O uso do “que” expletivo ou de realce: como identificar e retirar o termo sem errar na sintaxe

Por Redação
01/07/2026 08h47 – Atualizado há 10 horas

O domínio dos mecanismos de coesão e das estruturas de realce é um dos diferenciais que separam uma redação mediana de uma nota máxima nas bancas de concurso e no Enem. Entre esses recursos, o “que” expletivo ou de realce destaca-se por sua natureza puramente estilística. Embora seja uma ferramenta legítima para dar ênfase à fala ou à escrita, o uso excessivo ou mal compreendido desse termo pode truncar o ritmo do texto e desorganizar a estrutura sintática da oração, gerando desvios punidos rigorosamente pelos corretores de redação.

A análise de milhares de redações de alto desempenho mostra que os candidatos mais preparados utilizam a partícula de realce com precisão cirúrgica, sabendo exatamente quando ela é dispensável. Compreender o funcionamento desse termo não é apenas uma questão de nomenclatura gramatical, mas um passo essencial para garantir a clareza e a fluidez da microestrutura textual. Quando você entende que esse conectivo não desempenha função sintática, ganha total autonomia para revisar o próprio texto e eliminar excessos que poluem a leitura.

Neste guia prático, vamos desmistificar o “que” expletivo. Você vai aprender a identificá-lo de forma imediata por meio de testes simples, entender a lógica por trás de sua remoção segura e conferir exemplos práticos baseados nos critérios de correção das principais bancas do país para aplicar diretamente nos seus treinos de escrita.

O que é a partícula expletiva e por que ela existe

A palavra “expletivo” vem do latim expletivus, que significa “que serve para preencher” ou “completar”. Na língua portuguesa, o “que” expletivo é uma palavra de transição ou realce cuja única finalidade é enfatizar um termo, uma ideia ou expressar uma carga de emotividade na frase. Ele funciona como um holofote jogado sobre uma parte da oração para atrair a atenção do leitor.

A grande armadilha para quem escreve é confundir esse elemento decorativo com os “ques” estruturais da língua, como o pronome relativo (que introduz orações subordinadas adjetivas) ou a conjunção integrante (que introduz orações subordinadas substantivas). Enquanto estes últimos são os pilares que sustentam a arquitetura da frase, o “que” de realce é apenas um ornamento.

Gramaticalmente, a partícula de realce não possui função sintática. Ela não é sujeito, não é objeto, não é adjunto. Por ser um termo vazio de significado próprio e sem obrigatoriedade estrutural, a sua retirada da frase pode ser feita de forma integral, sem causar qualquer prejuízo ao sentido original ou à correção gramatical.

Como identificar o “que” de realce: o teste da eliminação

A forma mais segura e rápida de identificar se o “que” em uma frase é expletivo é realizar o teste da eliminação imediata. Como ele não possui função sintática, ao retirá-lo da estrutura, a frase deve continuar perfeitamente inteligível e correta de acordo com a norma-padrão.

O termo pode aparecer isolado ou fazendo parte da locução expletiva “é que”. Veja o exemplo prático de identificação:

  • Frase com realce: Nós é que sabemos a dificuldade de produzir um texto nota mil.
  • Aplicação do teste (retirada): Nós sabemos a dificuldade de produzir um texto nota mil.

Ao suprimir a expressão “é que”, perceba que o sujeito “Nós” continua ligado diretamente ao verbo “sabemos”. A estrutura sintática permanece intacta, comprovando que o termo servia apenas para sublinhar a identidade do sujeito. Se a retirada mantiver o sentido e a regência corretos, você está diante de uma partícula expletiva.

Aplicação prática na microestrutura do texto

Para evitar penalizações na competência que avalia a estrutura sintática e a coesão textual, o redator deve saber diferenciar os usos corretos e os excessos que geram truncamento. A tabela abaixo compara cenários de uso ideal e construções que devem ser evitadas.

Construção recomendada (✅)Construção a evitar (❌)Justificativa técnica
Quase que desisti de revisar o parágrafo de introdução.Quase que se desitiu de revisar o parágrafo de introdução.No segundo caso, o acúmulo de partículas (“que” e “se”) gera ambiguidade e quebra a regência verbal.
O aluno explicou o tema; nós é que anotamos as referências.O aluno explicou o tema, sendo que nós anotamos as referências.O uso do “sendo que” como conectivo é um vício de linguagem; o “é que” expletivo limpa a transição se reduzido para “nós anotamos”.
Há muitos anos que a banca adota esse critério de avaliação.Há muitos anos em que a banca adota esse critério de avaliação.A troca pelo pronome relativo “em que” exige um antecedente temporal que mude a sintaxe, tornando a frase incorreta sem o contexto adequado.

Perguntas frequentes sobre o “que” expletivo

A retirada do “que” expletivo altera o sentido da frase de alguma forma?

Não, a retirada não altera o sentido semântico (o significado essencial) nem a estrutura gramatical da frase. O único efeito da sua remoção é a perda da ênfase ou do tom estilístico de realce que o autor pretendia aplicar àquela declaração específica.

Qual a diferença entre o “que” expletivo e o “que” pronome relativo?

O pronome relativo substitui um termo antecedente e inicia uma nova oração, possuindo função sintática essencial (como sujeito ou objeto), enquanto o “que” expletivo pode ser removido sem que falte nenhum pedaço na frase. Se você retirar um pronome relativo, a frase se torna incompleta e incorreta.

Posso ser penalizado em uma redação de concurso se usar muito o “que” de realce?

Sim, o uso excessivo pode ser penalizado pelos corretores devido ao vício de linguagem conhecido como “queísmo”, que empobrece o estilo do texto, e pelo risco de truncamento sintático. Em textos dissertativos-argumentativos, a clareza e a concisão devem imperar, tornando preferível a eliminação de termos expletivos.

O “que” expletivo sempre vem acompanhado do verbo ser?

Não necessariamente, embora a locução “é que” seja a forma mais comum de manifestação do realce na língua portuguesa. O “que” pode aparecer sozinho acoplado a advérbios ou verbos, como nas expressões “quase que”, “mal que” ou “vejam que”.

O caminho para a escrita limpa e precisa

Dominar a identificação da partícula expletiva é um exercício de autocrítica textual que eleva o nível da sua produção. Ao entender que esse elemento serve apenas para fins de sonoridade ou ênfase, você passa a enxergar as estruturas desnecessárias que incham as suas frases. Limpar o texto desses excessos garante a concisão exigida pelas bancas examinadoras mais rigorosas do país, permitindo que os seus argumentos brilhem sem interferências gramaticais.

O segredo para a assimilação definitiva desse conceito é a aplicação prática e constante. Durante as suas revisões, adote o hábito de questionar a presença de cada “que” no papel, aplicando o teste da eliminação para verificar quais deles são pilares fundamentais e quais são apenas adornos dispensáveis.

Saber quando retirar o “que” expletivo é o tipo de refinamento que transforma uma escrita comum em um texto maduro e fluido. Transforme esse conhecimento em hábito: produza uma nova redação, aplique o filtro da eliminação nos seus períodos e sinta a evolução imediata na clareza do seu estilo. O treino consciente é o único caminho para a nota máxima.