Uso do “mesmo” como pronome pessoal: a falha de coesão que você comete sem perceber
28/05/2026 20h00 – Atualizado há 16 horas

Entender a coesão textual é um dos passos mais importantes para quem busca a nota máxima na competência de norma culta das grandes bancas examinadoras. Entre os desvios mais recorrentes nos textos dissertativos-argumentativos, o uso equivocado do vocábulo mesmo para substituir pronomes pessoais lidera as estatísticas de erros gramaticais. A tendência natural da fala cotidiana e de textos jurídicos arcaicos frequentemente sabota o candidato no momento de transcrever seus argumentos para o papel.
O deslize ocorre porque, de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, “mesmo” não possui função pronominal pessoal. Isso significa que ele não pode ser empregado para retomar um sujeito ou objeto com o objetivo de evitar repetições. A influência de avisos clássicos de elevador faz com que a maioria dos estudantes insira essa estrutura de forma automática, gerando anomalias de coesão que são penalizadas imediatamente pelos corretores e avaliadores de exames oficiais.
A análise minuciosa de milhares de redações de alto nível demonstra que a precisão nos mecanismos de retomada eleva a sofisticação do texto e evita a perda de pontos preciosos por pura distração. Dominar essa sutil distinção gramatical serve como um forte indicativo de alta competência linguística e maturidade sintática diante dos critérios rigorosos das bancas.
O coração do problema: a falsa função de pronome pessoal
No contexto da produção textual de nível acadêmico e de concursos, o uso de “mesmo” como elemento coesivo de retomada cria uma quebra na harmonia sintática. A gramática normativa estabelece que essa palavra atua principalmente como pronome demonstrativo, de reforço ou adjetivo, mas nunca como substituto de pronomes retos (ele, ela) ou oblíquos (o, a, lhe).
- A regra de ouro: a palavra “mesmo” serve para enfatizar, igualar ou contrastar, mas não para personificar um termo anterior.
A insistência nesse vício de linguagem empobrece a argumentação e sinaliza desconhecimento dos recursos coesivos adequados. Para garantir a fluidez do raciocínio e o respeito à norma culta, a substituição deve ser feita por pronomes reais, sinônimos ou pela própria omissão do termo (coesão elíptica), deixando o texto limpo e bem estruturado.
As funções legítimas do “mesmo” na norma-padrão
Embora o uso como pronome pessoal seja proibido, a palavra possui funções ricas e legítimas que podem e devem aparecer na sua escrita quando bem aplicadas.
Função de reforço ou identidade
Nesta acepção, o termo serve para dar ênfase ao sujeito, equivalendo a “próprio” ou “em pessoa”. Concorda em gênero e número com o substantivo a que se refere.
- Exemplo: Os próprios ministros assinaram o decreto ontem à noite.
- Exemplo: A diretora mesma resolveu o impasse pedagógico na escola.
Função de pronome demonstrativo neutro
Pode ser empregado com o sentido de “a mesma coisa”, recuperando uma ideia inteira expressa anteriormente, e não um termo isolado.
- Exemplo: O governo prometeu reduzir os impostos, mas os cidadãos não esperam o mesmo das esferas municipais.
Função concessiva
Funciona como uma conjunção que introduz uma ideia de oposição ou contraste, equivalente a “embora” ou “ainda que”.
- Exemplo: Mesmo com a redução dos índices de criminalidade, a sensação de insegurança permanece alta.
Guia prático de aplicação para o seu texto
Para fixar o aprendizado e garantir que você não vai deslizar na próxima produção de texto, veja o comparativo direto de estruturas que costumam aparecer no desenvolvimento de redações.
| Estrutura Incorreta (Evite na Redação) | Estrutura Correta (Use na Redação) | Justificativa Gramatical |
| O cidadão cumpre deveres, mas o mesmo não tem direitos. | O cidadão cumpre deveres, mas ele não tem direitos. | Erro de coesão: “mesmo” usado incorretamente como pronome reto. |
| O projeto foi enviado ao prefeito para que o mesmo assine. | O projeto foi enviado ao prefeito para que este o assine. | Substituição correta pelo pronome demonstrativo de proximidade. |
| A educação transforma a sociedade; invista na mesma. | A educação transforma a sociedade; invista nela. | Retomada adequada com o uso de pronome pessoal oblíquo contraído. |
| Chamou o suspeito e pediu para o mesmo se retirar. | Chamou o suspeito e pediu para que se retirasse. | Uso da elipse (sujeito oculto) resolve a repetição com elegância. |
Perguntas frequentes sobre o uso do “mesmo”
Por que a famosa frase do elevador (“Antes de entrar, verifique se o mesmo…”) está errada?
A frase clássica dos elevadores está incorreta porque utiliza “o mesmo” para substituir o substantivo “elevador”. De acordo com a gramática normativa, a estrutura padrão deveria ser “verifique se ele se encontra neste andar”, eliminando o vício de linguagem que se espalhou pelo cotidiano.
Posso usar “mesmo” para iniciar frases de transição argumentativa?
Sim, desde que possua valor concessivo, funcionando como sinônimo de “ainda que” ou “embora”. Você pode escrever “Mesmo diante desse cenário desafiador, o país apresenta avanços”, pois o termo atua como conectivo de oposição e não como substituto pronominal.
Como identificar e corrigir esse erro durante a revisão do rascunho?
A técnica mais eficiente consiste em circular a palavra “mesmo” e tentar substituí-la por “ele”, “ela” ou “o próprio”. Se o encaixe perfeito acontecer com “ele” ou “ela”, o uso está inadequado e você deve alterar a palavra por um pronome pessoal, demonstrativo ou simplesmente apagá-la.
O caminho para a nota máxima exige prática constante
A teoria da coesão textual só se transforma em hábito quando você tira a regra do papel e a coloca em movimento. Conhecer o desvio clássico do uso do “mesmo” protege o seu texto de uma perda de pontos boba, mas a verdadeira segurança gramatical nasce do volume de escrita. É preciso escrever, revisar e policiar a própria linguagem para eliminar os vícios da fala que costumam contaminar a modalidade escrita. Foque no treino contínuo, faça da correção minuciosa uma etapa obrigatória da sua rotina de estudos e garanta uma estrutura textual limpa, madura e totalmente alinhada às exigências dos corretores mais exigentes do país.