“Vou pôr” ou “Vou por”? Entenda a diferença
13/02/2026 10h31 – Atualizado há 12 horas

A dúvida entre “vou pôr” e “vou por” é uma das mais comuns da língua portuguesa, especialmente depois da reforma ortográfica. Muitas pessoas acreditam que o acento diferencial deixou de existir completamente, mas isso não é verdade. O verbo “pôr” continua sendo acentuado e mantém uma função essencial para evitar ambiguidades.
Na prática, a forma correta para indicar a ação de colocar algo é “vou pôr”, com acento circunflexo. Já a palavra “por”, sem acento, é uma preposição muito usada na língua portuguesa, com sentidos como causa, meio, finalidade ou troca. Essa diferença de classe gramatical explica por que apenas uma das formas leva acento.
O que é o acento diferencial?
O acento diferencial é utilizado para distinguir palavras que possuem a mesma grafia, mas funções e significados diferentes. Mesmo após a reforma ortográfica da língua portuguesa, alguns acentos diferenciais foram mantidos justamente para evitar confusões na leitura e na escrita.
O verbo “pôr” é um dos principais exemplos dessa regra que permanece. O acento circunflexo serve para diferenciar o verbo da preposição “por”. Sem essa distinção, frases simples poderiam gerar dúvidas de interpretação, prejudicando a clareza da comunicação.
Por que o verbo “pôr” ainda tem acento?
Antes da reforma ortográfica, havia vários acentos diferenciais em uso, mas muitos foram eliminados para simplificar a escrita. No entanto, o acento em “pôr” foi preservado por uma razão específica: evitar ambiguidade com a preposição “por”, uma das palavras mais usadas do idioma.
Sem o acento, frases como “vou por o livro na mesa” poderiam causar confusão, pois não ficaria claro se a palavra se refere ao verbo ou à preposição. O acento em “pôr” garante que o leitor identifique imediatamente a ação de colocar, mantendo a precisão da frase.
Exemplos práticos do uso correto
Para entender melhor, observe alguns exemplos simples do cotidiano. Quando a palavra indica ação, deve-se usar o verbo com acento: “Vou pôr o celular para carregar” ou “Ela vai pôr a mesa para o jantar”. Nesses casos, a ideia central é a de colocar algo em determinado lugar.
Já quando a palavra funciona como preposição, não há acento: “Vou passar por você mais tarde”, “Ele fez isso por amor” ou “O presente é por você”. Nessas situações, a palavra estabelece relações de causa, meio ou direção, e não representa uma ação.
A reforma ortográfica e as dúvidas mais comuns
A reforma ortográfica da língua portuguesa, implementada oficialmente no Brasil em 2009, eliminou diversos acentos diferenciais, o que contribuiu para aumentar a confusão entre os falantes. Muitas pessoas passaram a acreditar que todos os acentos desse tipo haviam sido abolidos.
Entretanto, o acento no verbo “pôr” permanece obrigatório. Ele é considerado um dos poucos acentos diferenciais que continuam em vigor, ao lado de outros casos específicos da língua. Por isso, escrever “vou por” no sentido de colocar algo é considerado erro gramatical.
Como nunca mais errar “pôr” e “por”
Uma forma simples de evitar o erro é identificar se a palavra indica uma ação. Se puder substituir por “colocar”, então o correto é usar “pôr” com acento. Por exemplo: “vou colocar” equivale a “vou pôr”, o que confirma o uso do acento.
Se a palavra não puder ser substituída por um verbo e apenas ligar elementos da frase, trata-se da preposição “por”, sem acento. Esse teste rápido ajuda a eliminar a dúvida e garante o uso correto no dia a dia, tanto na escrita formal quanto informal.
A importância de dominar essa diferença
Saber a diferença entre “vou pôr” e “vou por” é essencial para escrever corretamente e evitar erros que podem comprometer a credibilidade de um texto. Em ambientes profissionais, acadêmicos e digitais, a atenção à ortografia demonstra domínio da língua e cuidado com a comunicação.
Além disso, compreender o funcionamento do acento diferencial ajuda a entender melhor a estrutura do português. Pequenos detalhes como esse fazem grande diferença na clareza das frases e no domínio da norma padrão.