Verbos defectivos: Como conjugar “colorir”, “falir” e “banir” no presente?
26/02/2026 09h33 – Atualizado há 7 horas

Você já tentou conjugar os verbos colorir, falir ou banir na primeira pessoa do singular do presente do indicativo e travou?
Frases como “eu coloro”, “eu falo” (de falir) ou “eu bano” costumam gerar estranhamento — e muitos memes nas redes sociais.
Isso acontece porque esses verbos pertencem a um grupo especial da gramática: os chamados verbos defectivos.
O que são verbos defectivos?
Verbos defectivos são aqueles que não apresentam conjugação completa em todos os tempos, modos ou pessoas.
Ou seja, há “lacunas” na flexão verbal, consideradas inadequadas ou inexistentes na norma-padrão.
No caso de alguns verbos terminados em -ir, como colorir, falir e banir, a dificuldade tradicionalmente aparece no presente do indicativo, especialmente na forma “eu”.
Como conjugar “colorir” no presente?
O verbo colorir significa dar cor, pintar ou enfeitar com cores.
No presente do indicativo, a conjugação tradicionalmente aceita é:
- eu — (evita-se a forma)
- tu color es
- ele/ela colore
- nós colorimos
- vós coloris
- eles/elas colorem
Durante muito tempo, gramáticas normativas classificaram “colorir” como defectivo na primeira pessoa do singular do presente do indicativo.
A forma “eu coloro” era vista como inadequada.
No entanto, com o uso cada vez mais frequente, muitos dicionários modernos já registram “eu coloro” como forma aceitável, refletindo a evolução do uso.
E o verbo “falir”?
O verbo falir significa entrar em falência, tornar-se insolvente.
No presente do indicativo, temos:
- eu — (tradicionalmente evitado)
- tu fales
- ele/ela fale
- nós falimos
- vós falis
- eles/elas falem
A forma “eu falo”, que seria uma analogia direta, não é aceita, pois já corresponde ao verbo “falar”.
Já “eu falo” no sentido de falência não existe na norma culta.
Alguns gramáticos defendem que se evite a forma na primeira pessoa, substituindo por construções como “estou falido” ou “vou à falência”.
Como fica “banir” no presente?
O verbo banir, que significa expulsar ou afastar definitivamente, segue padrão semelhante.
Conjugação no presente do indicativo:
- eu — (forma tradicionalmente evitada)
- tu banes
- ele/ela bane
- nós banimos
- vós banis
- eles/elas banem
A forma “eu bano” é amplamente rejeitada pela norma tradicional.
Por isso, em contextos formais, recomenda-se reformular a frase, como em “eu aplico o banimento” ou “eu determino o banimento”.
Por que existe esse “vazio” na primeira pessoa?
O fenômeno ocorre por razões históricas e fonológicas.
Alguns verbos em -ir apresentam irregularidades na formação do radical quando conjugados na primeira pessoa do singular do presente.
Para evitar formas consideradas dissonantes ou ambíguas, a tradição gramatical optou por classificá-los como defectivos.
Com o tempo, porém, o uso social da língua começou a pressionar essas lacunas, especialmente no caso de “colorir”.
É por isso que surgem debates, memes e discussões nas redes sociais sobre “eu coloro” ou “eu bano”.
A língua pode mudar essa regra?
Sim. A língua portuguesa é dinâmica.
Quando uma forma passa a ser amplamente utilizada por falantes cultos e aparece em registros formais, dicionários e gramáticas descritivas tendem a incorporá-la.
Hoje, “eu coloro” já é registrado em diversas obras lexicográficas.
Já “eu falo” (de falir) e “eu bano” continuam sendo considerados inadequados na norma-padrão.
Como evitar erro em redações?
Se houver dúvida, a estratégia mais segura é reformular a frase.
Em vez de “eu falo a empresa”, prefira “a empresa faliu” ou “a empresa entrou em falência”.
No caso de “banir”, utilize construções alternativas, como “eu determino o banimento”.
Já “colorir” pode ser usado com mais flexibilidade, mas, em textos formais, ainda é prudente verificar o padrão exigido pela banca ou instituição.
Conclusão
Verbos defectivos como colorir, falir e banir mostram que a gramática não é apenas um conjunto de regras rígidas, mas também resultado de processos históricos e de uso.
O “vazio” na primeira pessoa do singular do presente do indicativo explica por que tantas pessoas hesitam ao conjugar esses verbos.
Entender esse fenômeno ajuda a escrever com mais segurança — e evita cair em pegadinhas gramaticais que rendem memes, mas podem comprometer uma redação formal.