofreu mudança significativa.
O ponto central é entender se estamos diante de uma simples negação ou de uma palavra composta consolidada.
“Não agressão” ou “não-agressão”: qual é o correto?
A forma mais adequada, na maioria dos contextos, é não agressão, sem hífen.
Quando “não” funciona apenas como advérbio de negação, a escrita deve ser separada.
Exemplo:
“Defendemos a não agressão entre os países.”
Nesse caso, “não” apenas nega o substantivo “agressão”, sem formar uma nova palavra composta.
Quando usar hífen com “não”?
O hífen é empregado quando a expressão com “não” se transforma em um substantivo composto com sentido próprio e consolidado pelo uso.
Alguns termos já aparecem dicionarizados com hífen, especialmente quando há forte fixação lexical.
Exemplo clássico:
“não-violência” (quando usado como conceito filosófico ou político específico).
Nesses casos, o hífen indica que a expressão funciona como unidade semântica.
A regra prática para não errar
Se “não” estiver apenas negando o termo seguinte de forma circunstancial, escreva separado.
Se a expressão representar um conceito estável, amplamente reconhecido como unidade lexical, pode haver hífen.
Compare:
- política de não intervenção
- movimento da não-violência
No primeiro caso, trata-se de negação comum. No segundo, há referência a uma doutrina específica.
E em palavras como “não fumante”?
Segundo o padrão atual, escreve-se não fumante, sem hífen.
A forma com hífen (“não-fumante”) foi comum no passado, mas a tendência após a Reforma Ortográfica é simplificar e eliminar o hífen quando “não” atua apenas como advérbio.
O mesmo vale para:
- não pagamento
- não comparecimento
- não cumprimento
O que dizem as gramáticas?
Gramáticas normativas orientam que o hífen com “não” é exceção, não regra.
O uso separado é a forma padrão, salvo quando o termo composto já estiver cristalizado como palavra única no vocabulário.
Portanto, o contexto e o grau de consolidação da expressão são determinantes.
Conclusão
Entre “não agressão” e “não-agressão”, a forma mais comum e recomendada é não agressão, sem hífen.
O hífen só deve ser utilizado quando a expressão representar um conceito fixo e reconhecido como substantivo composto.
Entender essa diferença evita erros e garante conformidade com as regras pós-Reforma Ortográfica.