Como usar onde e em que corretamente para evitar erros de coesão na redação

Por Redação
18/06/2026 11h49 – Atualizado há 3 horas

O uso inadequado dos pronomes relativos é um dos desvios mais frequentes na competência 4 da redação do Enem e em vestibulares tradicionais, como a Fuvest e a Vunesp. Entre os principais vilões da coesão textual está o termo “onde”, constantemente utilizado de forma genérica para conectar ideias que não possuem nenhuma relação com o espaço físico. Esse deslize, embora pareça sutil na oralidade, compromete a precisão semântica do texto e sinaliza para a banca avaliadora uma fragilidade no domínio da norma-padrão.

Para alcançar a nota máxima nos critérios de correção mais rigorosos, o candidato precisa entender que a coesão vai além de simplesmente espalhar conectivos ao longo dos parágrafos. Cada pronome possui uma função sintática específica que determina a clareza das relações estabelecidas entre as orações. A substituição indiscriminada de “em que”, “no qual” ou “na qual” pelo pronome “onde” quebra o encadeamento lógico dos argumentos, resultando em uma penalização direta na nota final.

A chave para eliminar esse vício de linguagem é compreender o mapeamento dos referentes textuais. Enquanto um pronome aponta estritamente para coordenadas geográficas ou espaciais palpáveis, as outras formas relativas servem para introduzir conceitos abstratos, situações, épocas ou debates teóricos. Dominar essa distinção sutil é o diferencial entre um texto de nível médio e uma redação de excelência.

A regra de ouro: espaço físico versus espaço figurado

O pronome relativo “onde” deve ser utilizado exclusivamente para indicar lugar físico, ou seja, um espaço real, delimitado e concreto. Se o antecedente da frase não for um local onde se possa entrar, caminhar ou que possua existência geográfica factual, o uso do termo está incorreto.

Para situações abstratas, conceitos, teorias, leis, períodos históricos ou sentimentos, a norma-padrão exige o emprego de “em que” ou das formas flexionadas “no qual” / “na qual”. Essas estruturas funcionam como curingas da coesão textual, cobrindo tanto o sentido de tempo quanto o de espaço figurado.

  • Onde (Lugar físico): “A universidade onde estudei possui laboratórios modernos.” (Universidade é um espaço físico real).
  • Em que / No qual (Lugar figurado/Conceito): “A sociedade em que vivemos enfrenta crises profundas.” (Sociedade é um conceito abstrato, não um local físico).
  • Em que (Tempo): “A época em que a lei foi aprovada era de transição política.” (Época refere-se a tempo, logo, “onde” seria proibido).

O impacto na Competência 4 do Enem

Os manuais de correção de grandes exames apontam que a repetição inadequada ou o uso semanticamente incorreto de pronomes relativos configura falha de coesão por inadequação. Quando o corretor identifica expressões como “o século XXI onde a tecnologia avança”, a penalização ocorre porque a palavra está conectando um período temporal a um pronome de lugar. Para garantir o nível 5 na competência de coesão, todos os pronomes devem se referir perfeitamente aos seus antecedentes.

Aplicação prática: guia de acertos e erros na estrutura textual

A tabela a seguir apresenta exemplos claros de substituições fundamentais para adequar o texto às exigências das bancas de correção mais rigorosas do país.

Contexto da fraseConstrução inadequada (❌)Construção corrigida (✅)
Referência a Leis/Documentos“A Constituição de 1988, onde os direitos fundamentais são garantidos…”“A Constituição de 1988, na qual os direitos fundamentais são garantidos…”
Referência a Tempos/Épocas“Vivemos em um período histórico onde a desinformação se espalha…”“Vivemos em um período histórico em que a desinformação se espalha…”
Referência a Situações/Debates“A discussão sobre saúde mental, onde muitos evitam opinar, é urgente.”“A discussão sobre saúde mental, a respeito da qual muitos evitam opinar, é urgente.”
Referência a Países/Cidades“O Brasil é um país em que as desigualdades são regionais.”“O Brasil é um país onde as desigualdades são regionais.” (Também aceita “em que”).

Perguntas frequentes sobre pronomes relativos na redação

Qual a diferença principal entre “onde” e “em que”?

O termo “onde” se refere estritamente a lugares físicos e concretos, como cidades, países, prédios ou salas. Já o termo “em que” é um conectivo universal usado para situações abstratas, momentos temporais, leis, conceitos e espaços figurados.

Posso usar “em que” para lugares físicos?

Sim. O conectivo “em que” pode substituir “onde” em qualquer situação, funcionando perfeitamente tanto para espaços físicos quanto para abstratos. O inverso, no entanto, é proibido pela gramática normativa.

O que acontece se eu errar o uso de “onde” na redação do Enem?

Você sofrerá uma penalização na Competência 4, que avalia a coesão textual e a variedade de recursos expressivos. O uso inadequado demonstra falta de domínio sobre a precisão semântica dos conectivos.

Como diferenciar “onde” de “aonde”?

A palavra “onde” indica permanência ou estado fixo em um lugar. A forma “aonde” exige um verbo que expresse movimento, destino ou direção, funcionando como o equivalente a “para onde” (ex: “O lugar aonde iremos é distante”).

O caminho para a nota mil exige treino prático

A teoria gramatical só se transforma em nota alta quando é aplicada de forma consciente no papel. Identificar os vícios de linguagem e corrigir o uso dos pronomes relativos exige uma rotina constante de escrita e revisão textual. Desenvolver o hábito de produzir redações semanais permite que você mapeie suas próprias dificuldades e automatize as construções corretas. O treino focado na microestrutura e na escolha precisa de cada conectivo é o que separa uma folha em branco de um texto nota máxima nos vestibulares.